Home
buscar
 
> HOME

> ASSOCIE-SE

> QUEM SOMOS

> SERVIÇOS

> RECURSOS HUMANOS

> ECONOMIA

> CARTÃO CAMARBRA

> INFORMES

> OPORTUNIDADES COMERCIAIS

> ASSOCIADOS

+ CONCILIAÇÃO E ARBITRAGEM
  > INTRODUÇÃO
> ESTATUTO
> REGULAMENTO
> ARBITRAGENS ESPECIAIS
> ARTIGOS

> BOLETINS

> EVENTOS

> TURISMO E CULTURA

> LINKS

> FALE CONOSCO


 

ÍNDICE DE BOLETINS

2008 - novembro
2008 - outubro
2008 - setembro
2008 - agosto
2008 - julho
2008 - junho
2008 - maio
2008 - abril
2008 - março
2008 - fevereiro
2008 - janeiro

2007 - dezembro
2007 - novembro
2007 - outubro
2007 - setembro
2007 - agosto
2007 - julho
2007 - junho
2007 - maio
2007 - abril
2007 - março
2007 - fevereiro
2007 - janeiro

2006 - dezembro
2006 - novembro
2006 - outubro
2006 - setembro
2006 - agosto
2006 - julho
2006 - junho
2006 - maio
2006 - abril
2006 - março
2006 - fevereiro
2006 - janeiro

2005 - dezembro
2005 - novembro
2005 - outubro
2005 - setembro
2005 - agosto





BOLETIM INFORMATIVO - OUTUBRO/2008

2008: O ano em que o Pára-quedas não abriu
BarrosDeMoura & Associados - Centro de Documentação
artigo de MAURÍCIO MOURA
publicado na REVISTA DE ECONOMIA (Guarulhos)
em 21 de setembro de 2008

Em uma anedota sobre paraquedismo, conta-se que em um dos seus saltos, um certo paraquedista desavisado recebeu a seguinte instrução: "O avião vai te levar aos céus, lá cima, saltarás em queda livre, depois de 20 segundos terás de puxar a cordinha amarela, caso não funcione, puxe imediatamente a cordinha vermelha e, na terra, uma caminhonete estará te esperando lá embaixo. Tudo planejado e tranquilo." Ao saltar aos pés do maravilhoso céu azul, o paraquedista pensou "estou no paraíso, voando, tudo posso". Depois de vinte segundos, puxou a cordinha amarela e o para-quedas não abriu, então imaginou "tudo certo, ainda tem a cordinha vermelha". Porém, a "cordinha vermelha" também falhou, e agora em plena queda livre e sem para-quedas, somente lhe restou o pensamento derradeiro: "agora só falta a caminhonete não aparecer".

A crise financeira mundial teve como pedra fundamental a crença dos grandes bancos de investimentos de que haviam chegado ao céu ou ao paraíso. Acreditaram que o mercado imobiliário americano fosse um avião em estado constante de decolagem . Tiveram fé que os "subprimes" (clientes com péssimo ou nenhum passado de crédito) poderiam manter suas dívidas em dia e honrar seus compromissos sem percalços. E pior, apostaram na eternidade da euforia de lucros derivada de complexas arquiteturas financeiras completamente ligadas ao contexto acima.

A realidade se mostrou contrária e cruel. O imoveis americanos despencaram de valor e os "subprimes" (aqueles classificados como maus pagadores) acabaram, de verdade, não pagando. Toda a arquitetura financeira implodiu. Gigantes como Citigroup, Merril Lynch, Goldman Sachs, Bear Stearns, Morgan Stanley, UBS, Lehman Brothers, Credit Suisse e AIG começaram a registrar perdas bilionárias. Nesse instante, a "cordinha amarela" do mercado financeiro se mostrou falha.

