Inflação volta a assustar a América Latina
13/06/2008 às 17h27m

BUENOS AIRES - O 'dragão' da inflação, um dos grandes males da América Latina na 'década perdida' de 80, vem golpeando de novo a região e ameaça permanecer ao longo do ano agindo como um freio ao crescimento econômico.
Sem perdoar país algum da região, o mal desatado pelo preço recorde do petróleo e alta do preço dos alimentos mantêm os governos em estado de alerta e levanta a discussão de qual seria a dose exata para controlá-lo: endurecimento monetário e a redução do gasto público.
No Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, índice ofical usado pelo governo para balizar as metas de inflação, atingiu 0,79% em maio, a maior para o mês desde 1996 e a maior taxa mensal desde abril de 2005. O indicador, pressionado principalmente pelos alimentos, levou o Banco Central a advertir que continuará a elevar os juros enquanto for necessário até que ela esteja controlada.
O preço do arroz, essencial na dieta dos brasileiros, subiu quase 20% no mês passado. Em São Paulo, principal cidade do país, a inflação chegou a 1,23%, maior avanço desde fevereiro de 2003.
- Há uma clara piora da inflação, superando as previsões de mercado. A inflação pode começar a desacelerar a partir de junho, mas seguirá com taxas muito próximas as de maio - acredita o economista-chefe do banco Schain, Silvio Campos Neto.
Segundo ele, uma desaceleração seria 'mais gradual do que pensamos antes'.

As pressões inflacionárias fizeram o BC elevar a taxa básica de juros do país (Selic) em um ponto percentual desde abril e os economistas já acreditam que o aperto monetário deve se prolongar, impactando a atividade econômica.
No México, a inflação caiu 0,11% no mês passado, acima do esperado. Nos últimos 12 meses, a taxa inflacionária chega a 4,95%, maior nível desde dezembro de 2004. Com esse resultado, o índice vai se afastando da meta do BC mexicano, de 3%, com tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo.
Na segunda economia da América Latina, a inflação anualizada foi alimentada no mês passado, em parte, pelo núcleo da inflação - considerado um melhor parâmetro para medir a evolução dos preços porque elimina a volatilidade - que subiu 0,5% com a alta no preço dos alimentos.
Alguns analistas acreditam que a economia mexicana começou a mostrar sinais de contágio por conta da alta global nos preços dos alimentos, o que aumenta a expectativa de que o BC decida, no próximo dia 20, subir as taxas de juros para conter as pressões.
- O núcleo da inflação já não é apenas influenciado pelos alimentos e mercadorias associadas ao problema global, mas o setor de serviços já está começando a ser tema de preocupação - afirmou Juan Treviño, economista do HSBC.
Na Argentina, onde somente o governo acredita nos índices oficiais, suspeitos de estarem sendo manipulados, os preços ao consumidor subiram 0,6% em maio, segundo a agência oficial de estatísticas do país.
No entanto, oposicionistas do governo Kirchner e analistas de mercado consideram que a inflação real é mais do que o dobro do anunciado. De acordo com os cálculos do economista Ricardo Delgado, da consultoria argentina Ecolatina, os preços dos alimentos no país avançam a um ritmo de 'quase 40% anuais, contra 17% no Chile e 12% no Brasil'.
REUTERS
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