Conjuntura do Agronegócio

1. França não fará acordo se Brasil não respeitar tratado climático

O presidente da França, Emmanuel Macron , reiterou, neste sábado, em Buenos Aires, que não pretende assinar o acordo de livre comércio com o Mercosul se o Brasil não respeitar as regras do tratado climático.

Ao ser indagado, em entrevista coletiva no último dia de reunião de G-20, sobre as declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro de que não assumirá nenhum compromisso ambiental que prejudique os agronegócios, Macron disse que não lhe compete pronunciar-se sobre as intenções de Bolsonaro.

“Sobre as intenções dele, compete ao presidente Bolsonaro quando quiser esclarecer as coisas. O que eu disse, da minha parte, é que a França não apoiará acordo com quem não respeita o Acordo de Paris”, insistiu.

Ele argumentou que sua posição tem um motivo “totalmente evidente”. “Nós não podemos pedir a nossos cidadãos, nossa indústria, nossa agricultura e atores econômicos, que façam esforços indispensáveis neste momento de transição e fazer acordos com países que violam estas mesmas obrigações”.

Tais declarações já tinham sido realizadas na última quinta-feira, durante o primeiro contato de Macron com os jornalistas que cobrem a reunião de cúpula do G-20.

No dia seguinte, Bolsonaro respondeu o francês dizendo que não assumirá compromissos ambientais que prejudiquem o agronegócio brasileiro.

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Fonte: Valor Econômico

2. Blairo Maggi defende recursos adicionais ao orçamento da Embrapa

Uma cidade tecnológica a ser construída em São Paulo, onde está instalada a Ceagesp, atualmente, deverá ser fonte de recursos para o orçamento da Embrapa, defendeu o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), no encerramento da reunião de gestores da empresa, nesta quinta-feira (29). “O resultado financeiro dessa operação do aluguel, enfim, do que houver lá, servirá para a que Embrapa tenha algo diferente, fora da briga do orçamento anual”, afirmou.

Blairo Maggi adiantou já haver conversado sobre isso com a futura ministra Tereza Cristina, que irá sucedê-lo no novo governo. “Ela concordou que é um bom caminho”. A Ceagesp situada no Bairro Jaguaré, Zona Oeste da capital, deverá ser transferida pelo governo do estado. “Se o terreno for vendido, o dinheiro se perde. Então é melhor que seja dessa forma”, observou.

Em seu discurso, o ministro lembrou o reconhecimento internacional da Embrapa, defendeu que haja cobrança para a transferência de tecnologia a outros países que têm interesse em fazer acordos com a empresa. E acrescentou que a agropecuária do país não seria a mesma, não fosse a contribuição da pesquisa e das tecnologias desenvolvidas pelos cientistas do quadro da Embrapa.

Falou também sobre o futuro e a rapidez com que há transformação no setor, nos dias de hoje. “Desejo uma Embrapa que corresponda ao novo momento que o Brasil, aliás que toda a humanidade vive, nessa direção de conhecimento, de mudanças rápidas, de adaptação urgente. Caso contrário, a gente fica para trás. E a Embrapa não deve ficar para trás, deve ser uma empresa que tenha a liberdade de pensamento, que tenha a responsabilidade de fazer as coisas para o futuro”.

O ministro recebeu uma comenda da Embrapa em reconhecimento ao trabalho realizado durante sua gestão no Ministério da Agricultura.

Mapa

O período de dois anos e sete meses à frente do ministério, de acordo com Maggi, foi nos últimos anos um dos mais longevos. Isso é importante, afirmou, para levar adiante propósitos de governo, como o que lhe permitiu retomar a decisão sobre o destino dos recursos do Plano Agrícola e Pecuário (PAP).

“O dinheiro é uma parte importante, embora seja apenas uma parte da política agrícola. Mas foi preciso dizer ao Banco Central, à Fazenda: vocês definem os recursos, a disponibilidade, vamos discutir taxa de juros, mas para onde vai, como fazer, qual é a prioridade, é papel da Agricultura”.

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Fonte: MAPA/Notícias Agrícolas

3. Secretaria de Defesa Agropecuária é premiada por ser a mais digitalizada do Governo

A Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebeu nesta quarta-feira (28) duas premiações por ser a secretaria mais digitalizada da Esplanada. As premiações, troféus InovaGov, foram concedidas pela Plataforma de Cidadania Digital e fazem parte da 4ª Semana de Inovação em Gestão Pública.

O Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), representado por seu coordenador Fernando Mendes, recebeu o prêmio pela implantação do Certificado Veterinário Internacional( CVI) digital. A Coordenação Geral de Gestão de Operações (CGOP) foi premiada por ter apoiado a criação do CVI e possibilitado que a SDA fosse a Secretaria com mais serviços digitalizados na Esplanada. Receberam o prêmio a servidora Maria Noêmia Zerbini Leão e o coordenador geral da CGOP, Paulo Fresneda.

Os ganhos com a automação das atividades do Mapa demonstram redução de 51% nos custos das operações que foram automatizadas e remanejamento do tempo de 321 servidores para atividades prioritárias. Com a racionalização do trabalho (encargos e salários), houve redução de tempo de entrega do serviço e menores custos operacionais para o Governo Federal em 2018.

