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O Amigo do Povo' pode ser a melhor ajuda à democracia
Não há mais dúvidas. A fundação do Brasil foi em 1º/01/2003, quando o Supremo Pai Fundador (combine qualquer sequência dessas palavras, dá no mesmo) a bordo de um reluzente Rolls-Royce conversível chegou ao Planalto Central e declarou "do alto deste planalto nada de História nos contempla". Desde então o Brasil vem sendo construído.
Um grande momento dessa construção é o "mensalão", esquema criado para comprar apoio de algo conhecido como "base aliada para a governabilidade". Em 2005, quando veio a público, parecia ser crime, tanto que virou processo no STF, mas faz poucos dias o Pai Fundador Supremo nos ensinou que "Mensalão foi tentativa de golpe, porque houve uma suposta armação na aproximação entre o PT e Marcos Valério", infelizmente só saberemos toda a verdade quando Ele deixar o cargo. Mas nisso Ele tem razão: foi tentativa de golpe, porque o "mensalão" foi desenhado para acabar com o Poder Legislativo.
Como o "mensalão" emergiu, outros caminhos precisaram ser tomados para continuar a construção do Brasil. Nesses caminhos estão ataques ao Poder Judiciário, ao TCU, às agências reguladoras, à imprensa, em resumo, a tudo que não se conseguiu ainda esvaziar, controlar e aparelhar.
Mas o Supremo Pai Fundador tem seus momentos de recordação histórica do Brasil de antes de 2003.
Ele foi sindicalista no inexistente passado, e hoje, ao esvaziar os sindicatos autônomos, supera Getúlio Vargas, o ditador que espertamente criou uma estrutura para-estatal para controlar os movimentos trabalhistas, uma vez que as leis trabalhistas e sindicais não foram conquistas populares, mas sim outorgadas por Getúlio.
Aliás, o projeto de poder compreende mais áreas da nação sob o controle do Estado. A imprensa é sempre alvo de projetos para se submeter ao controle estatal, o mais novo é a Confecom. As justificativas são as mais variadas, mas sempre voltam à origem, evitar discordâncias. Esse sonhado projeto de transformação do Brasil não pode parar e retroceder, para tanto o PT afia discurso de guinada para a esquerda e retoma o que denomina de projeto democrático e popular, defendendo a ampliação do papel do Estado. É curioso lembrar que no mundo anterior a 2003, muitos países dominados pelas piores ditaduras se denominavam "repúblicas democráticas".
O ponto central da ampliação do papel do Estado está no controle e no aparelhamento do Estado por quadros do PT, ou seja, esse partido é contra a privatização de empresas e outras atividades do Estado, mas partidariza o próprio Estado. Logo, o que realmente precisamos é re-estatizar o Estado, antes que as nossas liberdades sejam abolidas.
Mas a História existe, por isso o título desta coluna foi tirado do nome do jornal publicado por Marat nos tempos da Revolução Francesa. Uma vez que, o verdadeiro amigo do povo é o jornal livre.
CARLOS ANTÔNIO BARROS DE MOURA, empresário e diretor da Associação Comercial de São Paulo, escreve às 5ªs feiras na edição impressa do DIÁRIO DE GUARULHOS www.diariodeguarulhos.com.br 19/11 |