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Show do carisma anunciado e a sina da nossa mãe gentil
Pessoas carismáticas quando percebem que podem ser ouvidas, passam a falar sobre qualquer assunto, trazendo sempre opiniões definitivas. São, também, capazes de mudar os fatos para adaptá-los a seus discursos. Não tem quase nenhuma preocupação com a coerência e a consistência, ou seja, tem visão tática de conjunto muito flexível. E, de outro lado, precisam de pessoas que acreditem em suas ideias ou que vejam nessas ideias a oportunidade de assumirem o poder, junto com quem tem carisma.
A História Universal tem muitos exemplos de carismáticos, alguns conseguiram levar seus países a tempos melhores, outros provocaram tragédias e milhões de mortes.
Quando pessoas carismáticas com características messiânicas, se tornam governantes de países, colocam em prática uma forma de governar extremamente pragmática, focada na sua preservação como governantes e fazem de tudo para adaptar as regras para seu proveito próprio.
Atualmente, na nossa pátria amada e mãe gentil dos filhos do seu solo, vivemos tempos difusos, uma vez que não há unidade ideológica nos quadros dos partidos políticos que apoiam o poder executivo. Há de tudo, desde ações concretas de movimentos organizados para promover uma revolução socialista até aqueles que querem se aproveitar, sem o menor pudor, da viúva. Os adversários de ontem ou mesmo de hoje pela manhã, são merecedores de cheques em branco. E a oposição? Suas ações levam-nos a crer que não existe e, sabe-se lá por quais razões, nos momentos críticos se retrai, passando a sensação do famoso rabo preso.
Para nós – filhos comuns da pátria amada – além de trabalhar quase 150 dias por ano somente para pagar impostos, pouco resta. Ficamos com perguntas sem respostas. Não entendemos bem o que fazem nossos representantes nos diversos níveis do Poder Legislativo. Vemos nossos pleitos ao poder judiciário levar anos e anos para serem resolvidos e, muitas vezes, quando há uma decisão, viveremos muitos outros anos para ver a decisão se tornar realidade.
As notícias que nos chegam pelos mais variados meios de comunicação tem a magia de gerar mais confusão, porque fica cada vez mais claro que quase ninguém, que exerce cargo público por eleição, tem um projeto claro e honesto para o país. A visão é de curtíssimo prazo e tem objetivos claramente oportunistas e isso fica evidente nas ações governamentais que indicam mudanças para ficar tudo igual.
Pequenos exemplos: por que apoiar um governante como Hugo Chávez, que quebrou seu país, que não respeita leis, que estatatiza e fecha toda e qualquer organização ou por ser contra ele ou por bel prazer? E, internamente, tentar nos impor Delúbio Soares como o cara dos esquemas.
Por essas e por outras, está na hora de, por meio do nosso poder de votar, levantar a clava forte da justiça e de não fugir à luta.
CARLOS ANTÔNIO BARROS DE MOURA é empresário e diretor da Associação Comercial de São Paulo, escreve às quintas-feiras na versão impressa do DG. |