O Mapa apresentou durante o evento de premiação dos principais serviços implementados para racionalizar suas atividades e facilitar o acesso do cidadão aos seus serviços: Certificado Veterinário Internacional (CVI); Pedido de habilitação de armazéns, terminais e recintos para trânsito internacional de produtos de interesse agropecuário; Credenciamento de laboratórios na Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Mapa (Lanagros); Solicitação do monitoramento do Ministério como laboratório credenciado na Rede Lanagro.

Também foram destacadas a autorização de importação de animais vivos e material genético animal; divulgação de dados de produtos veterinários – Publivet; obtenção de certificado de exportação de bebidas, vinagres e derivados da uva e do vinho e o monitoramento de uso de antimicrobianos em animais, além de obter autorização prévia de importação de produtos de origem animal.

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Fonte: MAPA/Notícias Agrícolas

Insumos

4. Solinftech irá investir US$ 50 milhões em escritório nos EUA

A Solinftec, startup voltada a soluções para o agronegócio com sede em Piracicaba, anunciou que pretende investir US$ 50,6 milhões para a abertura de seu escritório nos EUA. A nova unidade ficará próxima à Universidade de Purdue. A expectativa é de criação de 90 novos postos de trabalho de alta qualificação em 2019, chegando ao total de 334 até 2022.

A Solinftec desenvolve novas tecnologias em software e hardware para o campo, como uma plataforma de monitoramento do uso das máquinas na fazenda baseado em georreferenciamento e a comunicação por telemetria.

Criada em 2007, a empresa tinha foco inicial no setor sucroalcooleiro. Em 2015, passou a trabalhar também com outras culturas, como grãos, algodão e citrus.

Atualmente, monitora online uma área de 6 milhões de hectares, com 30 mil equipamentos agrícolas, e mantém uma base de 100 mil usuários ativos. Metade de seus clientes ainda são do setor sucroalcooleiro.

“A Solinftec tem paixão por descobrir soluções tecnológicas para melhorar as operações agrícolas. Por isso estamos animados com a oportunidade de trabalhar com um renomado centro de pesquisa, como a Escola de Agricultura da Purdue”, disse, em nota, Daniel Padrão, COO da empresa brasileira.

O investimento será canalizado para a expansão do portfólio da Solinftec, de forma a ampliar a base de soluções também para o mercado americano.

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Fonte: Valor Econômico

5. Aquaponia é estratégia para defesa da agricultura no Camarões

Tudo começou quando o engenheiro Flavien Kouatcha tentou cultivar batatas em sua região, no Oeste de Camarões. “Vimos a realidade da situação dos agricultores africanos, os obstáculos que estão restringindo seu crescimento; principalmente a falta de soluções logísticas baratas para conectar as fazendas rurais aos mercados urbanos”, explicou Kouatcha, fundador da Save Our Agriculture (salve nossa agricultura). “Queríamos encontrar uma maneira de cultivar alimentos diretamente em povoados e em cidades, em grandes quantidades e a um preço acessível”.

A solução encontrada foi o desenvolvimento de sistemas aquapônicos em kits individuais. Esses sistemas reproduzem ecossistemas artificiais, onde plantas, peixes e bactérias vivem em simbiose, de modo que o desperdício de uma espécie serve de alimento para outra.

Kouatcha criou sua startup em 2015, em Douala, o coração industrial de Camarões. Em 15 de outubro de 2018, sua empresa ganhou reconhecimento internacional. A Save Our Agriculture recebeu US$ 17.300 por vencer o Prêmio Pierre Castel, criado em 2018. A iniciativa é do fundo de doações da Pierre Castel, “Agir avec l’Afrique” (Agir com a África) e fornece apoio e suporte financeiro a projetos iniciados por jovens empreendedores africanos na agricultura, agronegócio, tecnologia e recursos agrícolas — setores que têm alto valor agregado e contribuem para a redução da pobreza na África. Durante um ano, o fundador da Save Our Agriculture receberá orientação e apoio de André Siaka, ex-diretor-executivo da empresa Brasseries du Cameroun, uma subsidiária do Grupo Castel, para desenvolver seu projeto.

No início, a startup de Kouatcha fabricava pequenas unidades de produção aquapônica para uso individual. “Desde então também desenvolvemos unidades de médio volume, mas os custos permanecem muito acima do poder de compra médio de Camarões”, diz Kouatcha. O engenheiro financiou o lançamento da Save Our Agriculture com suas próprias economias. Projetado para uso pessoal ou profissional, os kits custam de 80 a 600 mil francos CFA.

Desde o final de 2017, a Save Our Agriculture também comercializou um protótipo em um contêiner de 40 metros quadrados.

Em uma tentativa de avançar para além das fronteiras de Camarões, a empresa lançou operações no Senegal e em Ruanda, em 2018. “A forma como a agricultura vem sendo praticada na África até agora não nos permitiu alimentar eficientemente nossas populações”, observa Kouatcha. “Precisamos produzir alimentos de modo diferente, sem que os agricultores precisem de conhecimento técnico de alto nível.”

A Save Our Agriculture atualmente vende as unidades de aquaponia, mas também vegetais e peixes frescos da própria fazenda da empresa. A longo prazo, espera-se que seu modelo de negócios se concentre exclusivamente na concepção e fornecimento de equipamento agrícola em toda a África, por meio de uma rede de fabricantes certificados.

Três anos depois de se tornar operacional, a startup ainda não teve lucro e espera o primeiro resultado positivo em 2019.