Todavia, esses bancos ainda contavam com a cordinha "vermelha": pensavam ser possível convencer novos investidores a injetar capital e assim minimizar as perdas. Como se fosse uma tarefa trivial levantar recursos em plena crise. Tiveram de recorrer a dinheiro de países emergentes. Resultado: poucos tiveram sucesso. O Citigroup conseguiu levantar dinheiro de investidores de Abu-Dabhi (Emirados Arabes) e do Kuwait. Mas muito pouco diante das perdas e da queda de valor de mercado - demitiram o CEO e milhares de empregados. O mesmo valeu para o UBS que teve de recorrer ao Governo de Cingapura. Quem imaginaria testemunhar um banco suíço pedindo dinheiro para os orientais ? Foi-se o tempo em que ter conta na Suiça era um negocio da China. Agora, a China, os Emirados Arabes, Singapura, Hong Kong e outros emergentes é que financiam bancos na Suiça. Essa talvez tenha sido a principal revelação desse crise: o fluxo de capital (que restou) mudou de rumo.

Para o Bear Stearns, Merril Lynch, Lehman Brothers e AIG, a "cordinha vermelha" definitivamente não funcionou. O Lehman tentou até a véspera do fim convencer o banco estatal coreano KDB (Korean Devolpment Bank) a investir em seus ativos. De nada adiantou.Estava quebrado e nada podia ser feito. Aos quatro citados acima, somente restava a "queda livre" e a "caminhonete lá embaixo". Essa caminhonete se chamou, nesse caso, "Tesouro Americano" ou Governo Bush.

Na maior intervenção estatal no mercado financeiro de todos os tempos, os Estados Unidos vão disponibilizar (somando também a ajuda as empresas de financiamento imobiliário Freddie Mac e Fannie Mae) pelo menos, aproximadamente US$ 1 trilhão. Dinheiro necessário para recolher o que restou dos "cadáveres" desses bancos. JP Morgan, Bank of America e Barclays somente adquiriram parte dos "restos mortais" dos ativos de Bear Stearns, Merril Lynch e Lehman porque ganharam um "cheque" da Casa Branca.

Ficaram algumas perguntas no ar: por que as Agencias de Classificação de risco como Moody's ou Standard & Poors sempre classificaram todos esses bancos como "baixo risco" ? Afinal, para que riscos Moody's e Standard & Poors estavam olhando ? Será mesmo papel do Estado gastar dinheiro publico para "salvar" bancos sem salvação ? Qual a mensagem que um governo passa ao ajudar seguidamente bancos que tomaram excessivos riscos de mercado ? E mais importante, quem vai pagar a "conta" da intervenção do governo americano ?

O dinheiro para pagar essa "conta" virá fundamentalmente do bolso contribuinte americano (bolso esse extremamente afetado com a crise) e de fora, principalmente da China. Isso mesmo ! Os chineses são os principais credores dos Estados Unidos e podem se tornar ainda maiores. Mais uma vez, sinais do novo mundo: Wall Street sofre e busca abrigo em Pequim - onde fica mesmo a Cidade Perdida nessa nova realidade capitalista ?

Os respingos dessa "conta" serão diretamente sentidos no Brasil. Os novos tempos serão de redução de investimentos diretos, maior volatilidade na Bolsa de Valores, extrema dificuldade de financiamento por parte das nossas empresas, taxas de juros em alta e instabilidade geral. Certamente sentiremos falta de não termos aproveitado os bons ventos da economia mundial para termos colocado em pauta uma agenda de atração e estímulo ao investimento produtivo. Perdemos a chance de reformar o sistema tributário, a leis trabalhistas e ter realizado os investimentos necessários em infra-estrutura.

Nesse novo contexto de falta de liquidez do sistema financeiro internacional, onde recursos serão mais escassos, e depois de 2008, o ano em que "pára-quedas não abriu", tudo será mais complicado para o Brasil. Apenas espero e torço para que nossos governantes não estejam contando somente "com a caminhonete esperando lá embaixo".