Conjuntura do Agronegócio

1. Países da OIMA promovem troca de experiências sobre sistema de informações agrícolas

A expertise na produção de dados agrícolas aplicados ao fortalecimento do sistema de informações do continente americano e a transparência do mercado são os temas discutidos durante a XVIII Reunião Ordinária dos países-membros da Organização de Informações de Mercado das Américas (OIMA), que termina nesta quarta-feira (10). O encontro conta com a participação dos representantes de 33 nações, entre elas a do Brasil, integrada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“A reunião periódica do grupo garante a integração e intercâmbio de dados e conhecimentos entre os países integrantes da Organização”, reforça a gerente de Informações Técnicas da Conab e delegada do Brasil na OIMA, Edna Matsunaga. “Isso nos permite aprimorar a qualidade das informações fornecidas, que são as principais ferramentas para elaboração de políticas públicas com foco no desenvolvimento dos países”.

A XVIII Reunião Ordinária da OIMA teve início na última terça-feira (9) e é realizada em São José, na Costa Rica. O encontro dos países termina nesta quarta-feira (10).

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Fonte: Conab/Agrolink

2. Embaixador da Palestina pede que Brasil "fique longe" de conflito

O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, pediu que o Brasil “fique longe” do conflito entre palestinos e israelenses, depois de um jantar promovido pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) entre o presidente Jair Bolsonaro e embaixadores de 37 países islâmicos na quarta feira (10).

A ideia do jantar era desfazer o mal-estar criado com os países árabes pela recente visita de Bolsonaro a Israel e a ideia de mudar a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém, que o presidente brasileiro sinaliza que irá concretizar até o fim do mandato.

Ao fim do encontro, jornalistas perguntaram ao chanceler Ernesto Araújo e ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSLSP), filho de Bolsonaro e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, se a ideia de mudar a embaixada continuava de pé. Diante da ausência de respostas, o embaixador palestino pegou o microfone.

“Se me permite. Este conflito não é do Brasil. De modo que vamos manter as boas relações com o Brasil e desejamos ao Brasil o melhor. Fiquem longe desse conflito”, afirmou. Alzeben.

Depois da fala de Alzeben, ficou nítido o clima de constrangimento entre as autoridades brasileiras. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não quis comentar e acabou fazendo apenas um breve agradecimento aos presentes.

Bolsonaro não falou com jornalistas, mas discursou durante menos de dois minutos no jantar, tirou fotos com embaixadores, comeu e foi embora — o que desagradou membros do agronegócio.

Em sua breve fala, o presidente disse querer que os laços comerciais entre o Brasil e os países árabes “cada vez mais se transformem em laços de amizade, de respeito e de fraternidade”. E prometeu fazer uma viagem para visitar alguns países da região.

O presidente vem sendo desaconselhado a mudar a embaixada para Jerusalém, tanto pelo agronegócio como pela ala militar do governo.

Há duas semanas, em visita a Israel, o presidente anunciou a abertura de um escritório de representação comercial em Jerusalém, que é reivindicada como sua capital tanto por israelenses como por palestinos. Países árabes protestaram, assim como o grupo radical palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

Segundo a CNA, os países árabes somados ocupam a terceira colocação entre os principais importadores do setor. Em 2018, as vendas do agronegócio brasileiro a esses países somaram US$ 16,4 bilhões. Ficaram atrás somente da China (US$ 35,6 bilhões) e da União Europeia (US$ 17,8 bilhões).

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Fonte: Valor Econômico

3. Brasil põe em xeque condição especial de China e Índia na OMC

A China e a Índia começam a reagir mais ostensivamente ao anúncio de que o Brasil abrirá mão do Tratamento Especial e Diferenciado (TED) em futuros acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) em troca do apoio dos Estados Unidos à sua entrada na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O anúncio brasileiro elevou a pressão sobre Pequim e Nova Delhi. Mas, na direção oposta à do Brasil, a China avisou nesta semana que não vai abdicar do TED. O porta-voz do Ministério de Comércio, Gao Feng, observou que Pequim manterá firme sua posição, mesmo o Brasil tendo concordado com a demanda americana.

Os chineses continuam a se intitular “a maior nação em desenvolvimento do mundo”. Mas, na prática, sabem que não haverá qualquer acordo na OMC com Pequim obtendo tratamento diferenciado para implementar novos compromissos de liberalização.

A Índia, por sua vez, organiza uma reunião com ministros de vários países em desenvolvimento nos dias 13 e 14 de maio, em Nova Delhi, para discutir uma coalizão pela defesa de seus interesses na reforma da OMC. Um dos temas da agenda é justamente a manutenção do TED, alegando a condição de país em desenvolvimento.

O Brasil foi convidado por Nova Delhi para participar da reunião de ministros. Brasília avalia ainda quem será o representante. Visivelmente, não será no nível de ministro, reduzindo a importância que dará ao evento.

Na cena comercial, as reações informais à decisão brasileira de abrir mão do TED em futuros acordos têm sido de elogio por países desenvolvidos e de preocupação por nações em desenvolvimento.

Vários parceiros demonstram não terem entendido ainda o real impacto da posição brasileira. O Itamaraty tentou dar uma resposta com uma nota que divulgou recentemente.

O Itamaraty diz que o anúncio feito em 19 de março, em Washington, de que o Brasil começará a abrir mão de TED nas negociações da OMC, não implica qualquer alteração ou redução da flexibilidade já existente em certas regras dos acordos comerciais vigentes.

