Agricultura: estiagem no sul provoca alta de 0,42% no igp-m
SAFRAS (10) - A estiagem na região Sul do País e na Argentina foi a principal responsável pela inflação capturada pelo Indice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A variação foi de 0,42%, de 21 a 31 de janeiro (primeiro decêndio), para uma variação de -0,31% no mesmo período de apuração no mês anterior.
A seca refletiu, sobretudo sobre o preço da soja (7,01%), de maior peso na formação do índice, seguido do milho (7,97%) e do trigo (6,39%). Esses foram os produtos que mais contribuíram para o grupo de agrícolas, cuja inflação variou 0,6% ante ao 0,45% do grupo de industrializados. Os dois formam o Indice de Preços por Atacado (IPA) e, embora o peso dos agrícolas na formação do índice seja menor (de 26,53%, ante os 73,47% dos industrializados), a variação foi tão relevante, que acabou influenciado diretamente o IPA e o próprio IGP-M.
"A fase de deflação se encerrou. Ela ocorreu em um período curto. Não foi convertida em um processo de deflação. Mas isso não significa que haverá uma disparada da inflação. O resultado desta pesquisa nada mais demonstra do que um choque de oferta pontual", ressaltou o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV) Salomão Quadros.
A alta dos preços no atacado, no entanto, ainda não chegou ao varejo. O Indice de Preços ao Consumidor (IPC) foi de 0,21%, enquanto em igual período do mês anterior a variação havia sido de 0,24%. Isso demonstra que, para as próximas pesquisas deste mês, a expectativa é de alta. Uma demonstração de que o IPC ainda está sendo preservado é que o grupo alimentação, que poderia ter sido contaminado pela alta dos grãos no atacado, fechou o decêndio com taxa negativa (de 0,15% para -0,08%).
Entre os preços no varejo dos alimentos in natura, destacaram-se a batata inglesa (de 10,39% para 2,34%), a cenoura (de 19,15% para 3,32%) e o mamão papaya (de 10,87% para -10,46%). Entre os processados, o macarrão (de 0,26% para -0,55%), o pão francês (de 0,44% para -0,84%) e o frango (de 0,27% para -2,30%).
O economista destacou ainda uma recuperação da confiança dos consumidores da construção civil. O Indice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,43% no decêndio, ante 0,13% do mesmo período do mês anterior. "Pode ser que o setor tenha percebido que chegou ao fim do poço, que não havia como ir além." Para esse resultado, contribuíram, principalmente, a elevação de preço dos materiais (de 0,22% para 0,47%) e da mão-de-obra, que havia sido nula e fechou em 0,39% no último decêndio pesquisado. Neste caso, motivou a aceleração o reajuste salarial concedido na cidade de Belo Horizonte. Entre os materiais de construção, o economista destacou a variação de preços da areia (de 0,03% para 1,68%), do cimento (de -0,43% para 0,1%) e da tábua de terceira (de 1,59% para 2,42%).
11/02 - 07:06 - Agência Safras |