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BOLETIM INFORMATIVO - NOVEMBRO/2008

Antigas lições para um novo mundo


Benedito Valadares, influente político mineiro, deixou-nos muitas lições sobre a vida na política. Entre elas, há uma que tenho usado na minha vida profissional: "Reunião só depois de o assunto resolvido". Essa lição é muito útil, evita perda de tempo e reuniões intermináveis, que muitas vezes se encerram com a marcação de uma próxima reunião.

Uso sempre essa lição para analisar e tentar entender as notícias sobre negociações de nossos políticos. Devo confessar que nos dias atuais fico com a sensação de que, mesmo parecendo o contrário, a maioria das reuniões acontece depois de o assunto resolvido, ou seja, a resolução era não ter nenhuma conclusão, ou melar tudo.

Nossos partidos políticos, se é que merecem esse nome, promovem seguidamente reuniões para decidir sobre grandes temas nacionais. Quais os resultados para o país? Normalmente, mais gastos inúteis, materializados em loteamento de cargos na administração pública.

Como tenho raízes familiares em Taubaté, sinto que a crença de uma prima distante, conhecida como "A Velhinha de Taubaté" me contamina. Felizmente, sou acordado do sonho e volto ao mundo real. Reconhecendo que o objetivo é continuar tudo igual ou pior. O exemplo do sr. José Sarney, símbolo maior do atraso de nosso país – 40 anos de domínio no Maranhão, fazendo desse estado o mais atrasado do Brasil – que agora volta ao cenário como possível presidente do Senado, é prova contundente de que não queremos melhorar. Queremos continuar a distribuir benesses ilusórias para o povo e cargos com verbas polpudas para os amigos.

Temos, também, o desgaste da máxima da República Velha (1889-1930): "Para os amigos tudo, para os inimigos os rigores da lei", porque nos dias que correm as leis não importam, o que importa é o projeto político, vide as brigas entre PF e ABIN, a resistência do sr. Chinaglia em cassar o deputado infiel, como determinou o STF, entre outras tantas situações.

Para encerrar, cito Arnaldo Jabor; "Ser subdesenvolvido não é "não ter futuro"; é nunca chegar no presente". Quer mais? Leia os jornais!

CARLOS MOURA escreve às quartas-feiras no DG (versão impressa)