Perguntar com maldade pode?
Millôr Fernandes nos ensina que "todo político por mais hábil que seja, um dia comete uma sinceridade".
Essa lição do mestre Millôr me veio à mente quando li a abertura da entrevista do sr. Fernando Pimentel, importante quadro do PT, para a revista "Veja" desta semana. Reproduzo em seguida trecho da abertura: "O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel poderá ser o mais novo ministro do governo Lula. Ele foi sondado para chefiar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Se confirmado, usará o cargo para articular a campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, sua companheira de luta armada nos anos 70"
Uma pergunta sem maldade: "Isso é ou não é uma confissão antecipada de uso da máquina do governo com fins eleitorais e partidários?" ou ainda, "será que o sr. Pimentel cometeu sua sinceridade?"
Parece que essa declaração, como muitas outras, é parte do mesmo e antigo projeto de poder e não de governo do PT, que, queiramos ou não, tem conseguido o incrível resultado de proporcionar ao seu ícone máximo os mais altos índices de popularidade da História. Esse sim, um caso verdadeiro de "nunca antes na História do Brasil". Agora com maldade: "Onde está a oposição?"
Enquanto isso, ao castelo do Gato Borralheiro, no interior das Minas Gerais, resta a esperança de um dia poder hospedar quem goste de receber pagamentos mensais de recursos não contabilizados. Seria esse mais um caso de identificar a diferença entre usuário e traficante? Afinal, como bem nos explicou o Gato, há na Câmara um vício que leva seus membros a não gostarem de punir seus colegas que se desviam dos caminhos da virtude, como o próprio Gato castelão, que foi colocado no posto de corregedor da Câmara Federal, como gratidão por seus serviços na Comissão de Ética a colegas que tiveram momentos de fraqueza, que se tornaram públicos pelas denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson.
Por isso, vale citar novamente Millôr. Reflexão de Lula: "O que mais me espanta no Obama é que quando ele discursa não comete nenhum erro de português."
CARLOS MOURA escreve às quartas-feiras na versão impressa do DG. |