Agricultores argentinos dizem que ajuda do Governo não basta
ADa EFE
Buenos Aires, 10 out (EFE).- Dirigentes rurais da Argentina disseram hoje que o pacote de ajuda econômica anunciado ontem pelo Governo não resolve os problemas do setor nem contempla as exigências que fez o campo em seu último locaute.
O Governo insistiu em dizer que "a porta" da secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação "está aberta" para o diálogo.
"É uma resposta parcial a um problema maior", disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, uma das quatro principais associações de produtores agrícolas do país.
Em declarações à rádio "Continental", de Buenos Aires, Buzzi disse que o campo "pode ser uma das bases para sustentar a economia argentina" na crise financeira global.
O Governo argentino destinou um fundo de 230 milhões de pesos (US$ 70,9 milhões) aos produtores afetados pelas piores secas do último século.
No entanto, o ministro não falou dos impostos às exportações de grãos, que detonaram um confronto de quatro meses entre o Governo e o campo neste ano, depois que dirigentes rurais reivindicaram "descê-los a zero" para o caso dos pequenos produtores.
Nesse sentido, Buzzi sustentou hoje que as reivindicações do campo passam por melhorar "as condições para a agricultura, a pecuária e a produção de leite".
Ricardo Buryaile, vice-presidente das Confederações Rurais Argentinas, opinou que os anúncios do Governo "são apenas para manchetes de jornais".
Seu colega da Federação Agrária Argentina, Ulises Forte, disse por sua vez que o plano oficial é "caridade".
Os anúncios do Governo eram esperados com expectativa pelos dirigentes rurais, que anteontem encerraram seu quinto locaute neste ano contra a política agropecuária oficial.
O protesto, de seis dias de duração, consistiu em não enviar cereais às indústrias e aos exportadores, e limitar o gado bovino aos mercados.
Ele não teve apoio popular e sofreu críticas por coincidir com a crise financeira mundial.
Este locaute marcou o retorno aos protestos agropecuários após o relaxamento do conflito conseguido em julho, depois que o Parlamento rejeitou o esquema de impostos móveis às exportações de grãos que detonou a briga com o Executivo em março.
Os produtores asseguram que sua situação é pior do que em relação a março pelo aumento de custos, a diminuição dos preços internacionais dos grãos e a seca. EFE
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