Preços altos do trigo safra nova da Argentina inibem negócios
Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) - Os preços do trigo da safra nova da Argentina, os mais altos em 12 anos, inibem o apetite dos moinhos brasileiros por carregamentos com embarque em dezembro, quando ganham ritmo as exportações do grão ao Brasil, disseram corretores.
As empresas brasileiras, principais clientes dos argentinos, apostam que as cotações no país vizinho, que estão 100 dólares por tonelada acima das verificadas na mesma época do ano passado, devem recuar pelo menos alguns dólares, após o mercado absorver as notícias de problemas de safra na Europa e a proximidade da colheita em outras nações produtoras.
"Os níveis de preços chegaram a um teto de 260 dólares (por tonelada) para embarque em dezembro", disse um corretor de São Paulo que pediu para não ser citado.
"Os preços estão altos... os maiores em 12 anos, os moinhos acham que podem cair", afirmou um outro corretor que trabalha com importação, lembrando que o trigo da safra nova era cotado a 160 dólares por tonelada nesta época do ano passado.
O valor do trigo da Argentina, que nos últimos anos tem atendido mais da metade das necessidades anuais do Brasil, acompanha uma alta global.
Em Chicago, os futuros que balizam os preços globais são negociados nos maiores valores em 11 anos. Nesta quinta-feira, operavam em forte alta, devido à grande demanda para exportação, inclusive do Brasil, que já acumula nas últimas semanas atípicas compras de 273 mil toneladas do cereal norte-americano.
No momento, algumas empresas brasileiras têm recorrido ao trigo do hemisfério norte, inclusive ao grão canadense, porque o Brasil e a Argentina estão na entressafra.
A safra nacional só chega em setembro, enquanto a da Argentina entra no mercado apenas em dezembro.
A proximidade da colheita brasileira, embora menor em relação a anos anteriores, também é outro fator apontado pelos corretores para fundamentar a crença dos moinhos de que os valores do cereal argentino cairão no curto prazo.
As fontes afirmaram que o volume comercializado da safra nova é baixo para esta época do ano, e um dos corretores estimou em 200 mil toneladas as importações contratadas da safra nova, aproximadamente um terço das compras mensais do Brasil.
"Pouca coisa foi feita, as tradings fizeram algumas vendas para moinhos pequenos", disse o segundo corretor.
Ambos concordam que os grandes moinhos nacionais ainda não estão buscando o trigo da safra nova argentina, com uma ou outra exceção.
"Os grandes de São Paulo ainda não foram para a briga, os compradores FOB estão aguardando uma queda de preços", reafirmou o primeiro corretor.
Segundo ele, "o mercado não vê uma queda de 30 dólares por tonelada no cereal argentino, dada à firmeza dos preços internacionais, mas pode cair uns 5 dólares".
Ele disse acreditar que os vendedores argentinos já estariam avaliando com maior receptividade ofertas brasileiras a 250 dólares.
"Mas a 250 o moinho ainda não leva", opinou a outra fonte.
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