Destaca ainda que a flexibilidade, que “resultou de extensas negociações no passado e não será rediscutida”, varia conforme os acordos e o grau de desenvolvimento de grupos de países.

Exemplifica que: no Acordo sobre Salvaguardas, os países em desenvolvimento, dependendo do nível de suas exportações, são isentos de medidas protecionistas aplicadas por parceiros comerciais; no Acordo de Agricultura, a tais países é permitido porcentagem maior de concessão de subsídios à produção; no Acordo Trips (sobre propriedade intelectual), os países em desenvolvimento ganharam prazo adicional (já concluído) para a implementação de compromissos hoje válidos para todos os membros da OMC; e, no Acordo de Facilitação de Comércio, aqueles países puderam associar o cumprimento de obrigações a prazos e recebimento de assistência técnica.

Esses benefícios e todos os demais previstos nos acordos vigentes se mantêm integralmente, diz o Itamaraty. “A variedade das medidas de TED e o fato de que algumas delas valeram apenas por um período demonstram que o TED é dinâmico e evolutivo”, acrescenta.

A partir de agora, a expectativa é que o governo não formalize que abre mão do status de país em desenvolvimento. O que acontecerá nas negociações é que o Brasil não buscará o tratamento diferenciado, como no passado. China e Índia, pelo menos na retórica, continuam buscando, até que tenham de rever suas posições em futuros acordos.

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Fonte: Valor Econômico

Insumos

4. Heringer propõe pagar apenas 20% das dívidas

Em recuperação judicial desde fevereiro, a Fertilizantes Heringer propôs ontem um plano que prevê o pagamento de apenas 20% das dívidas com os principais credores - a classe dos quirografários, sem garantia real, tem R$ 1,7 bilhão a receber, mais de 80% da dívida total de R$ 2 bilhões da companhia.

A proposta da empresa, que precisa da aprovação da maioria dos credores, também prevê a venda sete unidades misturadoras de fertilizantes, com as quais a Heringer pretende angariar R$ 315 milhões.

As unidades à venda estão localizadas em Uberaba (MG), Rosário do Catete (SE), Três Corações (MG), Dourados (MS), Rio Verde (GO), Porto Alegre (RS) e Rio Grande (RS).

Caso atinga a meta de levantar R$ 315 milhões com a venda das unidades, a Heringer usará parte relevante (R$ 130 milhões) para pagar credores que tem algum tipo de garantia sobre as unidades (alienação fiduciária ou hipoteca). Se enquadram entre esses credores a mineradora Copebras (R$ 35,7 milhões), a produtora americana de fertilizantes Mosaic (R$ 14,1 milhões), o Banco do Brasil (R$ 43,7 milhões), e as empresas russas de fertilizantes Uralkali (R$ 18,7 milhões) e Eurochem (R$ 17,8 milhões). Com exceção do banco, fornecem matéria-prima à Heringer.

Se o plano de recuperação for aprovado nos moldes propostos, somente os credores trabalhistas receberão integralmente as dívidas, caso tenham menos de 150 salários mínimos a receber. A Heringer deve R$ 29,1 milhões para os trabalhadores. A intenção da empresa é pagar a maior parte desses débitos com a venda de imóveis urbanos e rurais, que podem render R$ 25,7 milhões.

Pelos termos do plano, a Heringer terá dois anos de carência para começar a pagar as dívidas com os credores quirografários, que receberão 20% (em torno de R$ 340 milhões) da dívida de R$ 1,7 bilhão, em um prazo de 15 anos. As parcelas serão semestrais. No caso dos credores com garantia real, que têm R$ 271 milhões a receber, a Heringer propôs pagar 60% desse valor.

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Fonte: Valor Econômico

5. Bolsonaro assume riscos para anistiar dívidas de ruralistas

Apesar de a Advocacia-Geral da União (AGU), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Receita Federal apontarem risco de crime de responsabilidade e restrições orçamentárias nas contas do governo, o presidente Jair Bolsonaro deve mandar para o Congresso um projeto de lei para anistiar parte das dívidas bilionárias contraídas pelo setor de agronegócios com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).

Bolsonaro vem sendo pressionado por deputados da bancada ruralista e por produtores, que planejam um gigantesco protesto em Brasília, em maio, para cobrar seu compromisso de campanha feito com o setor, que o apoiou em peso nas eleições do ano passado. Intitulado “Verde e Amarelo”, o movimento espera reunir 50 mil produtores na feira Expo Brasília.

Na última terça-feira, Bolsonaro avisou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que mandará um novo projeto de lei em regime de urgência sobre o assunto. A conversa se deu durante a marcha dos prefeitos na capital federal, disse Maia ao Valor.

No dia anterior, Maia tinha revelado que Bolsonaro pediu no fim do ano a aprovação do projeto 9.252/2017, do deputado ruralista Jerônimo Goergen (PP-RS), que concede anistia total às dívidas, mas recomendou que o governo aguardasse para ter todos os dados porque o custo giraria em torno de R$ 30 bilhões à epoca, segundo estimativas da equipe econômica.

“Eu disse: presidente, aguarda o ministro (da Economia) Paulo Guedes assumir e vamos discutir isso no começo do seu governo, o impacto é muito grande”, contou, para justificar que o Legislativo terá responsabilidade fiscal.

