OS POETAS DO TANGO (1920-1960)
A poética do tango passa dos ambientes de bordel e da improvisação para a poesia acadêmica e os salões de baile; da bruta cachaça ao fino champagne; do boteco aos night clubs, da adaga ao revólver.
Celodonio Flores, autor de “Corrientes y Esmeraldas” , conta a dissipação da aristocracia e a moral dos humildes.
Enrique Candícamo, autor de “Madame Ivonne” , expõe o cabaré, as noites de farra, o afã noturno dos argentinos, o desvario.
Homero Manzi, compositor de “Sur”, “Malena”, é o cultíssimo poeta que dedica sua refinada métrica ao bairro, ao amor,
às luas. Cátulo Castillo, com sua “ La última curda” , elege o álcool, o verso cruel.
Homero Expósito, com “Afiches”, expõe através de suas palavras as mudanças sociais, os pensamentos da época.
Leopoldo Marechal escreve pela sua prosa o drama dos portenhos com “La Calesita” .
O grande Enrique Discépolo, com “Cambalache” e “Yira Yira”, proclama a anemia da moral, coloca a ética como insignificante na realidade dos cidadãos através de seu repertório fatalista e metafísico.
Julián Centeya, com “Tango de Pátio” , através de sua rima sedenta de recordações, retorna ao antigo bairro e aos varões que habitaram esse passado ilusório.
Lutar ou fugir, a evocação emocionada,
A flor de um castigo, o sangue do bandoneon,
O amor em um portão... a pluma culta e irreverente dos grandes homens do tango.
Ivan Serra Lima
Escritor argentino. |