Kouatcha reconhece que seu projeto de aquaponia “não é o mais direto dos investimentos”, mas ele continua otimista em relação a sua rentabilidade potencial. A equipe de 11 pessoas da Save Our Agriculture forneceu verduras e peixes orgânicos para quase 100 mil camaroneses em 2017. “Não é grande coisa quando você lembra que o Camarões tem pouco mais de 23 milhões de habitantes. Mas consideramos que o principal indicador de nosso desempenho é o rendimento de nossos sistemas, a duração dos ciclos de produção, a simplicidade de uso e a estruturação e eficiência de procedimentos internos dentro de nossa empresa. Uma vez que todos esses aspectos tenham sido aperfeiçoados, começaremos a ver um crescimento exponencial no volume de negócios”, diz Kouatcha.

Os sistemas de aquaponia estimulam os vegetais a crescerem até três vezes mais rapidamente do que com fertilizantes químicos, e com apenas 10% da água usada na agricultura tradicional. A técnica também possibilita o cultivo de alimentos em pequenos espaços nas cidades, eliminando a necessidade de logística convencional, que consome grandes quantidades de combustíveis fósseis. Isso significa uma redução de 20% no carbono emitido na atmosfera, diz Kouatcha. Sua iniciativa promete ter um impacto ambiental positivo em Camarões, um país que se comprometeu com uma redução de 32% nas emissões de gases de efeito estufa até 2035.

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Fonte: Valor Eocnômico

6. Pequenos agricultores da Nigéria estão adotando a hidroponia

Em maio de 2016, a invasão da traça Tuta absoluta era o único assunto dos nigerianos. A praga, também conhecida como traça-do-tomateiro e apelidada de “ebola do tomate”, devastou centenas de fazendas de tomate no Norte da Nigéria, onde fica a maior parte das plantações de tomate do país. O episódio levou a um aumento recorde de 400% no preço do tomate, um ingrediente importante em pratos locais, em todo o país.

Embora a Nigéria seja o maior produtor de tomate da África Subsaariana, gerando cerca de 1,5 milhão de toneladas por ano, sua produção não é suficiente para atender a demanda nacional – cerca de 2,45 milhões de toneladas por ano. Mesmo antes do ataque da praga, a indústria do tomate precisava encontrar uma maneira de garantir uma ampla oferta.

A invasão de pragas veio somar às questões pré-existentes, como a perda anual de 900 mil toneladas de tomates, provocada pelo transporte dos alimentos em estradas ruins até mercados urbanos mais afastados, ou pela falta de um sistema de armazenamento para os alimentos colhidos. A seca em partes do Norte da Nigéria, exacerbada pela desertificação do Saara, também criou problemas para os produtores de tomate. Os estados do Sul ficaram sem tomates por um tempo.

Mas Alhaji Bello, um criador de peixes em Ibadan, a 130 km de Lagos, viu esses desafios como uma oportunidade. Ele havia sido treinado na B.I.C. Farm Concepts, uma empresa de agronegócio de Lagos especializada em aquicultura, hidroponia e treinamento de pequenos agricultores.

A transição de Bello para a agricultura hidropônica, uma técnica sem uso do solo para cultivar culturas em soluções nutritivas, foi perfeita. “Eu fui fisgado porque sempre tinha águas residuais da piscicultura”, diz, “então, em vez de jogá-la fora, decidi usá-la para cultivar forragem”.

Bello combinou a piscicultura com a aquaponia, uma forma de hidroponia que utiliza água de reuso para cultivar organismos aquáticos. A água de seu viveiro de peixes é direcionada para um sistema hidropônico, onde as bactérias decompõem os excrementos dos peixes em nutrientes para as plantas, limpando a água e enviando-a de volta à lagoa.

Este sistema lhe permitiu cultivar tomate, alface e pimentões num espaço de oitenta metros quadrados e obter um maior rendimento de tomates utilizando menos recursos que os métodos tradicionais.

“A hidroponia me ajudou a resolver o problema do desperdício. Ela dá suporte à agricultura de pequena escala”, ele explica. “Meus rendimentos são maiores. No solo, uma planta de tomate produz até 10 kg de fruto, enquanto na hidroponia, ela produz até 50 kg.”

A hidroponia também ajuda a reduzir a necessidade de água. Durante a irrigação do solo, a água deve encharcar completamente o solo para que os nutrientes cheguem até as raízes das plantas, e uma enorme quantidade é perdida no processo.

Com a hidroponia, a irrigação vai diretamente às raízes. Uma única planta de tomate precisa de menos de 2 l de água por dia através deste método, enquanto um tomate cultivado no solo requer até 20 l de água por dia.

Debo Onafowora, que fundou a B.I.C. Farm Concepts há 12 anos, disse que Bello é apenas um dos 5 mil pequenos agricultores nigerianos que sua empresa treinou na agricultura hidropônica. Muitos são homens jovens – Onafowora os chama de “aqua-empreendedores”. A B.I.C. espera treinar 100 mil jovens nigerianos até 2025, em uma tentativa de resolver os problemas do agronegócio na África por meio da agricultura em pequena escala.

Com as mudanças climáticas, a desertificação está ameaçando o Norte da Nigéria, e as estações chuvosas mais curtas estão dificultando o cultivo de alimentos. Em contraste, perto da costa no Sul da Nigéria e das florestas tropicais do país, as estações chuvosas estão ficando mais longas e mais intensas. Os assentamentos fluviais estão inundando, tornando grande parte da terra imprópria para a agricultura e arruinando alimentos armazenados.

