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A solução é discar TS para chamar o Exorcista
Nosso Inspetor-Geral T. Soninlaw (TS) é realmente incansável, pois está sempre presente nos locais e horários certos dos grandes momentos da vida nacional, como também é muito claro em suas declarações públicas. Isso ficou confirmado, quando na semana passada, ele nos informou que "pode haver tentativa de demonização na investigação sobre o MST", e isso viria "principalmente dos setores que não apostam no diálogo social e entendem que os movimentos sociais são caso de polícia". Não contente, brindou-nos com uma orientação muito adequada: "que a CPI do MST coloque no mesmo nível as questões dos sem-terra e as do agronegócio", isso porque "nunca se viu por parte dos parlamentares e dos governos a demonização dos grandes proprietários".
Soninlaw, como já ocorreu muitas vezes, por ser comedido e claro em suas declarações, certamente quer fazer-nos entender que o MST, uma organização não organizada formalmente, deve merecer o mesmo tratamento dos parlamentares e governos, que os proprietários de terras, que tem endereço certo, CPF ou CNPJ e que arriscam seus capitais para produzir e gerar riquezas e impostos para o Brasil.
Continuando no raciocínio de Soninlaw, devemos aceitar como natural e saudável, que todos os demais brasileiros que trabalham e produzem e, por isso, pagam uma enormidade de tributos, não tem nenhuma razão para tentar saber como, quanto e quando seus tributos são transferidos para o MST e seus descendentes diretos ou indiretos.
Mas, cuidado com os demônios. Uma vez que Nosso Guia, chefe supremo de Soninlaw, tem, com sua inigualável didática, ensinado para todos nós, como a imprensa deve trabalhar e que órgãos de fiscalização da gestão pública como o TCU e os tribunais de contas dos Estados, ao cumprirem sua missão, indicando irregularidades, somente fazem isso para atrapalhar o espetáculo do crescimento.
Aliás, entre os mais premiados atores do espetáculo do crescimento estão as despesas de custeio do governo federal, que, segundo especialistas, leva-nos à triste conclusão que "é inteiramente imprevisível saber quando haverá uma recuperação", ou seja, a melhora do resultado fiscal do setor público.
Enquanto não podemos demonizar o MST, graças ao contrabando de armas e drogas, milhões de brasileiros vivem aterrorizados e fugindo de tiroteios e assaltos; professores são espancados e escolas são destruídas; vidas são perdidas na buraqueira das estradas.
No último "feriadão", vimos um paraense morrer por falta de atendimento médico, depois de percorrer vários hospitais. A explicação para tal horror foi debochada: quadros reduzidos por causa do "feriadão". Para fechar com chave de ouro, Nosso Guia vai recomendar a Obama que crie nos EUA um SUS, talvez lá funcione porque lá há menos "feriadões".
Para nós, sempre estará disponível discar TS para nos livrar dos demônios.
Carlos Antônio Barros de Moura, empresário e Diretor da ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO, escreve às 5ªs feiras na edição impressa do DIÁRIO DE GUARULHOS www.diariodeguarulhos.com.br. 05/11 |