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BOLETIM INFORMATIVO - JULHO/2009

Argentina fará revisão de índices econômicos

O governo Cristina Kirchner anunciou a reforma do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), suspeito de manipular os índices econômicos do país, principalmente da inflação. A reforma era exigida por setores empresariais, mercados, oposição e até aliados do governista Partido Justicialista (Peronista).

A intervenção do governo no Indec nos últimos 2,5 anos também foi alvo de críticas de organismos internacionais, entre eles o Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, os líderes dos partidos da oposição afirmaram que as mudanças anunciadas pelo governo não passam de "retoques".

A reforma foi anunciada pelo novo ministro da Economia, Amado Boudou, que explicou que o Indec passa diretamente para a sua órbita. "Assim, termina qualquer controvérsia sobre o organismo nos últimos meses. A presidente Cristina tomou essa decisão."
Boudou também anunciou a "revisão" de todos os índices desde 1999. "Faremos a revisão, com todas as consequências que isso possa ter. Essas mudanças têm a ver com o fortalecimento institucional."
Em seu novo formato, o Indec terá um Conselho Acadêmico que fiscalizará a transparência dos índices. Universidades públicas participarão do conselho, além de uma instituição de consumidores. A reforma do Indec era uma das exigências da oposição para aceitar o diálogo com o governo, enfraquecido desde a derrota nas eleições parlamentares de 28 de junho.

Dessa forma, teoricamente, o Indec fica fora da órbita do controvertido secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, acusado de ter comandado a manipulação de índices. No entanto, na prática, o cenário seria outro, já que o novo diretor do Indec será Norberto Itzcovich, homem fiel a Moreno.

Na semana passada, quando foi nomeado Diretor de Preços, Iztcovich declarou: "Teremos Moreno por muito tempo, e estamos contentes com isso". Segundo Boudou, Iztcovich é um técnico "de prestígio".

Desde o início de 2007, Moreno impôs um regime de terror no Indec. Despediu técnicos que se recusavam a participar da manipulação dos índices e costumava levar um grupo de caratecas e rugbiers ao edifício do Indec para dispersar com violência as frequentes manifestações de funcionários do organismo que protestavam contra a alteração dos índices.