Quando esteve no Ministério da Agricultura em fevereiro para tentar acalmar a ira do setor agropecuário com o fim das tarifas antidumping ao leite em pó europeu, Guedes inclusive disse pessoalmente para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ser totalmente contra a concessão de perdão das dívidas do Funrural, apurou o Valor.

Tereza sempre se opôs a anistias e foi a principal articuladora da lei que criou um Refis para renegociar os débitos do Funrural, mas que até hoje arrecadou apenas R$ 35 milhões diante da baixa adesão dos produtores, muitos deles que tiveram renovada a esperança de um perdão de suas dívidas após o compromisso de campanha de Bolsonaro.

Agora, órgãos técnicos de governo passaram a alertar dos riscos de um projeto de remissão fiscal ferir o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que proíbe qualquer renúncia fiscal sem que o governo indique receita equivalente para cobrir o eventual rombo. E recomendam que, caso o Congresso aprove uma proposta de lei nesse sentido, o presidente poderia incorrer em crime de responsabilidade fiscal, com pena de sofrer um processo de impeachment no futuro.

Em audiência pública na Câmara, nesta semana, o procurador-adjunto da Dívida Ativa da União e FGTS da PGFN, Cristiano Neuenschwander, argumentou que a atual Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), veda a concessão de qualquer tipo de benefício fiscal em 2019. E o auditor fiscal da Receita, Marco Hubner, explicou que a proposta de uma anistia de dívidas do Funrural “entraria em choque” com a própria reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro, cujo texto atual proíbe remissões e anistias a contribuições sociais.

A AGU também aponta dificuldades no projeto de Goergen, no entanto, sob orientação do Executivo, o órgão já busca alternativas nesse novo PL, a ser encaminhado por Bolsonaro, na tentativa de contornar essas resistências legais. Uma alternativa seria propor tetos para anistia aos produtores, deixando de fora muitos devedores, no sentido de reduzir o impacto total, previsto hoje em R$ 11 bilhões.

“A Casa terá que ouvir os órgãos técnicos quanto ao impacto orçamentário, mas havendo decisão política de se regulamentar essa cobrança, há um espaço muito grande para se construir um PL e trabalhar essas questões, tendo cuidado com renúncia de receita, concessão de perdão”, disse o diretor do Departamento de Patrimônio Público e Probidade da AGU, Vanir Fridriczewski, na mesma audiência sobre Funrural.

Diante dessa nova sinalização da AGU, o deputado Goergen defende um novo texto para o PL de remissão do passivo do Funrural, desde que se faça uma adequação orçamentária. E a bancada ruralista admite que é possível acelerar a tramitação do PL.

“O Executivo pode propor um novo projeto, mas já que tem um PL na Câmara seria melhor o governo apresentar um substitutivo. Existe uma ansiedade muito grande, porque o fato de o presidente declarar na campanha que ia ter anistia fez muitos produtores esperarem e agora estão no limbo”, disse o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS).

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Fonte: Valor Econômico

6. Industria de fertilizantes especiais cresce 19,3%

A indústria brasileira de fertilizantes especiais acabou registrando um crescimento de 19,3% no ano de 2018 sobre 2017, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). De acordo com a pesquisa, a previsão é de uma expansão em torno de 21% no faturamento do setor em 2019.

Em 2018, o percentual representa um faturamento bruto de R$ 7,6 bilhões, sendo que o segmento de fertilizante foliar representou 71% do total faturado. Na sequência vem o fertilizante organomineral, com 12% de participação, condicionadores de solo, com 10%; fertilizante orgânico, que teve 4%; e substrato para plantas, com 3% da receita global.

“Do faturamento total do setor, 83,6% foram oriundos de produtos nacionais e 16,4% vieram de importações. Em termos de categorias comercializadas, os fertilizantes organominerais foram os que registraram maior crescimento de vendas, com avanço de 21% sobre o resultado de 2017”, indicou a Abisolo.

Quando levados em consideração os tipos de culturas, o estudo indicou que 47% das vendas totais do setor tiveram como destino a lavoura da soja, seguida de frutas, hortaliças e legumes (11%), milho (11%), café (9%) e a cana-de-açúcar, ficando com 6%. O restante foi dividido entre citros, algodão, feijão, pastagem, arroz, reflorestamento e plantas ornamentais.

Nesse cenário, foram comercializados 815,9 milhões de litros, sendo que, desse total, 54% foram de fertilizantes foliares, com um total de 441,3 milhões de litros. Os organominerais atingiram a marca de 373,3 milhões de litros.

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Fonte: Agrolink

Proteína Animal

7. Um cataclismo sanitário jamais visto

Na entrada da frigorífico da JBS na pequena Greeley, no Estado americano do Colorado, os corredores que levam ao interior da indústria são decorados com quadros de bandeiras indicando os países para os quais a unidade, que abate 5 mil cabeças de gado diariamente, embarca cerca de 30% da produção.

Ao que tudo indica, a bandeira vermelha da China será cada vez mais relevante, não só em Greeley, mas nas quase 200 unidades da JBS nos quatro cantos do mundo. Com um faturamento de mais de R$ 180 bilhões por ano, a companhia brasileira julga estar em posição privilegiada para atender as necessidades de um país que passa por um cataclismo sanitário. Desde agosto passado, os chineses sacrificaram mais de 1 milhão de suínos infectados pelo vírus de peste africana.

"Nunca vi nada parecido do ponto de vista de potencial impacto em uma região tão relevante na produção de uma proteína", afirmou, em entrevista a jornalistas, o CEO da JBS USA, André Nogueira. A China é responsável por cerca de 50% do consumo global e, de acordo com os analistas do banco holandês Rabobank, a produção do país pode diminuir 20%.