A população da Nigéria, quase 200 milhões de pessoas hoje, deverá chegar a 400 milhões até 2050. O país precisa ter condições adequadas para o aumento das colheitas, a fim de sustentar seus cidadãos.

“Com a hidroponia, usamos pelo menos 80% menos água e 90% menos terra, e há menos desmatamento”, diz Onafowora. “As pessoas derrubam florestas para cultivar alimentos, o que contribui para as mudanças climáticas. Você não precisa destruir florestas para cultivar alimentos”.

A instalação de uma fazenda hidropônica totalmente funcional exige certa dedicação e dinheiro. “A instalação custa 2 milhões de naira (cerca de USD $ 5.500) para um espaço de 8x30 m”, Bello adverte. Em um país onde mais de 60% da população vive com o equivalente a cerca de USD $ 2 por dia, trata-se de um preço alto a pagar.

No entanto, as muitas vantagens da agricultura sem uso do solo fazem dela um investimento que vale a pena. Ao cultivar forragem de gado nos campos, a hidroponia pode até oferecer uma solução em potencial para os frequentes confrontos violentos entre fazendeiros e pastores nigerianos por terras aráveis que estão desaparecendo devido à desertificação.

As universidades estão introduzindo a técnica em seus currículos. Um departamento de hidroponia em breve será inaugurado na Universidade de Landmark, no Sudoeste da Nigéria, para ensinar aos jovens nigerianos sobre a agricultura sem uso do solo no início de suas carreiras – capacitando-os a combater tanto as mudanças climáticas como a escassez de alimentos no futuro.

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Fonte: Valor Eocnômico

Proteína animal

7. Confinamento já alcança 5 milhões de bois no país

Para acelerar os ganhos de produtividade, permitindo a ampliação da produção de carne bovina ao mesmo tempo em que cedem áreas de pastagens para a agricultura, os pecuaristas intensificaram o uso de grãos alimentação do gado em ritmo mais acelerado que o previsto.

Levantamento recém-concluído pela multinacional holandesa DSM, empresa que detém 30% do mercado brasileiro de sal mineral para bovinos, mostrou que o número de bois engordados nos confinamentos do país alcançou em torno de 5 milhões neste ano.

A partir de entrevistas com 3 mil pecuaristas que têm confinamentos, a DSM estimou que 4,987 milhões de animais foram “terminados” nos confinamentos. Ou seja, esses animais passaram a última fase do processo de engorda — do boi magro até o animal pronto para o abate — no sistema intensivo. Na comparação com o ano passado, quando 4,850 milhões de bovinos foram confinados, o crescimento foi de 3%, segundo a DSM.

O levantamento, uma espécie de “censo” da pecuária intensiva no país, animou Marcos Baruselli, gerente de confinamento da DSM. Em entrevista concedida ao Valor em julho, o executivo estava mais conservador, estimando que os confinamentos do país atingiram a marca dos 5 milhões em 2020.

“Surpreendeu bastante. O que está acontecendo é uma intensificação muito forte da pecuária. O produtor rural está vendo que, se ele não produzir mais arrobas por animal, perde competitividade, e a pecuária passa a não ser tão atrativa”, afirmou Baruselli. Para aumentar a velocidade da criação de bovinos, a dieta com grãos do confinamento é a grande opção.

Mas o confinamento tradicional não é a única forma de alimentar o gado com grãos. Nos últimos anos, os pecuaristas passaram a utilizar um modelo conhecido como “confinamento a pasto”. Nesse modelo, os bois recebem uma dieta de grãos (milho e farelo de soja) muito próxima à da estrutura dos confinamentos, onde os animais ficam lotados em um espaço reduzido, mas em cochos distribuídos na área de pastagem. Esse modelo, que é mais barato por não envolver investimentos na construção da estrutura do confinamento, vem avançando em Mato Grosso, maior Estado produtor de grãos do país.

De acordo com as estimativas da DSM, outros 5 milhões de bovinos são alimentados, em maior ou menor medida, com grãos em modelos semelhantes ao “confinamento a pasto”. Juntos à atividade intensiva tradicional, são cerca de 10 milhões de animais abatidos por ano no Brasil são criados de forma intensiva. Não é um número irrelevante, especialmente porque a criação de gado em fazendas extensas e pouco produtivas sempre foi uma característica da pecuária no país.

Considerando as 10 milhões de cabeças, cerca de um terço do gado abatido no Brasil consome grãos, segundo Baruselli. Em 2017, os frigoríficos com algum tipo de inspeção (federal, estadual ou municipal) abateram 30,8 milhões de animais, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O movimento de intensificação da pecuária deve continuar ao longo dos próximos anos, projeta o executivo da DSM. Segundo ele, é possível que em 2025 cerca de 10 milhões de bovinos sejam engordadas apenas no confinamento tradicional. Se as outras estratégias intensivas (como o confinamento a pasto) foram consideradas na conta, é “provável” que metade do gado abatido no Brasil seja alimentado com grãos, afirmou Baruselli.

Para os pecuaristas brasileiros, o movimento representa um ganho de produtividade, mas também impõe desafios. A produção de gado estará mais vinculada ao preço dos grãos. Em períodos de quebra de safra, o setor poderá sofrer mais.

