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BOLETIM INFORMATIVO -ABRIL/2007

Eleonora Gosman

Para deleite de Néstor Kirchner e sobre tudo de sua ministra Felisa Miceli, que quase o vive como um êxito pessoal, o presidente, Lula da Silva anunciará na Ilha Margarita que o Brasil passa a julgar na qualidade de titular (e sócio co-fundador) o Banco do Sul. Neste paraíso caribenho convertido repentinamente em bunker de uma dezena de chefes de Estado sul-americanos, o brasileiro firmará um compromisso de pertence depois de receber o “convite político” formal da Argentina e Venezuela.

Na visão brasileira, o que se pretende é que Lula firme um entendimento distinto do que subscreveram argentinos e venezuelanos. Nas palavras de Guido Mántega, titular brasileiro do Ministério da Fazenda, “tem que romper o antigo contrato e fazer um novo”. O Brasil, antecipou o ministro, tem duas críticas chaves para o projeto anterior: na sua visão, o novo banco deve ser muito bem definido tecnicamente e seus objetivos não podem ser de um banco de desenvolvimento, mas sim deve apontar especificamente (quase exclusivamente) o financiamento de infra-estruturas. A partir desse momento os brasileiros fizeram questão de sublinhar que condicionam à sua entrada a um banco que em nenhum aspecto será um “FMIzinho”. Isto é, não haveria serviços para saldar contas em vermelho dos governos, tão pouco deveria servir como fonte de créditos para empresas industriais privadas.

A ministra Miceli que desembarcou ontem na Ilha Margarita, deu mostras de praticar a filosofia Zen. Segundo assessores próximos a funcionária, para ela o que importa agora “é chegar a um ponto de equilíbrio, onde a constituição do banco consiga satisfazer a todas as partes”. A velocidade deste projeto também está em jogo. Mántega foi claro: pense que ao menos se requer um ano para fazê-lo prosperar. A Venezuela pretendia em troca tê-lo já para junho. A versão argentina é um ponto médio “não será nem em junho nem em 2008. Pode-se situar o lançamento da entidade por volta do final de 2007.”

Mántega insistiu: “Tem que romper com o esquema prévio, isto é, com o acordo entre Argentina e Venezuela. Deverá firmar-se algo novo com outros países interessados: Brasil, Equador, e Bolívia”. O brasileiro sustentou que as resistências tiveram que ver como um “mal entendido”: que a formação da entidade correria desde um início por conta exclusivamente de venezuelanos e argentinos.