A tendência é que a doença, que está se espalhando e já atingiu Vietnã, Tibete e África do Sul, movimente as placas tectônicas da indústria global de carnes, alterando o fluxo de comércio por pelo menos três anos, afirmou o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.

O executivo da gigante de alimentos destacou que não apenas a JBS, mas todo o setor sentirá mudanças na demanda de carne bovina, suína e de frango. Em recente relatório, o Bank of America (BofA) avaliou que as brasileiras JBS e BRF são as mais bem posicionadas entre as empresas nacionais para enfrentar esse cenário de maior demanda. BRF e JBS são,respectivamente, as duas maiores agroindústrias de carne suína do país. Marfrig e Minerva, também listadas na bolsa, só produzem carne bovina.

Como não haverá oferta suficiente para abastecer a perda da produção chinesa de carne suína, as outras proteína serão beneficiadas, sustentaram os executivos da JBS. "A China vai importar mais as três proteínas para tentar suprir esseburaco", afirmou Nogueira, ressaltando que o número de casos da doença pode ser bem maior do que os já conhecidos.

O executivo da JBS USA ponderou que ainda é cedo para dimensionar o impacto do surto na China, mas demonstrou estar convencido de que a questão levará tempo para ser solucionada pelo governo chinês.

"Provavelmente, para que consiga erradicar essa doença, a China terá que mudar consideravelmente seu sistema de produção", acrescentou, lembrando que entre 40% e 50% do plantel chinês é criado no quintal. Entre especialistas, o consumo de restos de comida (lavagem de porco) foi associado à rápida contaminação. "Controlar essa doença dessa forma é praticamente impossível", afirmou Nogueira.

Diante do surto de peste suína africana, os preços da carne no mercado chinês já estão aumentando, mas ainda não é possível projetar o impacto das cotações mais altas sobre o consumo do país asiático, disse o executivo. Certo mesmo é queas importações da China crescerão. "Claramente a China já está se movimentado para importar mais. E isso nos impacta em diversos cenários", ressaltou o executivo da JBS.

Por ora, o benefício da demanda adicional da China deve ser indireto para a JBS e as demais indústrias dos Estados Unidos. Apesar de serem um dos maiores exportadores globais de carne suína, os americanos vendem, principalmente,para Japão, Coreia do Sul, México e Canadá. No caso da China, as vendas dos EUA também são prejudicadas pelas sobre tarifas aplicadas por Pequim ao produto americano desde o ano passado, na esteira da guerra comercial deflagrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump - no momento, Washington e Pequim negociam um acordo que poderá beneficiar as vendas de carne.

"Se a China importar direto, ela vai passar a ser um mercado relevante para os EUA. Já existe demanda hoje da China de comprar dos Estados Unidos mesmo com a tarifa de 60%, o que é um sinal de necessidade", afirmou ele. E, mesmo que isso não aconteça e as rusgas entre os dois países não se resolvam, a JBS ainda será beneficiada, ressaltou.

"Se isso não acontecer, não tem problema. O Brasil e a Europa vão exportar mais carne suína à China. E sendo o Velho Continente um importante competidor dos EUA, a Europa vai exportar menos para o Japão e Coreia, abrindo espaço para que esses países comprem mais dos Estados Unidos", projetou ele.

Conforme os dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos respondem por mais de 30% das exportações globais de carne suína; a União Europeia, por cerca de 35%; e o Brasil, por 8,4%.

Afora o benefício indireto para as exportações americanas de carne suína, a JBS se beneficiará diretamente nas exportações de carne bovina. De acordo com Nogueira, esse impacto positivo já está ocorrendo. Neste ano, a JBS dobrou as exportações de carne bovina para a China a partir da Austrália, disse o executivo. A companhia brasileira tem nove abatedouros na Oceania.

Notícia na ítnegra

Fonte: Valor Econômico

8. Marfrig acirra disputa por hambúrguer do McDonald's

À frente das operações da fábrica de hambúrguer de Várzea Grande (MT) há pouco mais de uma semana, a Marfrig Global Foods acirrou a competição pelas contas das grandes redes de fast food. O Valor apurou que a companhia está em tratativas avançadas para se tornar, no médio prazo, o maior fornecedor do McDonald's no Brasil.

Com cerca de 970 restaurantes no país, a rede que faz o Big Mac consome, mensalmente, 3 mil toneladas de hambúrguer, de acordo com duas fontes.

Segundo estimativas de mercado, o produto fornecido para o McDonald's sai por aproximadamente R$ 13 por quilo. O contrato anual, portanto, é de mais de R$ 450 milhões.

A reportagem apurou que a Marfrig se estrutura para fornecer 70% da demanda da rede de restaurantes - o que deve render mais de R$ 300 milhões anuais. Para tanto, a companhia conta com as boas relações de seu fundador, Marcos Molina, com o empresário Woods Staton, presidente da Arcos Dourados, a master franqueadora do McDonald's na América Latina. A Marfrig já fornece o produto às lojas da rede na Argentina e no Uruguai. A empresa também é grande fornecedora nos EUA, onde possui uma megafábrica no Estado de Ohio.

Atrair a Marfrig também é do interesse do McDonald's, para diversificar o rol de fornecedores e conferir maior poder de barganha nas negociações para a aquisição da principal matéria-prima da rede.

