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BOLETIM INFORMATIVO - MARÇO/2008

Dólar barato está estimulando os viajantes
Mara Andric


Foto: Ciciro Back

Depois de alguns meses de crise aérea, de dólar alto e de muita dor de cabeça para quem trabalha com turismo, agora é o momento de comemorar. E a festa não fica só por conta dos empresários do ramo, mas também dos turistas.

Com o valor baixo do dólar (R$ 1,68), muitos brasileiros estão aproveitando para viajar para o exterior. A Associação Brasileira das Agências de Viagens do Paraná (Abav-PR) estima que as vendas de pacotes internacionais aumentaram 30% nas agências paranaenses, em média, desde que o câmbio ficou favorável aos brasileiros.

O vice-presidente da Abav-PR, Roberto Bacovis, diz que a melhora no setor começou no segundo semestre do ano passado.“Em 2007 tivemos também a crise aérea, que deu uma ‘segurada' no turismo.

Muita gente está realizando o sonho de viajar.

O vice-presidente da Abav-PR, Roberto Bacovis, diz que a melhora no setor começou no segundo semestre do ano passado. “Em 2007 tivemos também a crise aérea, que deu uma ‘segurada' no turismo. Mas para este ano, as perspectivas são boas. Por enquanto está correndo tudo bem”, afirma. Ele lembra que o dólar baixo propicia com que pessoas que nunca viajavam possam realizar um desejo ou, ainda, faz com que alguns turistas mais “viajados” visitem locais que não imaginavam conhecer. Sem falar nas opções de parcelamentos das agências. “E a partir de março, muitas pessoas já começam a planejar as férias de julho. Então a tendência é que as vendas melhorem cada vez mais”, comenta.

Na opinião da presidente da Embratur, Jeanine Pires, o aumento na quantidade de viagens internacionais que os brasileiros estão tendo oportunidade de fazer está diretamente ligado à situação da economia brasileira. “Estamos vivendo um bom momento na economia. O aumento da renda dos brasileiros, a inflação controlada e o dólar favorável formam esse cenário que tem levado mais pessoas a viajar”, afirmou. Jeanine informou também que desde o final do ano passado houve uma recuperação na oferta de assentos em vôos internacionais. “Isso permite preços mais acessíveis nas passagens, o que também contribui para este quadro”, disse. Para ela, o câmbio favorável é bastante positivo, mas é preciso cautela. “O câmbio interfere em preços e precisa ser conjugado com produtos de qualidade, além de ser um fator de competitividade”, analisou.

Por outro lado, o Brasil também tem recebido mais estrangeiros. Em janeiro deste ano, a Embratur registrou aumento de 6,07% de desembarques de vôos internacionais. Entre 2003 e 2007, a quantidade aumentou 21%, segundo a Embratur. Em 2006 e 2007, 5 milhões de turistas chegaram ao Brasil.

Agências já estão vendendo planos para o ano que vem

Os proprietários de agências de turismo é que estão em festa com o dólar a R$ 1,68. A proprietária da GR Turismo, Iria Rocha, de Curitiba, conta que o mercado está tão aquecido que já estão sendo vendidos pacotes para o ano que vem. Segundo ela, o valor de algumas viagens diminuíram em até 40% desde fevereiro do ano passado, o que resultou em um bom aumento nas vendas. “Nossas vendas chegaram a aumentar até 40%, dependendo do pacote”, informou.

Na GR, o que está atraindo mais os turistas empolgados com o câmbio favorável são as viagens de navio. E com o dólar tão baixo é possível melhorar ainda mais os preços que já estão convidativos.

“Temos uma promoção que o primeiro passageiro paga o valor da cabine e o segundo não paga, só desembolsa as taxas portuárias”, incentiva.

Outros destinos que estão atraindo os brasileiros são os Estados Unidos (Disney, Miami) e os países da América do Sul. Buenos Aires, na Argentina, é um dos pacotes mais baratos nas agências. “Mas as viagens de navio têm tido bastante freqüência também por conta das vantagens. Viajar em um transatlântico cinco estrelas, no qual há a oportunidade de conhecer várias cidades em 15, 16 dias, é uma boa oportunidade”, comenta Iria.

O gerente da agência de viagens CVC no Paraná, Ricardo Luz, está comemorando também: a agência registrou um aumento de 43% no número de passageiros embarcando para o exterior, desde que o dólar “derreteu”.

Ele lembra que o bom momento para o setor contribui positivamente com a economia do País. “O turismo nunca foi um problema no País, e sim uma solução. Os pacotes nacionais também estão vivendo um ótimo momento, basta olharmos os belos resorts construídos e os novos que virão. E quando se constrói um hotel, a cadeia de empregos é gigantesca”, afirmou. As viagens nacionais, em época de baixa temporada, estão até 30% mais baratas. (MA)

Descontos, em alguns casos, podem chegar a até 40%

Os valores das viagens, por conta do dólar baixo, estão mesmo convidativos. Na agência CVC, por exemplo, o gerente no Paraná, Ricardo Luz, informa que alguns pacotes, como para Cancun ou Nova York, tiveram redução de 20% nos preços. Quem pretende viajar para a Europa não tem tanto desconto assim, mas também tem motivos para comemorar, pois o pacote está com 5% de desconto.

A viagem de barco da GR Turismo, por exemplo, sai por US$ 3 mil, com tudo incluído (cerca de 40% menos do que no ano passado, antes do câmbio ficar favorável). Em outras agências, uma viagem a Buenos Aires (capital argentina) está custando menos de R$ 1 mil (um dos destinos internacionais mais baratos). Para Paris, cerca de R$ 2.760,00. Já para Orlando, nos Estados Unidos, o passeio sai por cerca de R$ 4.800,00.

Os proprietários de agências alertam para o fato de que muitos destinos demandam passaporte, visto e até vacinas específicas, que na maioria das vezes não são obtidos facilmente. Em alguns países não é permitida a entrada sem determinadas vacinas.

As entrevistas para obtenção do visto para entrar nos Estados Unidos, por exemplo, já estão agendadas para junho. Por isso, é preciso planejar a viagem com antecedência, em alguns casos.

Dependendo do destino, a quantidade de brasileiros que viajam para o exterior cresceu de 2001 a 2006, conforme dados da Embratur. Já os destinos que tiveram aumento de turistas brasileiros entre 2004 e 2006 foram a América do Sul e a Europa. Os outros países também receberam muitos brasileiros neste período. (MA)


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