Acordo comercial segue cumprindo rigorosamente a agenda prevista, devendo ser assinado ainda este ano. É o que prevê Regis Arslanian, diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty
A Fiesp recebeu na quarta-feira (05/06) representantes do Mercosul e do Estado de Israel, para mais uma rodada de discussões sobre a criação de um acordo de livre-comércio entre o bloco latino-americano e Israel.
A etapa cumprida hoje incluiu uma teleconferência com o embaixador Joseph Gal, Chefe do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores de Israel, já prevista no Acordo-Quadro de intenções assinado no Uruguai, em dezembro do ano passado, quando foram estabelecidos a agenda e o cronograma de atividades para a assinatura do acordo.
“Tudo leva a crer que o acordo será assinado ainda este ano, no segundo semestre. A negociação está acontecendo de forma muito rápida, talvez como nunca antes tenha acontecido num acordo deste porte”, afirmou o embaixador Regis Arslanian, diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty.
Diferente do que foi acertado nos últimos acordos comerciais assinados com a Índia e África do Sul, não existe uma lista restrita de produtos beneficiados pelo acordo: as negociações com Israel prevêem taxa zero para todos os produtos exportados e importados.
Mas, para proteger os produtos mais sensíveis à abertura do mercado e à sobrevivência de suas indústrias, o Mercosul já enviou a Israel uma lista com grupos de produto que terão prazos entre cinco e dez anos para atingir a taxa de exportação zero.
Diferenças
Apesar do rápido andamento das negociações, as arestas que precisam ser aparadas para o andamento do acordo foram externadas por representantes de ambos os lados.
“A taxação média de exportação do Brasil para Israel é de 8%, porém, precisamos lembrar que ainda existem barreiras não-tributárias, como as cotas de importação, a obrigação da emissão de autorização de exportação e os custos com transportes que encarecem os produtos brasileiros”, lembrou Rona Kotler, chefe do Departamento Econômico da Embaixada de Israel no Brasil.
Para Carlos Cavalcanti, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), da Fiesp, o Brasil tem sido mais constante em suas importações do que Israel em suas exportações ao País.
Além disso, o país do oriente médio continua mantendo alguns produtos com taxas de importação bastante altas, mesmo após a última rodada de negociações de Doha. “Nossa maior tarifa é 35% para automóveis, e a maior taxação de Israel corresponde a 230% para batatas congeladas, por exemplo”.
Cavalcanti destacou que existem 175 produtos taxados acima de 20% em Israel, contra 53 produtos nesta situação no Brasil. Segundo ele, isso precisará ser levado em conta nas negociações.
Perspectivas
O chefe do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Joseph Gal, e a embaixadora de Israel no Brasil, Tzipadora Rimon, foram unânimes em afirmar que o Estado de Israel está muito empenhado na realização do acordo bilateral, pois tem como foco atual o aumento das relações comerciais com a América do Sul.
Prova disso é o recente acordo comercial assinado com o México. “Acreditamos que as trocas contribuirão para melhorar as relações entre nossos países, algo que também pode melhorar as influências políticas”, destacou Gal.
As exportações israelenses para o Brasil somaram US$ 320 milhões em 2002 e atingiram US$ 469 milhões apenas três anos depois. Para Gal, a curva de crescimento se tornará ainda maior quando o acordo de livre-comércio estiver em vigor.
Julie Maud, Agência Indusnet Fiesp
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