Procurada pelo Valor, a Marfrig não comentou. Também procurado, o McDonald's respondeu, em nota, que "não confirma as informações".

Com a Marfrig no páreo, a JBS deixará de reinar absoluta no mercado de hambúrguer - a empresa dos Batista fabrica o produto em Lins (SP) e Campo Grande (MS).

Desde 2017, a JBS é fornecedora exclusiva de hambúrguer ao McDonald's no Brasil. Naquele ano, a companhia desbancou a BRF, que até então fornecia parte do hambúrguer da rede. A perda do icônico contrato de hambúrguer aconteceu em meio ao encolhimento da divisão de food service da dona das marcas Sadia e Perdigão.

Desde 2017, a JBS é fornecedora exclusiva de hambúrguer ao McDonald's no Brasil. Naquele ano, a companhia desbancou a BRF, que até então fornecia parte do hambúrguer da rede. A perda do icônico contrato de hambúrguer aconteceu em meio ao encolhimento da divisão de food service da dona das marcas Sadia e Perdigão.

Para a Marfrig, a aposta em hambúrguer é uma maneira de aproveitar melhor os cortes do dianteiro bovino. Em geral, há sobra desses itens no Brasil, o que leva os frigoríficos a exportar a preços baixos para destinos como Egito. A intenção da Marfrig é atenuar esse problema, agregando valor à carne.

Na fábrica de Várzea Grande, que está em fase de habilitação para fornecer ao McDonald's, o contrato deve significar uma redução substancial da ociosidade. A unidade pode produzir 5,8 mil toneladas por mês, mas só vinha produzindo hambúrguer com as marcas Sadia e Perdigão - cerca de 50% da capacidade total. Ao adquirir a planta, a Marfrig passou a produzir hambúrguer para as marcas da BRF. Com o acréscimo de contas como McDonad's e outras redes, a capacidade pode ser ocupada.

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Fonte: Valor Econômico

9. Foco de peste suína clássica é confirmado no Piauí

O Ministério da Agricultura confirmou ontem, em nota técnica, um foco de peste suína clássica no município de Lagoa do Piauí, no Estado de Piauí. O caso levou o município a decretar estado de emergência zoossanitária também ontem.

A doença foi registrada em uma propriedade de criação familiar de subsistência (sem vínculos com estabelecimentos comerciais ou de reprodução) e ocasionou a morte de sete leitões com menos de três meses.

Segundo o ministério, o foco ocorreu fora da zona livre de peste suína clássica reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Dessa forma, não há risco de que o país perca seu reconhecimento internacional de livre da doença.

O diagnóstico foi confirmado por um laboratório federal de Defesa Agropecuária de Minas Gerais. De acordo com o ministério, estão sendo adotados os procedimentos para eliminação do foco, incluindo sacrifício dos suínos da propriedade afetada e investigações clínico-epidemiológicas em rebanhos próximos.

Desde outubro de 2018, outros 44 focos de peste suína clássica foram confirmados no Ceará, que também não integra a zona livre de peste suína clássica do Brasil.

O ministério informou que a peste suína clássica, também conhecida como cólera suína, é uma doença viral contagiosa que afeta somente suínos domésticos e selvagens e não oferece riscos à saúde humana, nem a outras espécies animais.

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Fonte: Valor Econômico

Agroenergia

10. Job estima produção de açúcar do CS em 2019/20 em 28,5 mi t; etanol em 28,3 bi l

A produção de açúcar do centro-sul do Brasil na safra 2019/20, iniciada em abril, deverá atingir 28,5 milhões de toneladas, alta de 2 milhões de toneladas na comparação com a temporada anterior, segundo previsão revisada nesta quarta-feira pela Job Economia.

Em projeção em março, a consultoria havia estimado produção entre 26,5 milhões e 27,5 milhões de toneladas do adoçante em 2019/20.

Com uma safra de cana praticamente estável ante a temporada anterior, estimada em 570 milhões de toneladas, a maior produção de açúcar resultará em queda na fabricação de etanol.

“Com menor oferta de ATR (sacarose) nesta safra entre 2 e 3 por cento e considerando que a produção de açúcar é maior, teremos como consequência que a produção de etanol de cana será menor que aquela da safra anterior”, disse a Job em nota.

Segundo a consultoria, a produção de etanol deve somar 28,3 bilhões de litros, contra uma produção recorde na safra passada 2018/19 de 30,9 bilhões de litros.

Na previsão anterior, a fabricação de etanol em 2019/20 estava estimada entre 28 bilhões e 29 bilhões de litros.

De acordo com a consultoria, as exportações de açúcar ficarão em torno de 19 milhões de toneladas, nível praticamente igual ao da safra passada.

Já as exportações de etanol do centro-sul devem oscilar em torno de 1,8 bilhão de litros, também semelhante à última safra.

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Fonte: Reuters/NovaCana

11. Etanol de milho pode corresponder a 50% da produção no Mato Grosso em 2020

A partir de 2020 deverá ser possível ver um equilíbrio entre a produção de etanol de cana-de-açúcar e milho em Mato Grosso, ou seja, cada cultura será responsável por 50% do biocombustível produzido nas usinas no estado. A previsão é do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT).

Mato Grosso produz, atualmente, 1,85 bilhão de litros de biocombustível por ano, contando com 11 indústrias instaladas, que utilizam como matéria-prima cana-de-açúcar e milho. Além disso, duas plantas devem ser inauguradas no segundo semestre de 2019 e ao menos outros dois projetos começam a ser construídos neste ano.

