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BOLETIM INFORMATIVO -JANEIRO/2007

Argentina comemora perspectiva de crescimento em 2007


"A Argentina volta a estar no radar dos mercados financeiros internacionais", afirmou nesta segunda Martin Redrado, presidente do Banco Central argentino

Jamil Chade

BASILÉIA, Suíça - A Argentina comemora para 2007 uma perspectiva de crescimento duas vezes superior ao do Brasil e um risco País que já se aproxima ao da economia brasileira. "A Argentina volta a estar no radar dos mercados financeiros internacionais", afirmou Martin Redrado, presidente do Banco Central da Argentina e que participou nesta segunda-feira da reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS) ao lado do presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles. Para o BIS, a Argentina faz parte do grupo de países que conseguiu "ressurgir das cinzas".

"Os spreads da Argentina vão se aproximar aos níveis do Brasil no curto prazo", garantiu Redrado. "Em 2006, a diferença entre os spreads da Argentina e do Brasil era de 200 pontos. Hoje, são de 15", comemorou o argentino. No caso brasileiro, o risco atingiu 199 pontos na semana passada.

Quanto às taxas de crescimento, a Argentina espera um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 8,6% para 2007 e calcula que o desempenho brasileiro não será superior a 4%. Em 2002, a crise na Argentina gerou uma queda do PIB de 18%.

Segundo Redrado, seu país tem já um superávit de conta corrente parecido com o do Brasil e assegura que setor público não precisa sair em busca de recursos no exterior.

Já o setor privado está voltando ao mercado internacional, depois de anos sem acesso a créditos. "As companhias argentinas estão saindo ao mercado internacional. Os exportadores estão buscando financiamento no exterior, que é mais barato, e alguns bancos estão emitindo títulos já de longo prazo", afirmou. O Banco Macro, no final de 2006, emitiu títulos com prazo de 30 anos.

Para o BIS, a Argentina faz parte dos casos de países que "ressurgiram das cinzas" depois de um colapso de suas economias. Em um estudo realizado pelo banco central dos bancos centrais na Basiléia, o desempenho da Argentina é estudado como um exemplo de um país que, depois de uma grave crise e sem acesso a créditos no exterior, conseguiu retomar o crescimento. É o que o BIS chama de "efeito Fênix", em referência ao ressurgimento a partir de cinzas.

Outro exemplo seria o dos Estados Unidos após a Grande Depressão de 1929. No caso do Brasil, um momento similar foi o da crise em 1983, com uma queda de 7% do PIB.

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