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BOLETIM INFORMATIVO - JUNHO/2008

Protestos agravam desabastecimento na Argentina
REUTERS

BUENOS AIRES - A escassez de alimentos e combustíveis se agravou nesta quinta-feira na Argentina, devido aos bloqueios de estradas realizados pelo setor de transportes, em protesto contra a disputa entre o governo e os produtores rurais.

O conflito agrícola, disparado pela aplicação de um novo sistema para as exportações de grãos, ocorre há cerca de três meses no país e já prejudicou diversos setores da economia, além de derrubar a popularidade da presidente Cristina Fernández de Kirchner.

Aprofundando a crise, os bloqueios das estradas por caminhoneiros, que afirmam que, nos últimos três meses, seu trabalho foi reduzido drasticamente pela disputa, afetavam o abastecimento de alimentos em Buenos Aires.

Detectamos que há uma falta muito forte de mercadorias no caso do arroz, farinhas, óleos, bolachas, tomate - explicou Susana Andrada, presidente do Centro de Edução do Consumidor.

Os bloqueios também provocavam falta de combustível em vários centros urbanos do país, o que levou muitas linhas de ônibus da área metropolitana de Buenos Aires a reduzirem a frequência das viagens.

Vemos com muita preocupação e com uma mescla de pena e bronca, porque a Argentina não tinha que estar passando por isso - disse o chefe de gabinete, Alberto Fernández, à televisão estatal.

A negociação entre o governo e o setor agrícola fracassou semanas atrás, o que levou as autoridades a darem por encerrado o conflito com uma série de anúncios unilaterais para o setor.

As medidas incluem a liberação de exportações de carne e trigo e um plano de obras públicas a ser financiado com os fundos extras gerados pelo imposto maior sobre os grãos.

Mas os anúncios não satisfizeram os produtores, que continuam protestando nas estradas contra a medida que elevou a taxa sobre a soja, o principal cultivo do país.

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