A expectativa é que o estado atinja a marca de 5 bilhões de litros de etanol em cinco anos. O volume deve ser alcançado pela grande oferta de milho no estado, bem como pelo incentivo criado pelo RenovaBio. Por enquanto, de acordo com o Sindalcool-MT, entre 60% e 70% da produção ainda é oriunda da cana-de-açúcar.

Para a safra 2019/2020, conforme o diretor-executivo do Sindacool-MT, Jorge dos Santos, com a entrada da operação das usinas previstas para o segundo semestre a produção total de etanol pode atingir algo em torno de 2,3 bilhões e 2,5 bilhões de litros. A safra considera o período de 1º de abril a 31 de março.

“A partir de 2020 se poderá ver um equilibro na produção de etanol de 50% de cana-de-açúcar e 50% de milho diante a entrada de novas usinas”, diz Santos.

Das 11 usinas ativas, somente a FS Bioenergia, em Lucas do Rio Verde, utiliza apenas o milho como matriz energética. Entretanto, estão previstas para iniciar as operações outras três usinas no segundo semestre de 2019: a segunda unidade da FS Bioenergia, em Sorriso; a Inpasa, em Sinop; e a Etamil, em Campo Novo do Parecis.

Além disso, a FS Bioenergia anunciou que iniciará em breve as obras de uma unidade em Nova Mutum e que já conta com projetos para Primavera do Leste e Campo Novo do Parecis. Há ainda o projeto Ethanol Bioenergia, também em Nova Mutum, do grupo mato-grossense O+ Participações em conjunto com a paraguaia Inpasa.

Alternativa para o produtor

De acordo com o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Ricardo Tomczyk, em entrevista ao Mato Grosso Agro, o uso do milho para a produção de etanol é uma alternativa a mais de comercialização para o produtor rural mato-grossense.

“Temos a criação de uma demanda de milho que não existia em Mato Grosso. É uma demanda crescente que tem garantido estabilidade de preço em algumas praças aqui do estado. Nós tínhamos uma oscilação muito grande de valor da saca do milho entre uma safra e outra e algumas praças onde essas plantas grandes estão locadas já há estimativa de estabilização do preço durante o ano”, disse.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelam para a safra 2018/19 um volume estimado de 31,943 milhões de toneladas de soja para o estado e de 28,782 milhões de toneladas de milho 2ª safra. Ao se verificar os volumes produzidos no ciclo 2016/17 se vê uma aproximação cada vez maior, uma vez que naquele ciclo 31,271 milhões de toneladas em soja foram colhidas e em milho 30,451 milhões de toneladas, ou seja, uma diferença de apenas 820 mil toneladas.

Ao ser questionado quanto a possível superação da produção do milho ante da soja o presidente da Unem afirma que isso pode ocorrer em cerca de cinco anos. “As produções já estão bastante parecidas e a estabilização dessa demanda com certeza é um incentivo a mais para a produção do milho”.

Valor ao Consumidor

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do etanol nos postos de combustíveis de Mato Grosso é o mais barato do país. Levantamento realizado em 160 postos no estado entre 31 de março e 06 de abril revela um valor médio de R$ 2,611 o litro, seguido de Goiás a R$ 2,731 e São Paulo de R$ 2,764. A maior média encontrada foi no Rio Grande do Sul a R$ 4,107 o litro.

Apesar disso, o consumidor do estado ainda acha o etanol “caro” por existirem diversas usinas produtoras do biocombustível e não haver mais entressafra na produção devido ao uso do milho.

“É uma soma de fatores para isso. O milho, por exemplo, é uma commodity internacional. Ele varia de acordo com o mercado. Os custos da cana-de-açúcar são cada vez mais altos e por isso ela não tem crescido. O óleo diesel que varia. Eu costumo dizer que o custo é sempre a soma destes pequenos detalhes”, explica Jorge dos Santos.

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Fonte: Mato Grosso Agro/NovaCana

12. Seca na Índia e aumento de consumo de etanol no Brasil elevam preço do açúcar

A natureza se uniu ao petróleo para elevar os preços do açúcar. A seca na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, fez com que a produção no estado de Maharashtra – que abriga a emblemática capital comercial do país, Mumbai, e a cidade cinematográfica Bollywood – quase atingisse as mínimas de três anos.

Isso animou a perspectiva para os preços do adoçante, principalmente por causa da restrição de oferta no Brasil, maior produtor, onde um maior volume de cana está sendo destinado à fabricação de etanol devido à disparada no petróleo.

As usinas de cana-de-açúcar locais estão focando mais na indústria energética do que nos alimentos, uma estratégia que está dando resultado graças ao poderoso rali do petróleo neste ano. Na atual safra, menos de 39% da cana triturada no Brasil deve ser destinada à fabricação de açúcar, pois o etanol continua atraindo a produção, segundo uma reportagem veiculada no mês passado pela Platts, agência de notícias de negócios do S&P Global.

A combinação destes fatores permitiu que o açúcar em bruto tivesse o melhor desempenho entre as commodities agrícolas. Os futuros de açúcar negociados em Nova York se valorizaram mais de 6% no acumulado do ano, contra um aumento de menos de 1% no cacau e uma desvalorização de quase 8% no café e 13% no suco de laranja.

Nos últimos dois anos, os futuros de açúcar em Nova York despencaram quase 40% por causa do excesso de oferta.

