Competitividade da Indústria brasileira na América do Sul
Estudo recente da CNI – Confederação Nacional da Indústria – analisou o histórico das exportações brasileiras para os países da América do Sul e classificou os produtos em 4 categorias:
Consolidados
Ameaçados
Potenciais
Emergentes
No texto anterior abordamos os produtos Potenciais – grupo composto pelos produtos nos quais se identifica bom potencial de exportações do Brasil para os países sul-americanos, mas este potencial ainda não está devidamente realizado.
Neste último texto da série, são apresentados os produtos Emergentes, que são aqueles que tinham peso insignificante nas exportações brasileiras para os países sul-americanos há alguns anos atrás - adota-se como referência o biênio 1997-1998 -, mas cujas vendas cresceram de forma bastante rápida desde então, alcançando valores significativos em 2005-2006 - maiores do que US$ 100 mil.
Produtos Emergentes
A estratégia brasileira para os produtos emergentes deve ser preservar as condições que permitiram este “salto” exportador, e prover as condições para sustentação desse crescimento nos próximos anos, até que se alcance um market-share minimamente elevado nas importações dos países, ou seja, que no futuro eles possam ser incluídos na categoria de produtos Consolidados.
Os produtos classificados como interesses emergentes exportaram, na média do biênio 2005-2006, um total de US$ 652,3 milhões para os países sul-americanos, o que representou um crescimento médio anual de 45,9% em relação ao biênio 1997-1998. Ainda assim, o Brasil responde por apenas 11% de tudo o que os vizinhos importam destes produtos, um montante de US$ 5,87 bilhões.
Pais
Produtos Emergentes
Exportações do Brasil
Importações totais
1995-98
2005-06
Variação anual
2004-05
(US$ milhões)
(US$ milhões)
%
(US$ milhões
Venezuela
167
0,3
95,9
105,1
1.217,8
Colômbia
139
0,3
75,5
102,2
1.204,2
Chile
116
0,3
77,0
104,4
1.060,2
Argentina
97
0,3
46,5
87,3
508,6
Equador
85
0,2
74,4
113,9
505,4
Peru
49
0,1
42,3
108,8
430,9
Paraguai
38
23,3
148,1
26,0
578,6
Bolívia
60
3,2
44,0
38,9
276,8
Uruguai
59
3,9
48,6
37,2
88,9
Surinami
20
0,0
4,7
94,0
25,7
Guiana
7
----
5,2
----
15,7
Total
----
31,8
652,3
45,9
5.871,6
Fonte: Ministério do Desenvolvimento e CNI
Desenvolvimento: ECM Assessoria & Marketing
Os três países apresentados na parte superior da tabela (Venezuela, Colômbia e Chile) são os grandes destaques, seja pelo número de produtos emergentes, seja pelo ritmo de crescimento das exportações brasileiras no período (acima de 100% a.a.), seja pelo valor elevado das importações destes produtos (acima de US$ 1 bilhão).
No caso da Venezuela foram identificados 167 itens cujas importações do país foram de US$ 1,2 bilhão na média de 2004-2005 e cujas exportações brasileiras cresceram à taxa de 105,1% entre 1997-1998 e 2005-2006. Os itens de maior importância estão relacionados às indústrias de Siderurgia e Metalurgia – 12 itens, com destaque para laminados planos de ligas de aço e tubos de ferro e aço, cujos principais fornecedores são Coréia do Sul e Estados Unidos – Equipamentos Eletrônicos – sete itens, com destaque absoluto para aparelhos de televisão, cujas exportações passaram de zero para US$ 14 milhões entre os dois biênios, mas o México ainda é o grande fornecedor – e Máquinas e Equipamentos – 24 itens, fornecidos principalmente pelos Estados Unidos.
Na Colômbia identificaram-se 139 itens cujas importações do país alcançaram US$ 1,2 bilhão na média de 2004-2005 e as exportações brasileiras cresceram à taxa de 102,2% entre os dois biênios considerados. Os produtos de maior relevância são relacionados a Químicos e Petroquímicos – 20 itens, tendo os Estados Unidos como maior fornecedor – Siderurgia e Metalurgia – 16 itens, com destaque absoluto para ligas de alumínio em formas brutas, fornecido basicamente pela Venezuela – Indústria Automotiva – 10 itens, principalmente os automóveis de passageiros com menos de 1.000 cilindradas, fornecidos por Coréia do Sul e Índia – e Equipamentos Eletrônicos – 5 itens, com destaque para produtos de informática fornecidos principalmente por China, Finlândia e México.
No Chile, há 116 itens com importações de US$ 1 bilhão e crescimento das exportações brasileiras de 104,4% a.a. Dois setores têm destaque absoluto neste grupo: Equipamentos Eletrônicos – 7 itens, com forte crescimento das vendas de aparelhos de televisão, cartões munidos de circuitos integrados e lap-tops, cujos maiores fornecedores são Estados Unidos, China e México – e Químicos e Petroquímicos.
A Argentina aparece no grupo intermediário com 97 itens cujas exportações brasileiras cresceram à taxa de 87,3% entre os dois biênios considerados. Destacam-se entre eles os pertencentes aos setores de Equipamentos Eletrônicos – 6 itens, com destaque para lap-tops e unidades de memória, tendo como grandes fornecedores os Estados Unidos e a China – Têxteis – 23 itens, onde sobressai apenas tecidos de filamentos sintéticos tintos, fornecido principalmente pela Coréia do Sul – Outros Veículos e Peças – 7 itens, destaque absoluto para helicópteros, cujos fornecedores são Estados Unidos e França.
Sobre a ECM Assessoria & Marketing
A ECM Assessoria & Marketing, consultoria com foco em planejamento de mercado, utiliza estes e outros dados econômicos para melhorar a assertividade da Previsão de Vendas de empresas de diversos setores, gerando números mais precisos e que apóiam as estratégias de vendas, produção e financeiro.