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BOLETIM INFORMATIVO - MARÇO/2009

Presidente Lula cobra maior agilidade com a Argentina

SÃO PAULO - O presidente Lula cobrou, ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, durante evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, a aceleração do acordo de cooperação entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco de la Nación e o Banco de Inversión y Comercio Exterior (Bice), que tem como objetivo aumentar o ritmo de implementação de projetos entre os dois países, com atenção especial aos relacionados à infraestrutura.

"Precisamos acelerar a vigência do convênio entre os bancos. Esse acordo permitirá que o Brasil ultrapasse os US$ 3,6 bilhões de crédito aberto para empreendimentos na Argentina", afirmou.

O acordo, assinado em setembro de 2008, prevê que os bancos oficiais façam rodadas de negócios para identificar projetos estratégicos e economicamente viáveis para acelerar a integração entre os países e o desenvolvimento econômico. "Vamos trabalhar para que no dia 23 de abril, quando estivermos na Argentina, a gente possa firmar esse acordo, que por enquanto é só um protocolo, e normalmente em protocolo não se bota dinheiro. Precisamos colocar dinheiro porque é o que vai fazer as coisas funcionarem rápido", declarou Lula.

Lula disse esperar que a reunião entre os ministros da área econômica do Mercosul, resulte na criação do Banco do Sul. "Finalmente, parece que na segunda-feira os nossos ministros da economia vão se reunir e nós vamos ter o Banco do Sul funcionando aqui na nossa querida América do Sul", declarou.

Ao se referir à reunião do G-20, que acontece no dia 4 de abril, em Londres, ele ressaltou que Brasil e Argentina atuarão de forma conjunta e terão autoridade para expor seus pontos de vistas sobre as principais medidas que devem ser adotadas pelo grupo.

"Estou convencido de que eu e Cristina e alguns companheiros, ao chegarmos em Londres para o G-20, será a primeira vez na história em que países em desenvolvimento vão chegar numa reunião com mais autoridade moral que os países ricos", afirmou.

Para o presidente, está cada vez mais claro que o principal desafio que os países em desenvolvimento devem enfrentar é a falta de recursos para financiamento, tanto para empresas como também para consumidores. "Sem crédito, as empresas não investem e a economia não roda", destacou. "O G-8 mostrou-se aquém das necessidades atuais. O G-20 é parte da solução. "Fizemos exatamente o contrário do descrito por aquela cartilha. Nós tivemos rigorosa ação regulatória do Estado sobre o sistema financeiro e de seguros. E contamos com bancos públicos sólidos, reduzindo ainda nossa vulnerabilidade externa. E mais importante, nossas políticas de inclusão social e distribuição de renda tiraram milhões de pessoas da pobreza", acrescentou.

O presidente defendeu que os países emergentes não injetem recursos nos principais organismos multilaterais, como Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a não ser que seja para que eles possam auxiliar os emergentes, cujas economias estão ameaçadas de colapso, mas sem impor condições para a administração de suas políticas econômicas. Na avaliação dele, essas instituições não foram criadas com o objetivo de ajudar os países ricos durante uma crise, e receberam recursos suficientes apenas para auxiliar países emergentes.

"Não faz sentido aumentarmos nossa contribuição para essas instituições enquanto os países ricos, responsáveis pela atual crise, continuarem a dar as cartas", acrescentou.

A presidente Kirchner defendeu as medidas comerciais que adotou para proteger setores industriais do país, e pediu ao Brasil para compreender os problemas estruturais que as motivaram. Ela disse que as medidas se justificam pelo menor desenvolvimento da economia argentina, pelo enorme déficit do país no comércio bilateral e pela necessidade de reestruturar sua indústria.

"Com economias diferentes é natural que sejam adotadas medidas para não agravar uma situação que é estrutural", afirmou.

Este ano, a Argentina decidiu impor licenças não automáticas de importação para 200 produtos, o que provocou queixas brasileiras e até declarações de altos funcionários defendendo um processo perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Cristina disse ter vindo para "pedir a compreensão e a cooperação do Brasil" em torno dos problemas argentinos que geraram tanto o déficit comercial do país como o enfraquecimento de alguns setores industriais.

"Não há uma contradição [em que os dois países adotem medidas protecionistas e rejeitem o protecionismo]. Há medidas protecionistas de uma parte e de outra. Umas são mais visíveis que outras", afirmou.