No fechamento de terça-feira, a 12,77 centavos por libra, os futuros de açúcar com vencimento em maio na ICE Futures, de Nova York, ainda recebiam recomendação de “Forte Compra” dos analistas técnicos do Investing.com. A resistência imediata para o contrato estava fixada a 13 centavos. Se chegar a esse nível, ele pode ter a chance de testar novamente a máxima de 2019 de 13,50 centavos, atingida em 17 de fevereiro.

A Bloomberg informou que o prolongado clima seco em Maharashtra, na Índia, estava afetando os canaviais do estado, podendo provocar uma queda de 25% na produção em relação ao ano passado, a qual atingiria apenas 8 milhões de toneladas no ano iniciado em 1 de outubro. Essa seria a maior queda desde 2016/17, quando a produção despencou quase pela metade.

A perspectiva se baseia nas estimativas da Skymet Weather Services, que prevê uma monção mais seca do que o normal para o país neste ano, o que afetaria os cultivos. Isso pode trazer um pouco de alívio a países produtores como a Austrália e o Brasil, que reclamaram junto à Organização Mundial do Comércio que os subsídios e o excesso de exportação da Índia estavam comprimindo os preços globais.

Apesar dos aspectos técnicos e dos fundamentos na Índia e no Brasil, alguns analistas, como Jack Scoville, do Price Futures Group, em Chicago, pediram cautela na hora de comprar essa disparada do açúcar. “Os fundamentos ainda sugerem que as grandes ofertas e a elevada produção na Ásia também ajudarão a colocar em xeque os ralis”, afirmou Scoville, citando a maior produção na Tailândia e no Paquistão, entre outros aspectos.

Mas ele reconhece que o Brasil tem usado uma parcela maior das suas lavouras de cana para produzir etanol em vez de açúcar, e que o clima no maior país produtor ficou mais seco do que o ideal. Nos últimos cinco anos, o direcionamento da cana para o açúcar no Brasil foi, em média, equivalente a 44% da moagem.

Mas a disparada do petróleo neste ano, que fez o West Texas Intermediate, dos EUA, subir 41% e o Brent, referência global, 31%, inclinou a balança ainda mais para lado do etanol.

A Platts afirmou que os preços do etanol brasileiro mantiveram um prêmio maior em relação às cotações do açúcar doméstico, atraindo mais produção de cana para esse fim. O aumento no consumo de combustível acima do esperado no Brasil, por sua vez, estava impulsionando ainda mais a produção de etanol.

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Fonte: Investing.com/NovaCana

Grãos e Grandes Culturas

13. 'Rei do café' perde coroa e entra em recuperação

João Faria da Silva, que já foi o maior produtor de café do mundo, está às voltas com problemas que levaram sua empresa, a Terra Forte, a entrar em recuperação judicial. Em 2014, tempos áureos, a companhia chegou a faturar R$ 1,5 bilhão e a lucrar dezenas de milhões de reais por ano, mas hoje, com dívida da ordem de R$ 1,1 bilhão, o que resta é negociar com credores e tentar atrair novos investidores.

O pedido de recuperação da Terra Forte, que tem sede em São João da Boa Vista (SP), foi deferido segunda-feira pelo juiz da 1ª Vara Cível da Comarca de Campinas, Renato Siqueira de Pretto. Como trading, a Terra Forte já chegou a responder por 7% das exportações brasileiras de café.

Há dez anos, o empresário ficou conhecido por plantar 18 milhões de pés de café e chegar a uma produção anual de 180 mil sacas da espécie arábica. O volume expressivo colocava o agricultor nascido em Piratininga (SP) não apenas como o maior produtor do país, mas do mundo. Com sete fazendas em São Paulo e Minas, a Terra Forte ainda produziu 100 mil sacas em 2018.

Segundo os advogados responsáveis pelo processo de recuperação, o intuito agora é criar uma "estrutura de endividamento" que propicie a entrada de novos investimentos. "O pedido foi feito antes de um cenário mais catastrófico. Não há uma situação de estresse absoluto e a empresa é operacional", afirmou Alexandre Faro, sócio do escritório de advocacia Freire Assis Sakamoto Violante .

"A ideia é criar espaço para receber investimentos. Não é descartado novo controlador, acionista minoritário ou mesmo um investimento em dívida. A empresa tem ativos muito valiosos", ressaltou.

O "ex-rei do café" também já teve seu nome envolvido em operação da Polícia Federal - a Rosa dos Ventos -, que investigava um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em Campinas e, vira e mexe, entra em alguma disputa com assentamentos de sem-terras. Mas, segundo o escritório Freire Assis Sakamoto Violante, foi o câmbio que tomou o seu reinado.

A depreciação do real ante o dólar foi um dos principais motivos que levaram à corrosão financeira da Terra Forte, já que grande parte da dívida é em moeda americana. A tempestade perfeita veio com a queda dos preços do café na bolsa de Nova York. "Em situações normais de temperatura e pressão, a Terra Forte não teria sofrido essa situação de estresse financeiro no curto prazo", completou Gabriel Freire, outro advogado responsável pelo caso.

A incapacidade de honrar pagamentos elevou as despesas financeiras de R$ 136,4 milhões em 2017 para R$ 724,3 milhões no ano passado. O faturamento caiu 40% em dois anos, para R$ 900 milhões. E o lucro de R$ 26 milhões de 2016 virou prejuízo de R$ 541,3 milhões em 2018. "A situação sugou toda capacidade de caixa da empresa", disse Freire.