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Fonte: Valor Econômico

8. Marfrig pós-Keystone mira hambúrguer

Após anos lutando contra o endividamento excessivo, a brasileira Marfrig Global Foods, segunda maior produtora de carne bovina do mundo, sacramentou na última sexta-feira passada aquele que pode ser o passaporte para uma "nova era". Ao concluir a venda da subsidiária Keystone à Tyson Foods, por US$ 2,2 bilhões, a Marfrig reduziu sua dívida líquida de US$ 4,2 bilhões praticamente pela metade.

A situação de caixa confortável e o baixo endividamento também abriram oportunidades. O Valor apurou que a Marfrig fez recentemente uma oferta pelos ativos de bovinos da BRF na Argentina e também propôs assumir a produção de hambúrguer da BRF no Brasil, que hoje é feita em Várzea Grande (MT) e passaria a ser terceirizada. Na prática, a Marfrig compraria os equipamentos da unidade. Procurada, a BRF não comentou. A Marfrig, por sua vez, diz que não comenta rumores de mercado.

A proposta foi bem recebida na BRF, mas ainda não está fechada disseram duas fontes.. Pelos termos da oferta, a Marfrig forneceria hambúrguer para a BRF, que é líder desse mercado no Brasil com as marcas Sadia e Perdigão. Inicialmente, a BRF não pretendia se desfazer de ativos no Brasil. Para reduzir as dívidas, a companhia comandada por Pedro Parente colocou à venda as operações na Argentina, na Tailândia e na Europa. A intenção da BRF é angariar R$ 3 bilhões com a venda dos negócios. Os bancos Bradesco BBI e Itaú BBA assessoram a BRF na operação.

Para a Marfrig, crescer em hambúrguer se tornou essencial, por ser mais rentável que a produção de carne bovina. Além da oferta pelos ativos da BRF, a Marfrig está investindo R$ 90 milhões na construção de uma fábrica de hambúrguer Bataguassu, no Estado de Mato Grosso do Sul.

Nos EUA, onde controla a National Beef - o quarto maior frigorífico do país -, a Marfrig quer ampliar a produção de hambúrguer da megafábrica de Ohio, que deixará de ter o McDonald's como cliente exclusivo. Essa unidade tem capacidade para produzir cerca 90 mil toneladas ao ano, mas só ocupa 75% do total.

Em entrevista concedida ao Valor na sexta-feira para comentar a conclusão da venda da Keystone, o CEO da Marfrig, Eduardo Miron, não descartou a possibilidade de fazer pequenas aquisições. Na ocasião, a oferta pelos ativos da BRF no Brasil não foi tratada.

Questionado pelo Valor sobre o interesse da Marfrig no ativos da BRF na Argentina, o CEO da companhia evitou comentar transações específicas, mas não negou a possibilidade. O foco de eventuais aquisições da Marfrig, disse, são operações de industrializados à base de carne bovina. "[O ativo] pode estar na Argentina, no Uruguai. Onde nós acharmos ter retorno adequado, baseado naquele pilar de solidez financeira. Não descartamos", argumentou Miron.

No caso da Argentina, o interesse da Marfrig mostra uma mudança de status. Em abril de 2016, a empresa vendeu ao fundo chinês Foresun três frigoríficos, ficando com apenas uma unidade no país sul-americano. À época, os frigoríficos amargavam perdas derivadas da taxação às exportações, medida adotada na gestão Cristina Kirchner que reduziu severamente o rebanho do país. No entanto, o cenário agora é outro. Sob o governo do presidente argentino Mauricio Macri, as exportações foram estimuladas. "Com o câmbio [atual], a Argentina é uma operação rentável", sustentou o CEO da Marfrig.

Parte dos ativos que a BRF tem na Argentina fazem muito sentido para a nova estratégia de crescimento da Marfrig. No país sul-americano, a BRF controla a Quickfood, uma companhia listada na bolsa de Buenos Aires. Dona da Paty, a marca líder em hambúrguer no Argentina, e de um abatedouro de bovinos, a Quickfood já pertenceu à Marfrig. No fim de 2011, no entanto, a BRF vendeu parte das operações no Brasil à Marfrig e, em troca, ficou com a Quickfood. Entre janeiro e setembro deste ano, o faturamento da Quickfood totalizou 5,6 bilhões de pesos (o equivalente a US$ 150 milhões).

Em relatório divulgado em julho, o Bradesco BBI estimou que a BRF gastou US$ 112 milhões em 2011 para assumir a Quickfood. Na Marfrig, dinheiro não parece ser problema. Com a venda da Keystone, US$ 1,4 bilhão entraram no caixa na última sexta-feira. Desse total, já usou US$ 1 bilhão para quitar o empréstimo-ponte feito com Rabobank e Bradesco. Sobram, US$ 400 milhões.

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Fonte: Valor Econômico

9. Avanço da safra faz preço do leite ao produtor ter nova queda no país

O preço do leite ao produtor voltou a recuar em novembro no Brasil, mostra levantamento da Scot Consultoria. No mês passado, o produtor recebeu, em média, R$ 1,173 pelo litro do leite entregue em outubro. O valor ficou 2,5% abaixo do R$ 1,203 pagamento anterior. A queda mensal é a terceira seguida.

O analista da Scot, Rafael Ribeiro, explica que a nova retração se deve ao incremento na produção de leite no país em outubro, com o avanço da safra graças às chuvas nas regiões produtoras. “O clima mais favorável e os custos [de produção] pesando menos colaboram para este cenário do lado da oferta”, afirma.

O levantamento sobre preços da Scot foi realizado com agentes (como cooperativas e laticínios) em 17 Estados produtores brasileiros.

