Argentina nomeia secretário para ministério da Economia
Segunda-feira 16 de Julho, 2007 9:54 GMT
Por César Illiano
BUENOS AIRES (Reuters) - A ministra da Economia da Argentina, Felisa Miceli, renunciou nesta segunda-feira prejudicada por um caso que investiga a aparição de uma bolsa com 60 mil dólares de origem duvidosa em seu gabinete, em um novo escândalo que abala o governo a três meses das eleições.
O secretário da Indústria, Miguel Peirano, um economista de 40 anos com um amplo conhecimento do aparato produtivo do país, entrará no lugar de Miceli, informou esta noite o chefe de gabinete, Alberto Fernández, em uma coletiva de imprensa.
Miceli foi a quarta baixa do governo nos últimos meses por investigações de casos de corrupção e irregularidades, em uma série de episódios que forçaram o presidente Néstor Kirchner a tomar medidas para tentar minimizar os danos.
A funcionária será substituída por um dos membros de sua equipe durante cinco meses até o fim do mandato do atual presidente, que já lançou sua esposa Cristina Fernández como candidata para as eleições presidenciais de outubro.
A entrada do novo ministro não determinará uma mudança da política econômica argentina, caracterizada por uma forte intervenção do Estado em mercados de matérias-primas e de vendas de varejo para controlar os preços, além da manutenção de um peso debilitado para incentivar a produção local.
"É uma mudança para que não se mude mais nada. Em um governo onde o presidente toma muitas das decisões econômicas, o ministro da Economia passa quase para um segundo plano (...) O que vai continuar importando é quais são as idéias do presidente", disse o economista Luis Seco a uma rádio.
As versões sobre o futuro de Miceli começaram a circular desde a manhã desta segunda-feira, quando o fiscal que investiga o caso da bolsa colocou em dúvida as explicações da ministra sobre a origem legal da quantia, mas o mercado recebeu a notícia sem fazer drama.
Miceli havia assegurado que parte do dinheiro era um empréstimo de seu irmão para comprar um imóvel.
O caso de Miceli começou em junho, quando um controle anti-explosivos acabou achando a bolsa com cerca de 60 mil dólares no escritório.
A ex-ministra concordou este mês que foi um erro deixar o dinheiro em seu gabinete, mas afirmou que não cometeu nenhum crime.
Peirano era desde fevereiro de 2005 o secretário da Indústria. Formado em escola e universidade públicas, Peirano será o terceiro ministro da economia de Kirchner.
O novo ministro ocupou diversos cargos em entidades financeiras, foi vice-presidente do primeiro Banco de Investimento e Comércio Exterior (Bice), integrou a UIA e esteve ligado a câmaras empresariais e a multinacional siderúrgica Techint.
(Reportagem adicional de Damián Wroclavsky, Walter Bianchi, Jorge Otaola e Karina Grazina)
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