Aproximadamente 95% das dívidas da empresa estão nas mãos de instituições financeiras e tradings - os maiores credores são Bradesco (R$ 150 milhões), Banco Cargill (R$ 106 milhões) e Banco do Brasil (R$ 128 milhões). Do total, R$ 1 milhão são dívidas trabalhistas, R$ 110 milhões têm garantia real, R$ 933 milhões não têm garantia e R$ 641 mil são com micro e pequenas empresas.

O pedido de recuperação foi feito em nome do grupo (formado por Jodil Agropecuária e Jodil Participações) e do empresário rural João Faria, sócio-fundador e controlador. "Ele avaliza todas as dívidas do grupo. Não teria como separar a recuperação do nome dele", afirmou Freire.

Recuperações judiciais em nome de empresários rurais costumam gerar polêmicas e dar pano para manga. O registro de Faria como empresário rural, alegam os advogados, existe há mais de 20 anos, mas o cadastro como empresário em uma junta comercial é mais recente. A lei exige período mínimo de dois anos de cadastro para que a recuperação judicial de uma pessoa física possa ser convertida em jurídica.

"O juiz falou especificamente sobre isso na decisão. O cadastro na junta foi recente, mas, não importa quando foi, pode processar [o pedido de recuperação judicial", explicou Alexandre Faro. A Terra Forte tem 60 dias para apresentar um plano de recuperação.

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Fonte: Valor Econômico

14. Produção de laranja desaba no cinturão formado por São Paulo e Minas

A produção de laranja no cinturão que se espalha por São Paulo, Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais alcançou 286 milhões de caixas de 40,8 quilos na safra 2018/19, conforme estimativa divulgada ontem pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), órgão mantido com contribuições de agricultores e indústrias exportadoras de suco. Em relação ao volume colhido no ciclo 2017/18, houve baixa de 28,2%.

Ainda que parte dessa queda expressiva seja consequência da bienalidade negativa da temporada - a laranja, como o café, alterna safras de maior e menor produtividade -, o volume apurado foi 11,6% menor que o resultado médio das últimas dez safras, em virtude de adversidades climáticas.

"A atuação irregular do clima na safra teve início ainda em 2017 com o atraso das chuvas da primavera, o que acarretou no florescimento mais tardio das laranjeiras. No período pós-florescimento, as altas temperaturas prejudicaram o pegamento dos frutos, o que culminou na redução do número de laranjas produzidas por árvore", explicou o Fundecitrus, em nota.

O tombo já era esperado e não teve reflexos sobre as cotações do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) ontem na bolsa de Nova York, embora o Brasil domine as exportações globais da commodity. Os contratos futuros fecharam em queda inferior a 0,7% e passaram a acumular redução de quase 20% nos últimos 12 meses, em larga medida graças à recuperação da produção da Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo, menor apenas que o de São Paulo e Minas.

E, além de os embarques do Brasil estarem em rota descendente nos últimos meses, a demanda mundial por suco de laranja também é cadente, sobretudo em razão do consumo mais fraco em mercados tradicionais como o americano e o europeu. E, no que depender da próxima safra brasileira (2019/20), a pressão continuará, já que a bienalidade será positiva e a oferta tende a crescer.

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Fonte: Valor Econômico

15. Cargill: Atividade está aquém, mas cenário é positivo para reforma

O desempenho da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano ficou em ritmo lento, afirmou Luiz Pretti, presidente da Cargill, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo. O executivo disse ao Valor nesta quarta-feira (10) que o consumo está começando a reagir e que está otimista com 2019.

Segundo o executivo da multinacional americana, a atenção do empresariado está voltada para a tramitação da reforma da Previdência, cujo cenário é positivo com as chances de aprovação, e, posteriormente, com a reforma tributária, que também deverá entrar na pauta do governo.

Em relação ao cenário para o setor, Pretti comentou que os preços das commodities agrícolas reduziram, deixando as margens apertadas. "Diante deste cenário, uma preocupação constante é a falta de infraestrutura [para escoamento da safra]".

Questionado sobre o andamento da comercialização de soja no país, o executivo respondeu que está satisfatório. Ele não enxerga uma tendência dos produtores segurarem a comercialização dos grãos porque não existe capacidade para armazenagem.

Pretti assumiu nesta quarta-feira a presidência do conselho de administração da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), que completou 100 anos. Ele comentou que entre os associados da entidade os executivos mostraram-se otimistas com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "O primeiro trimestre não registrou o crescimento dos nossos sonhos, mas foi [relevante] para a indústria e o agronegócio".

A maioria das 5 mil empresas associadas pretende contratar mais mão de obra. Essas companhias somam uma receita líquida anual de R$ 2,2 trilhões, concentrando 33% do PIB brasileiro, além de aproximadamente 3 milhões de empregos diretos. O presidente da Amcham Brasil comentou que o impacto da reforma da Previdência será muito positivo nas contas do governo, mas ressaltou que é preciso ter fôlego para outras reformas. "Todos esperamos a simplificação do sistema tributário".

Outros nomes passara a compor o grupo de conselheiros da Câmara como Antônio Trindade (Chubb), Fabian Gil (Dow), Juliana Azevedo (P&G), Luis Pasquotto (Cummins), Marcelo Marangon (Citibank), Márcia Esteves (Grey Brasil) e Viveka Kaitila (GE).

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Fonte: Valor Econômico

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