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BOLETIM INFORMATIVO - JANEIRO/2009

Agricultura argentina é afetada por seca e política
Tensões políticas e evento climático provoca perda de US$ 7,7 bilhões para o setor


A intensa seca que atinge as províncias agrícolas argentinas - a pior registrada nos últimos 47 anos - e as tensões políticas entre o governo da presidente Cristina Kirchner e os ruralistas provocaram US$ 7,7 bilhões em perdas para o setor agropecuário argentino. A estimativa foi elaborada pelas Confederações Rurais Argentinas (CRA), que sustenta que as perdas totais geradas pela falta de chuvas nos quatro principais produtos agrícolas nacionais - trigo, soja, milho e girassol - alcançariam 15 milhões de toneladas.

Outros 14 milhões de toneladas a menos em 2009 seriam decorrentes dos fatores políticos que atingiram a agricultura do país ao longo do último ano.

Em referência a medidas como as restrições para as exportações de produtos agropecuários (como o trigo e carne), a entidade ruralista sustenta que "o fator político reduziu os volumes a produzir. A manipulação política dos mercados aumentou as incertezas". A CRA considera que o país está no meio de um "desastre agropecuário".

Buenos Aires, Santa Fé, Entre Ríos, Córdoba, La Pampa, Santiago del Estero, Rio Negro e Chubut são as províncias mais atingidas pela crise.

Em Buenos Aires, os produtores perderam 60% da área plantada de trigo. Em Chubut, a falta de água provocou a perda de 1 milhão de ovelhas (levando a produção de lã a uma queda de 30%). Na província de Rio Negro a seca provocou a morte de 50% das cabeças de gado.

A Confederação Intercooperativa Agropecuária (Coninagro) afirma que em todo o país a seca provocou a perda de 1,5 milhão de cabeças de gado. Em Buenos Aires, analistas afirmam que se a falta de chuvas continuar, a Argentina poderia estar diante do insólito cenário de ter que importar carne bovina para abastecer o mercado interno. A CRA sustente que a seca provocará prejuízos de US$ 4,104 bilhões.

Segundo o Serviço Meteorológico Nacional, em 2008 o volume de chuvas foi de 40% a 60% inferior à média nas quatro décadas anteriores. Outros US$ 3,6 bilhões de perdas serão decorrentes dos problemas políticos. O confronto com o governo e seus altos impostos sobre a agricultura levaram milhares de agricultores ao desestímulo, com a consequente redução da área de plantio. Centenas de grandes produtores optaram por investir em áreas agrícolas no Uruguai, Paraguai e Brasil, onde o setor agrícola não sofre as mesmas pressões dos governos que as sofridas pelos argentinos.

A CRA sustenta que a colheita de trigo deste ano, por causa do fator político, encolherá em 4,7 milhões de toneladas. Além disso, por causa da seca será reduzida em outros 3 milhões de toneladas. As perdas provocadas pela queda da produção do trigo seria de US$ 1,5 bilhão.

O milho, por causa dos fatores climáticos, sofrerá uma redução de 3,9 milhões de toneladas. Já os fatores políticos proporcionaram uma queda de 3,5 milhões de toneladas na colheita As perdas provocadas pela queda na produção de milho seriam de US$ 1,23 bilhão.

A soja foi um dos pivôs da crise entre o governo e os ruralistas A oleaginosa foi chamada de "matinho" pela presidente Cristina e tornou-se alvo de pesados tributos. Por causa dos fatores políticos, afirma a CRA, a soja encolheu em 5,3 milhões de toneladas. Pela seca, a soja perdeu outros 75 milhões de toneladas. Desta forma, o setor agrícola perde em 2009 US$ 4,5 bilhões. Os restantes US$ 500 milhões a serem perdidos neste ano correspondem ao girassol e outros produtos agrícolas.

O peso da agricultura na economia argentina passou de representar 5% do PIB em 1993 para 8,4% em 2007. Nos três primeiros trimestres de 2008 representou 9,8% do PIB argentino. No entanto, a importância da agricultura no total das exportações argentinas alcança de 20% a 25%.

Segundo José Vargas, da consultoria EvaluCom, os problemas da agricultura neste ano serão vários: "A produção vai cair por causa da menor colheita. Os volumes de venda diminuirão por causa da contração do consumo interno e externo. E além disso, os preços internacionais serão muito mais baixos."