Nobel de Economia prevê desestabilização de reservas em dólares
(Plantão | Publicada em 04/06/2007 às 23h31m)
EFE
BUENOS AIRES - O prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, previu, no início deste mês, uma "desestabilização" no sistema mundial de reservas monetárias em dólares e afirmou que "o mundo estaria melhor" com a migração para uma "divisa global" que, na sua opinião, também não deve ser o euro.
Numa palestra em Buenos Aires, durante um simpósio organizado pelo Banco Central argentino, Stiglitz disse que para conseguir um sistema financeiro global "mais estável e mais eqüitativo" serão necessários "acordos institucionais alternativos".
O economista afirmou que os Estados Unidos "poderão ter problemas para financiar seu déficit", de US$ 850 bilhões.
- Ele acabaria sendo financiado, mas com ajustes dolorosos e grandes mudanças nos preços dos ativos - analisou.
- Na raiz do problema está o sistema de reservas em dólares. O mundo estaria melhor mudando para uma divisa global de reserva. O atual sistema é essencialmente insustentável - sustentou o prêmio Nobel, que se reuniu com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner.
- Na medida em que se acumulam as letras de câmbio, a confiança no dólar sofre uma erosão. Em conseqüência, os bancos centrais sairão do dólar, e o dólar se debilitará, reforçando o problema. O sistema de reserva em dólares está se desfazendo - acrescentou o economista americano.
Stiglitz opinou que "algo funciona mal" num sistema financeiro global "que exige que o país mais rico do mundo gaste além de suas possibilidades para manter a prosperidade global".
Para ele, o atual sistema é uma batata-quente.
- Se um país elimina seu déficit, ele aparece em algum outro lugar, por isso tanto as nações com déficit quanto as que têm superávit "são parte do problema".
Além disso, observou que as nações em desenvolvimento estão emprestando aos EUA trilhões de dólares a uma baixa taxa de juros, o que considerou uma "forma de ajuda externa que os países pobres dão à economia americana" e que é "de uma magnitude maior que a ajuda dos EUA aos países em desenvolvimento".
Quanto à idéia de adotar uma divisa global para as reservas, o economista antecipou que os EUA resistirão à alternativa porque "acham que se beneficiam de empréstimos a juros baixos".
Mas para Stiglitz a solução também não está no euro como divisa global de reserva.
- A Europa teria o mesmo problema, o alto preço que é preciso pagar para obter empréstimos baratos - afirmou.
- É mais, o problema será pior, porque a Europa está de mãos amarradas pelo Pacto de Crescimento e Estabilidade, pelo qual o Banco Central Europeu só atende à inflação - acrescentou.
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