Para reduzir o ritmo de sua inflação, a Argentina aumentou em quatro pontos percentuais a taxa de exportação do complexo soja. A medida agradou os exportadores brasileiros, que devem ocupar o mercado que for abandonado pelos argentinos, maiores exportadores mundiais de óleo e farelo.
Ontem, o governo argentino anuncia que a taxação para o grão aumentou de 23,5% para 27,5%. Para o óleo e farelo, a alta foi de 20% para 24%.
Apesar de concordar que haverá algum efeito no mercado, o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Teixeira Mendes, não acredita que, no final das contas, a medida fará diferença. Isso porque os vizinhos estão longe de serem superados em competitividade pelos brasileiros. "Eles têm vantagens com o câmbio neste momento e, de forma mais permanente, com o frete, por conta das distâncias entre área de produção e portos, em média, até cinco vezes menores que as existentes no Brasil", disse. Segundo ele, a diferença de custo de frete chegou a US$ 30 por tonelada em 2006, no caso da soja em grão.
Mendes acredita que o benefício para os brasileiros será diretamente proporcional à distância que as áreas produtivas têm dos portos. "Assim, pode ser mais vantajoso para o Rio Grande do Sul e o Paraná que para o Centro-Oeste", avalia. |