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Troca da dívida da Argentina deve ser adiada para janeiro
BUENOS AIRES - A planejada troca da dívida argentina em moratória, avaliada em US$ 20 bilhões, deverá ser adiada para pelo menos janeiro de 2010. A informação foi dada na sexta-feira por Amado Boudou, ministro da economia.
"Os detalhes da oferta para os detentores de bônus que ficaram de fora da reestruturação em 2005 ainda estão sendo estudados", disse Boudou, em Buenos Aires. Na ocasião, os investidores que participaram da troca da dívida receberam 30 centavos de dólar por papel.
"Se todo o trabalho administrativo for concluído, a troca acontecerá no fim deste ano. No entanto, se houver atraso, deverá ser adiada para janeiro", afirmou o ministro.
Na quarta-feira, o Congresso argentino aprovou a lei que reabre a troca da dívida em moratória, atendendo à determinação do governo da presidente Cristina Kirchner que visa a normalizar a situação financeira internacional da Argentina.
A medida, aprovada por 45 votos a 10, anula a chamada Lei Ferrolho, que impedia a reabertura da negociação da dívida em posse dos credores que rejeitaram a operação de troca realizada em 2005. O projeto, já aprovado na Câmara dos Deputados, foi apoiado pelos senadores governistas e da União Cívica Radical (UCR, social democrata), e rejeitado pelo peronismo dissidente e os socialistas. "A lei permite ao governo dar uma nova chance aos credores que rejeitaram a troca da dívida em 2005, mas impõe condições mais severas que as adotadas na operação precedente", disse Boudou, sem dar mais detalhes.
Ainda de acordo com o ministro argentino, as condições da nova oferta serão um pouco piores do que as feitas em 2005. O total da dívida argentina em 2001 era de US$ 95 bilhões.
Segundo informações do JPMorgan, a porcentagem de detentores da dívida argentina era de 7,11% na sexta-feira contra 19,6% em 25 de março.
No início do mês, Boudou negou que a Argentina irá emitir bônus para cancelar dívidas com o Clube de Paris, e ressaltou que também não pedirá ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI). "Não faria sentido solucionar a questão com o clube de Paris com um bônus. Não estamos pensando nisso", disse Boudou na ocasião.
Em 5 de novembro, o jornal argentino La Nación publicou que o país estudava emitir bônus para cancelar dívidas de US$ 6,9 bilhões em moratória desde 2001 com o Clube de Paris. O ministro negou veementemente. "O que estamos pensando é avançar em direção a uma solução que seja aceitável para os credores e para a Argentina", insistiu Boudou. |