22 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Mercedes-Benz entrega lote de Sprinter à Rimatur

Vans executivas para 15 passageiros vão rodar em média 11 mil km por mês

REDAÇÃO AB

A Mercedes-Benz entregou 20 vans Sprinter para a empresa paranaense Rimatur. Os veículos têm padrão executivo, com bancos reclináveis e ar condicionado. A aquisição serve para a renovação da frota da companhia, que presta serviços de fretamento contínuo, no transporte de funcionários de empresas, e em fretamento eventual, como turismo e traslados.

“Com essa compra temos agora 170 Sprinter em nossa frota de 220 vans de passageiros”, afirma o diretor da Rimatur, Emerson Imbronizio. Todas as novas unidades são do modelo 415 CDI 15+1 (15 passageiros mais o banco do motorista). “Cada van percorre, em média, 11 mil quilômetros por mês”, recorda Imbronizio.

Nessa negociação, a empresa de transportes financiou 50% do valor total das 20 unidades. O financiamento foi feito pelo Banco Mercedes-Benz. A montadora lidera as vendas de veículos comerciais leves no Brasil na categoria entre 3,5 e 5 toneladas de Peso Bruto Total (PBT). Em janeiro foram emplacadas 978 unidades, um crescimento de mais de 70% sobre janeiro de 2018. Sua participação de mercado é de aproximadamente 40%.

22 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Hyundai tira a chave do bolso e põe no pulso

Acessório para o Creta Prestige abre a porta, dá a partida e se conecta com smartphone

REDAÇÃO AB

A Hyundai aumentou a lista de acessórios genuínos com a Key Band, uma chave presencial em forma de pulseira que já havia sido aplicada numa edição comemorativa do Creta em 2018. O item agora está disponível na versão Prestige, equipada com sistema de partida do motor por botão, recurso necessário para a atuação da pulseira.

O preço informado é de R$ 999,52, valor menor que os R$ 1,2 mil cobrados pela chave presencial. O proprietários de Creta Prestige de qualquer ano também podem comprar o acessório, mas a Hyundai recorda que apenas na rede autorizada é possível parear a pulseira com o carro.

O item atua no destravamento das portas, do porta-malas e na partida no motor. Também proporciona conectividade com smartphone pelo aplicativo Hyundai Key Band, disponível para Android e IOS.

A pulseira tem tela sensível ao toque e funciona como relógio, contador de passos, de calorias, medidor de distância percorrida e exibe notificações do celular no visor, indicando, por exemplo, quando há chamadas de voz e alarmes. Usa bateria recarregável por cabo USB e tem garantia de um ano.

21 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Fras-le chega aos 65 anos em ampla expansão internacional

Em dois anos fabricante de pastilhas e lonas de freios abriu sete novas operações

REDAÇÃO AB

A Fras-le completa 65 anos nesta sexta-feira, 22, no maior ciclo de expansão internacional de sua história. A fabricante de pastilhas e lonas de freios abriu sete novas operações no Brasil e no exterior nos dois últimos anos. Integrante do grupo Empresas Randon, atualmente o portfólio de produtos da empresa está presente em 126 países.

“A Fras-le chega aos 65 anos vivendo um momento extremamente gratificante, estamos desenvolvendo alta tecnologia, entregando satisfação a clientes e investidores, levando ao mundo produtos de alta performance”, afirma o CEO Sérgio Carvalho.

Somente em 2017 foram adquiridas três empresas na Argentina e no Uruguai e criados o escritório de vendas e o centro de distribuição na Colômbia. Na China, a Fras-le duplicou sua fábrica. No Brasil, foi selada uma sociedade com a multinacional americana Federal Mogul, hoje pertencente ao grupo Tenneco, que no início do ano seguinte resultou na formação da Jurid do Brasil, em Sorocaba (SP), com atuação no fornecimento direto a montadoras de veículos leves em toda a América do Sul.

Em 2018, a expansão internacional continuou para a Índia, com a criação da joint venture ASK Fras-le Friction. Ainda no ano passado foi iniciada a parceira com a Nucap, com a aquisição dos direitos para fabricação de plaquetas com sistema de ancoragem mecânica (NRS, de Nucap Retention System), ampliando o uso da tecnologia na linha de pastilhas comerciais. Em julho foi renovado, por mais 10 anos, o contrato com a americana Meritor, solidificando acordo que já dura mais de 20 anos para venda e distribuição de materiais de fricção para veículos comerciais nos Estados Unidos, Canadá e México.

Em outubro passado, a Fras-le realizou mais uma aquisição e ampliou seu foco de atuação, ao comprar integralmente as ações da Jofund, detentora da marca Fremax de discos de freios, em combinação com os negócios de pastilhas, adicionando assim 2.500 referências ao seu portfólio.

Somando tudo, a Fras-le está entre as cinco maiores fabricantes do mundo de elementos de fricção para freios, com fábricas no Brasil e países como Estados Unidos, Argentina, Uruguai e China. Também mantém centros de distribuição na Argentina, Colômbia, Europa e Estados Unidos, além de operações comerciais nos Estados Unidos, Colômbia, Chile, Europa, México, Emirados Árabes e África do Sul.