A pesquisa mostrou também queda nos preços do leite longa vida no atacado e no varejo de São Paulo, o maior mercado consumidor do pais, em novembro. A cotação do longa vida no atacado saiu de uma média de R$ 2,67 o litro em outubro para R$ 2,38 em novembro. No varejo, saiu de R$ 3,64 por litro para R$ 3,44 na mesma comparação. A pressão reflete a maior oferta num momento de demanda apenas “razoável”.

A expectativa, segundo Ribeiro, é que o pico da produção de leite ocorra neste mês de dezembro. Assim, a pressão de baixa deve se manter no curto e médio prazos, avalia. Ele acredita, porém, que a intensidade das quedas devem ser menores no pagamento deste mês de dezembro.

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Fonte: Valor Econômico

Agroenergia

10. EPA estabelece mandato maior para biocombustíveis em 2019

A Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) estabeleceu um mandato de biocombustíveis para 2019 ligeiramente superior ao proposto em junho passado, com espaço maior para os biocombustíveis celulósicos, produzidos a partir de biomassa (como a palha do milho e da cana).

No entanto, a EPA manteve sua projeção para as importações de etanol de cana do Brasil, que respondem pela maior parte das importações do país, em 100 milhões de galões, mesmo sendo um biocombustível avançado (com menor pegada de carbono que os convencionais).

O volume total de combustíveis renováveis que as refinarias americanas terão que misturar aos fósseis em 2019 é de 19,92 bilhões de galões. O mandato é maior do que o deste ano, de 19,29 bilhões de galões.

A quantidade de biocombustíveis convencionais dentro do mandato foi mantida em 15 bilhões de galões, semelhante aos mandatos de 2017 e 2018. O principal biocombustível convencional usado nos Estados Unidos é o etanol de milho.

O mandato foi elevado para os biocombustíveis avançados, como o etanol de cana, importado pelos americanos basicamente do Brasil. Para estes, o volume previsto para ser misturado ficou em 4,92 bilhões de litros.

Esse volume compreende os 2,1 bilhões de galões de biodiesel — que já havia sido estabelecido no ano passado — e os 418 milhões da galões de biocombustível celulósico. Esse montante para os celulósicos supera a proposta inicial, de 381 milhões de galões. O ajuste foi feito por causa de projeções maiores para a produção desses biocombustíveis, explicou a EPA, no documento final sobre a regra.

A agência americana não estabelece o percentual de mistura de etanol na gasolina, já que cada refinaria fica responsável pelo uso de diferentes biocombustíveis. Mas a EPA indicou que prevê um teor médio de mistura em 2019 de 10,11%, igual ao nível de 2017. Essa estimativa foi utilizada para determinar os mandatos do ano que vem. Quase toda a gasolina nos EUA contém 10% de etanol, mas a EPA já permite o uso do E15 e do E85 em algumas situações.

Os novos mandatos foram bem recebidos pela indústria americana de biocombustíveis e criticados pela do petróleo.

“Nós notamos que a EPA não contou prospectivamente qualquer isenção à pequena refinaria que deve emitir em 2019. Com sorte, isso significa que a EPA não está pretendendo emitir qualquer isenção à pequena refinaria em geral em 2019 porque sabe que não há racional ou base para fazer isso”, afirmou Geoff Cooper, CEO da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), em nota.

Cooper lembrou que, sob a gestão do ex-secretário Scott Pruitt, a EPA concedeu cerca de 50 isenções a refinarias para o cumprimento dos mandatos de 2016 e 2017, inclusive para grandes companhias, como a Chevron e a Andeavor, que bateram recordes de lucro naqueles anos.

“Como resultado direto dessas isenções, os produtores americanos de etanol e as famílias de produtores passaram por uma destruição da demanda e estão enfrentando agora o maior desafio econômico em anos”, acrescentou o CEO da RFA.

Já a indústria do petróleo criticou os mandatos estabelecidos pela agência ambiental e voltou a argumentar que as regras prejudicam os consumidores, atacando sobretudo a permissão para o uso do E15 durante o ano todo. Em nota, o diretor de vendas e operações industriais do Instituto Americano do Petróleo (API, na sigla em inglês), Frank Macchiarola, afirmou que “os fabricantes de carros alertaram que o aumento das misturas de etanol, como o E15, pode prejudicar as garantias dos carros”. Ele disse que 75% dos veículos nas ruas dos EUA hoje podem potencialmente ter custos de reparo por causa disso.

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Fonte: Valor Econômico

11. China deve dar novo fôlego ao mercado de etanol

Depois de quase uma década desde o último grande ciclo de investimentos no mundo, o etanol voltou a ganhar destaque na agenda mundial de fontes renováveis de energia e pode ganhar novo impulso. A demanda pelo combustível tende a crescer a partir de 2020, quando a China adicionará 10% de álcool à gasolina. O governo chinês quer reforçar sua luta contra a poluição e, ao mesmo tempo, escoar parte de seu gigantesco estoque de excedentes de milho para a produção do combustível.

Além disso, os Estados Unidos decidiram ampliar o uso do etanol na gasolina de 10% para 15%. Já o Canadá estuda criar um programa semelhante ao brasileiro Renova Bio, que estimula a matriz energética renovável.

