Protestos agravam desabastecimento na Argentina
REUTERS
BUENOS AIRES - A escassez de alimentos e combustíveis se agravou nesta quinta-feira na Argentina, devido aos bloqueios de estradas realizados pelo setor de transportes, em protesto contra a disputa entre o governo e os produtores rurais.
O conflito agrícola, disparado pela aplicação de um novo sistema para as exportações de grãos, ocorre há cerca de três meses no país e já prejudicou diversos setores da economia, além de derrubar a popularidade da presidente Cristina Fernández de Kirchner.
Aprofundando a crise, os bloqueios das estradas por caminhoneiros, que afirmam que, nos últimos três meses, seu trabalho foi reduzido drasticamente pela disputa, afetavam o abastecimento de alimentos em Buenos Aires.
Detectamos que há uma falta muito forte de mercadorias no caso do arroz, farinhas, óleos, bolachas, tomate - explicou Susana Andrada, presidente do Centro de Edução do Consumidor.
Os bloqueios também provocavam falta de combustível em vários centros urbanos do país, o que levou muitas linhas de ônibus da área metropolitana de Buenos Aires a reduzirem a frequência das viagens.
Vemos com muita preocupação e com uma mescla de pena e bronca, porque a Argentina não tinha que estar passando por isso - disse o chefe de gabinete, Alberto Fernández, à televisão estatal.
A negociação entre o governo e o setor agrícola fracassou semanas atrás, o que levou as autoridades a darem por encerrado o conflito com uma série de anúncios unilaterais para o setor.
As medidas incluem a liberação de exportações de carne e trigo e um plano de obras públicas a ser financiado com os fundos extras gerados pelo imposto maior sobre os grãos.
Mas os anúncios não satisfizeram os produtores, que continuam protestando nas estradas contra a medida que elevou a taxa sobre a soja, o principal cultivo do país.
Jb on line
|