Na semana passada, registrei meu desencanto pela emigração de muitos de nossos talentos,
levados certamente por desencantos muito maiores que os meus com o nosso Brasil,
mas não vou ficar calado.
Na mesma semana passada, fomos brindados com grandes eventos que mostram como está
cada vez mais difícil chegarmos à civilização.
Como destaque inicial, temos a volta delle, com toda pompa e circunstância e com
o maior apoio da esperança que prometeu vencer o medo. Só que o medo de 2002 parecia
ser outro e hoje tenho certeza de que piorou, as minhas expectativas sobre a esperança
foram superadas. O projeto da esperança foi e será sempre de poder. Isso foi confirmado
por um dos maiores defensores da esperança: Frei Betto, que em sua entrevista ao
"Estado de S. Paulo" (09/03) disse "o governo trocou um projeto de nação por um
projeto de poder", ao falar sobre o Bolsa-Família. Na "Veja" de 04/03 J. R. Guzzo
em sua matéria conclui seus comentários dizendo que o Bolsa-Família "é propaganda
política; em matéria de inclusão, só faz manter os pobres incluídos na pobreza."
Seguindo com seu projeto de
poder eterno, a esperança está cada dia que passa, mais
voltada para a eleição de 2010. Mas, os corvos que criou e engordou começam a se
voltar contra o grande mestre. Depois dos assassínios cometidos pelo MST em Pernambuco
faz poucos dias, a esperança quer jogar no colo do STF as ações para punir os líderes
do movimento, porque por principio detesta tomar decisões e quer se safar de qualquer
responsabilidade por tais punições. A esperança sabe muito bem que seu Inspetor
Geral T. Soninlaw não fará nada para impor a lei, como aliás ficou claro nos seus
comentários sobre a execução dos seguranças da fazenda em Pernambuco pelo MST.
Enquanto isso, a crise mundial corre solta e nós, mesmo depois de perdermos as oportunidades
dos tempos de fartura, continuamos ouvindo discursos e mais discursos sobre as maravilhas
dos programas da esperança e jogando no cesto da História todas as reformas que
precisamos faz tempo e brincando com as necessidades essenciais do nosso povo.
CARLOS MOURA escreve às quartas-feiras na versão impressa do DG.
Carlos Antônio BARROS DE MOURA,
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