A aproximação entre o Brasil e os EUA prometida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, também favorece o etanol. Uma década atrás, o combustível era um dos principais pontos de interesse comum entre os dois países, praticamente os únicos produtores. Havia um projeto dividido pelas duas nações de transformar o álcool numa commodity, um produto com cotação internacional baseada em oferta e demanda, como acontece com os derivados de petróleo. Os dois países também firmaram convênios para ampliar o universo de fornecedores, financiando pesquisa e produção na África e no Caribe.

Demanda ambiental

Os planos, porém, não deram certo. As multinacionais reduziram o apetite pelas usinas de açúcar e álcool, e o ciclo de investimentos no Brasil, realizados no período de 2003 a 2010, de cerca de US$ 15 bilhões, não se repetiu. Essa frustração foi causada pela descoberta de petróleo na camada pré-sal, pela revisão de prioridades na política externa americana e pelo congelamento de preços da gasolina no governo Dilma Rousseff, que fez o álcool combustível perder competitividade.

O etanol não virou uma mercadoria internacional porque só há dois grandes produtores, que também são os dois únicos grandes consumidores: Brasil e EUA. Mas isso pode mudar com a entrada de China e outros países nesse mercado. Para o Itamaraty, ainda não está claro o impacto que o aumento da mistura de etanol na gasolina pela China e sua ainda crescente frota terá nas exportações brasileiras para aquele país. No campo da aliança diplomática, no entanto, efeitos positivos da decisão chinesa são esperados: a bioenergia está ganhando espaço nos fóruns internacionais, e o Brasil é um dos países mais citados.

Segundo a Agência Internacional de Energia, o Brasil é o país com matriz energética menos poluente do mundo e com a maior participação de renováveis entre os grandes consumidores globais. A previsão é que fontes renováveis saltem de 43% para 45% do consumo de energia do país até 2023, com destaque para as áreas de transporte e indústria.

“O fato de os países pensarem em aumentar a mistura nos combustíveis, como parte da agenda de redução de emissões de gases de efeito estufa, abre uma perspectiva em termos de demanda”, diz a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, que ressalta a necessidade de o Brasil investir também em outros tipos de biocombustíveis. “Faz tempo que o setor não investe em expansão de capacidade. O etanol representa 80% da produção de biocombustíveis”.

Elizabeth Farina lembra que alguns países foram desestimulados a prosseguir com investimentos em biocombustíveis por causa da controvérsia internacional sobre o uso de soja, milho e cana-de-açúcar com essa finalidade, e não para alimentar a população. Há dez anos, alguns especialistas chegaram a afirmar que o Brasil e os Estados Unidos, ao aumentarem o cultivo de produtos para os biocombustíveis, estavam contribuindo para a inflação mundial do preço dos alimentos.

A celeuma foi superada, e um grupo de 20 países, que inclui Brasil, EUA, China, Reino Unido e França, deve apresentar na Conferência da ONU para o Meio Ambiente, a COP-24, iniciada ontem na Polônia, um documento em defesa da expansão dos investimentos em bioenergia, voltada para a produção de combustíveis.

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Fonte: O Globo/NovaCana

12. Paulo Roberto de Souza deixa presidência da Copersucar, será substituído por João Roberto Teixeira

O presidente-executivo da brasileira Copersucar, uma das maiores empresas de açúcar e etanol do mundo, Paulo Roberto de Souza, está deixando o cargo, informou a empresa nesta sexta-feira.

A Copersucar, parceira da Cargill na maior trading de açúcar do mundo, a Alvean, disse que Souza está saindo por motivos pessoais.

Segundo a empresa, João Roberto Teixeira, que liderou o banco Votorantim por vários anos, será o novo presidente executivo a partir de segunda-feira.

Souza comandou a Copersucar por nove anos e foi uma pessoa chave por trás do acordo com a Cargill para criar a Alvean.

A Copersucar registrou receita líquida de 28,6 bilhões de reais na safra 2017/18, segundo informação do site da empresa, que comercializou no período 4,5 milhões de toneladas de açúcar e 4,3 bilhões de litros de etanol.

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Fonte: Reuters/NovaCana

Grãos e grandes culturas

13. Exportações brasileiras deverão aumentar 30%

O país deve fechar o ano com exportações de 34,5 milhões de sacas de café, segundo estimativa do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Se confirmado, o volume será quase 13% superior ao de 2017 (30,7 milhões).

Com esse desempenho, o país deve recuperar parte da participação perdida no mercado internacional no último ano, disse Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, em entrevista durante o Encafé - Encontro Nacional das Indústrias de Café, que acontece em Punta del Este, no Uruguai.

Em 2017, a participação do país nas exportações globais de café ficou em 25,8%. Em 2015, havia atingido 32%. "A participação deve voltar para cerca de 30%", afirmou Matos. Os números de exportação incluem café verde, solúvel e torrado e moído.

O Brasil perdeu participação do mercado internacional em 2017 porque houve menos café disponível para exportação, principalmente da espécie conilon. A oferta de conilon foi limitada porque o principal Estado produtor, o Espírito Santo, sofreu duas safras seguidas com a seca.

A produção capixaba começou a se recuperar na safra 2017/18, mas foi na atual temporada que ganhou mais fôlego, avançando quase 50%. Com isso, a colheita total no país chegou a 13,9 milhões de sacas de conilon, 30% acima do ciclo 2017/18, segundo a Conab.

