Argentinos iniciam atos para aniversário do golpe militar
BUENOS AIRES, 22 MAR (ANSA) - Os argentinos começaram a recordar neste domingo com
atividades artísticas e homenagens aos mortos e desaparecidos, o aniversário de
33 anos do golpe militar de 24 de março de 1976.
As atividades irão se estender até a próxima terça-feira quando então irá ocorrer
a tradicional marcha dos organismos de direitos humanos, centros estudantis e partidos
políticos.
Os atos começaram hoje na Igreja Santa Cruz do bairro de San Cristobal, zona sul
da capital argentina, onde em dezembro de 1977 foram seqüestradas várias mães do
núcleo fundador das Mães da Praça de Maio e duas freiras francesas.
Durante a cerimônia, foram enterradas as cinzas de Dionísia López, uma mãe da Praça
de Maio, nos jardins da Igreja de Santa Cruz, onde já estão enterradas três mães
fundadoras e a freira francesa Leonie Duquet, seqüestradas pela ditadura e cujos
corpos foram recuperados recentemente, em agosto de 2005.
Dionísia López, nascida na Galicia, Espanha, foi uma ativa militante das Mães da
Praça de Maio que faleceu no dia 29 de novembro de 2008. A Embaixada da Espanha
se responsabilizou pelo velório e pela cremação de seus restos e organiza um ato
em sua memória em sua cidade natal, Cedeira. Seu filho, Antonio Adolfo Díaz López,
nasceu também na Espanha em 5 de fevereiro de 1952 e chegou à Argentina junto dos
pais quando tinha apenas 5 meses.
Díaz López era fotógrafo e aos 26 anos foi seqüestrado junto da mulher, Stella Mris
Rignati, enfermeira. Fazia apenas seis meses que o casal havia se casado quando
foi seqüestrado na noite do dia 15 de junho de 1976. Os jovens foram vistos pela
última vez no quartel militar de Campo de Mayo.
Da cerimônia de enterro das cinzas de "Nisa", como a chamavam, participaram sua
filha, Rosaura Díaz, junto da família e as Mães da Praça de Maio, lideradas por
Nora Cortiñas, acompanhadas por militantes, amigos e os sacerdotes da Igreja que
realizaram a missa.
Os organismos de direitos humanos, liderados pelas Avós da Praça de Maio, as Mães
da Praça de Maio, e familiares de desaparecidos e detidos, convocaram por sua vez
para amanhã um festival artístico em frente aos tribunais da cidade, para exigir
que sejam acelerados os julgamentos contra os ex-repressores.
"Despertemos a Justiça. Julgamento e castigo já!" é o grito dos manifestantes, que
também recusaram os pedidos de pena de morte para combater a insegurança, requerida
pelas "vedetes, bufões e cúmplices políticos do genocídio".
(ANSA)
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