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BOLETIM INFORMATIVO - SETEMBRO/2008

A falta que nos faz Dorival Caymmi


No sábado – 17 de agosto – perdemos Dorival Caymmi. Sem ser repetitivo, é preciso deixar bem claro que ficamos mais pobres e não há política pública que repare essa perda.

Caymmi foi um excelente exemplo de qualidade e eficácia profissionais. Suas composições são extremamente complexas na simplicidade. Econômicas na quantidade de palavras, mas repletas de lirismo e profundidade. Por isso, sempre foram direto ao ponto, sem desperdícios, tornando-se para sempre um modelo a ser seguido por todos nós, brasileiros. Não vejo no horizonte ninguém no Brasil que possa ocupar seu lugar e quem pôde desfrutar de seu trabalho deve se considerar um premiado por Deus. Felizmente, seus filhos querem levar adiante a sua bandeira.

É lamentável para nosso país que Caymmi não seja imitado pela nossa administração pública, que cada vez mais se torna confusa com baixíssima qualidade, eficiência e eficácia. Continuamos a viver o processo de reinvenção da roda. Toda vez que surge algo novo, a primeira atitude é criar uma nova estrutura no serviço público, mais um galho para acomodar correligionários, pouco importam os novos custos diretos e indiretos. As superposições dessas estruturas criam o caos administrativo, e o cidadão fica perdido. Insisto, tente você ler uma lei para saber o que pode ou não fazer. Ao terminar a leitura, terá, certamente, mais dúvidas.

Como estamos em tempos de campanha eleitoral, tomo a liberdade de sugerir aos chefes dos poderes legislativos (federal, estaduais e municipais) que promovam nas casas do povo que comandam encontros para comparar os textos das leis que aprovam com as letras das canções de Caymmi. Feito isso, estabeleçam metas claras (prazos e responsabilidades) para que as toneladas de leis e normas que caem diariamente sobre nossas cabeças, tenham a clareza, a eficiência e a eficácia de Caymmi.

Quem fizer isso primeiro será consagrado e terá seu nome gravado no panteão dos heróis da Pátria.

Se tudo continuar como está, só nos restará ir para Maracangalha, convidando nossos ilustres representantes. E se eles não quiserem ir, nós vamos sós.