Entre janeiro e outubro, as exportações brasileiras de café somaram 27,5 milhões de sacas, 10,3% mais que no mesmo período de 2017. As exportações de arábica, na mesma comparação, cresceram 2,6%, para 22,408 milhões de sacas e as de conilon, impressionantes 874,5%, para 2,072 milhões de sacas, de acordo com o Cecafé.

Segundo Matos, a expectativa de que as vendas externas superem a marca de 34 milhões de sacas se deve ao ritmo forte dos embarques neste quarto trimestre.

Em palestra no Encafé, o analista do Rabobank, Guilherme Morya, destacou que o Brasil conseguiu se recuperar no mercado de exportações este ano e estimou que em 2019 os embarques de conilon podem crescer ainda mais, diante da expectativa de um aumento da produção da espécie na safra 2019/10.

O Rabobank estima que o Brasil deve produzir entre 55 milhões e 56 milhões de sacas de café na safra 2019/20 ante 56,8 milhões de sacas que projeta para a atual temporada. Do volume total estimado para o próximo ciclo, o banco projeta que a produção de arábica deve ficar entre 37 milhões e 38 milhões de sacas e a de conilon entre 17 milhões e 18 milhões de sacas.

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Fonte: Valor Econômico

14. Guaraná movimenta economia, do interior

Fabricantes de bebidas presentes no polo industrial da Zona Franca de Manaus estão adotando a estratégia de desenvolver pequenos produtores de guaraná, fruto nativo da Amazônia, no sentido de obter matéria-prima e ao mesmo tempo associar a melhoria de renda à conservação ambiental. "Na Amazônia são necessárias novas relações de compra, diferentes das tradicionais, capazes de valorizar atividades econômicas que não derrubam árvores, por meio do diálogo e visão de longo prazo", afirma Flávia Neves, gerente de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil.

Das 200 toneladas de guaraná que abastecem a empresa, metade provém de cultivos próprios de larga escala e o restante é obtido junto à agricultura familiar em 11 municípios amazonenses, por meio de parceria para acesso a mudas e assistência técnica à produção consorciada com mandioca, cupuaçu e outros alimentos. A melhoria dos índices sociais e econômicos tem se traduzido na redução do êxodo para as periferias da capital. Há o esforço de conciliar as oportunidades no interior a modelos produtivos mais sustentáveis: "Precisamos de uma economia regenerativa, em que a preocupação vai além de unicamente conservar", adverte Flávia.

Hoje o concentrado de guaraná para refrigerantes é item de exportação da Zona Franca. Em 2017, a empresa investiu R$ 17 milhões em tecnologias e compra de insumos regionais, com sistema que rastreia o produto para garantia de origem no Amazonas. As atuais iniciativas resultam da experiência obtidacom o beneficiamento de açaí, em Carauari (AM), no médio- Juruá, para suprir a fabricação de uma nova marca de suco que posteriormente acabou descontinuada por razões de mercado - mas ficou como legado o fortalecimento dos produtores para arriscar o empreendimento de novos negócios, como a venda matérias-primas à indústria de cosméticos.

No mesmo caminho, a concorrente Ambev, com quatro fábricas e um centro de distribuição em Manaus, desenvolve ações junto a produtores tendo como cenário o município de Maués (AM) - berço do guaraná, ícone do conhecimento tradicional indígena na localidade. Cerca de 90% do abastecimento é suprido por 2 mil famílias, assistidas para o plantio em sistema agroflorestal e para o beneficiamento inicial dos grãos, destinados à fabricação do extrato. Apenas 10% da demanda tem origem nos cultivos da Fazenda Santa Helena, mantida pela empresa no município, com 1.070 hectares.

No total são fabricados por ano cerca de 500 mil kits de concentrado de guaraná, usados na composição dos refrigerantes. "É preciso manter viva a cultura enraizada desde os tempos das antigas lendas", afirma Edvaldo Galetti, gerente fabril na região, onde a Ambev opera um viveiro com capacidade para produzir 60 mil mudas por ano para entrega aos lavradores. Em paralelo, são desenvolvidos projetos de infraestrutura - como investimento em câmaras frigoríficas para estoque de polpas de frutas - que ajudam a viabilizar a produção rural.

No Projeto Aliança Guaraná de Maués, conduzido em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, a indústria estimula o desenvolvimento de ações coletivas voltadas à melhoria da qualidade de vida, preservação da identidade cultural e criação de alternativas econômicas, como a criação de roteiros de turismo para incentivar o conhecimento da cadeia produtiva do fruto.

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Fonte: Valor Econômico

15. Citrosuco inicia operação de 5º navio, com capacidade de 27 milhões de litros

A Citrosuco, umas das principais companhias globais de suco de laranja, inicia, em dezembro, a operação do quinto navio para exportação da bebida. Batizada de Citrus Vita Brasil, a embarcação tem capacidade de transporte de 27 milhões de litros de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) e de suco não concentrado (NFC). Os investimentos não foram divulgados.

A embarcação fará o transporte de suco de laranja para Estados Unidos e Europa. A viagem inaugural será realizada no início de dezembro, ao Estado norte-americano da Flórida. "O Citrus Vita Brasil possibilitará maior capacidade de transporte, bem como maior flexibilidade de distribuição de suco de laranja para os nossos clientes, de maneira a atender à demanda dos diferentes mercados", informou Mário Bavaresco Júnior, presidente da Citrosuco. A Citrosuco opera com o fornecimento de suco para clientes em mais de 100 países na América, Europa, Ásia, África e Oceania.

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Fonte: Estadão/Globo Rural

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