A empresa tem área própria de pesquisa e desenvolvimento, integrado por laboratórios químico, físico e piloto, além fazer uso do Centro Tecnológico Randon (CTR), o maior do gênero da América do Sul independente de fabricante de veículos, para homologar produtos fornecidos às principais montadoras.

21 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Volkswagen vai simplificar oferta do Up!

Montadora vai reduzir versões para melhorar a competitividade do hatch

REDAÇÃO AB

A Volkswagen promete simplificar a oferta do Up!, cujas vendas continuam patinando. Em 2018, enquanto concorrentes mais diretos como Renault Kwid e Fiat Mobi registraram 67,3 mil e 49,5 mil unidades, respectivamente, o pequeno Volkswagen anotou apenas 20,6 mil licenciamentos.

“Ainda não sei detalhes, mas certamente vamos diminuir a oferta de versões para facilitar a escolha do cliente. Fizemos isso com o Fox. Ele agora tem apenas duas versões e suas vendas aumentaram 35%”, afirma o presidente e CEO da VW para a América Latina, Pablo Di Si.

Em 2018 o veterano Fox teve 39,3 mil unidades vendidas, 90% mais que o Up! Um caminho possível seria a eliminação da opção com motor aspirado e transmissão automatizada, palavra que Di Si pretende limar do vocabulário da Volkswagen. Ficariam então duas opções, uma com motor 1.0 aspirado e outra com o 1.0 turbo.

Pelo site da Volkswagen, o Up! tem atualmente três versões: Move Up!, Cross Up! e Up! Pepper. A primeira delas tem três variações: 1.0 manual, 1.0 automatizada e 1.0 turbo manual. As outras duas (Cross Up! e Pepper) recebem o motor turbo.

Outra questão a resolver é o preço, já que o Up! mais em conta (aspirado com câmbio manual) começa em R$ 52.860. São quase R$ 20 mil a mais do que o Kwid ou o Mobi de entrada. E o Fiat Mobi sai por menos de R$ 50 mil com transmissão automatizada. Um caminho para baixar os preços do Up! seria a redução dos equipamentos de série.

21 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Scania transforma fábrica do ABC com manufatura 4.0

Áreas como a de solda de cabines é amplamente automatizada com 75 robôs conectados

SUELI REIS, AB | De São Bernardo do Campo (SP)

O investimento de R$ 2,6 bilhões que a Scania vem aplicando no Brasil desde 2016, a maior parte na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, chega ao seu ponto alto: a partir deste mês, a unidade começa a produzir a nova geração de caminhões, que foi apresentada ao mercado em 2018 e já tem pedidos que somam mais de 3 mil unidades até agora.

A preparação da fábrica exigiu esforço coletivo de equipes que foram até a Suécia para ver o modelo de manufatura que seria implantado no Brasil. A unidade de solda de cabine é uma das que mais sofreram alterações no processo de renovação e modernização do complexo industrial: foi totalmente reformulada e reestruturada a partir de conceitos de manufatura inteligente conhecidos como indústria 4.0.

Reinaugurada em agosto passado, a área de soldagem trabalha em dois turnos, com 45 pessoas cada, e agora avança no processo de aumento da produção das novas cabines. Com capacidade total para 25 mil unidades por ano em três turnos, ou 110/dia, a linha está a caminho das 50 canines/dia.

“Estamos nos preparando há mais de três anos para esse processo. A unidade de bodyshop foi especialmente refeita para a nova geração: só ela consumiu € 75 milhões. Hoje trabalhamos com 75 robôs, a unidade mais automatizada da Scania na América Latina e espelho da Suécia”, afirma o gerente responsável pela fábrica de solda de cabines, Ricardo Cruz.

A linha de solda a laser, operada por robôs, é capaz de fazer 25 modelos diferentes de cabine, incluindo as de caminhões semipesados. Os cortes necessários também são feitos a laser: as peças estampadas em aço de alta resistência são fornecidas pela Flama, do Grupo Aethra. Os robôs são responsáveis por cada ponto de solda na cabine do caminhão. Segundo Cruz, o sistema dispensa selante, usado no sistema tradicional. “Ele é infinitamente superior ao selante, que diferente do laser, desgasta com o tempo. A solda a laser, além de prevenir mais as infiltrações, deixa a cabine com aspecto muito superior, o que também contribui para a aerodinâmica.”

O gerente lembra que é por causa da nova aerodinâmica de toda a linha que os novos caminhões oferecem uma economia de até 2% no consumo de combustível. “Tudo no produto foi revisado, desde o teto até as caixas de rodas, cantos da cabine e retrovisores”, reforça.

Todo o sistema de gerenciamento monitora o fluxo de produção e qualidade, incluindo entrada de material sequenciado e prevenção de anomalias. O próprio sistema é capaz de apontar quando será necessário realizar revisões e manutenção dos ciclos robóticos a partir da coleta de dados em tempo real. Segundo Cruz, atualmente o sistema inteligente gerencia 85 mil tarefas agendadas ao longo do ano e a estimativa é de que este número suba para 100 mil tarefas/ano.

A área conta ainda com o escaneamento por fotogrametria, que fotografa o produto real feito pelos robôs e o compara com o projeto original em 3D para conferência de superfície e possíveis imperfeições.

Áreas como a de chassis, motores e transmissões também estão recebendo sistemas inteligentes de manufatura 4.0: “É mais eficiência para nosso negócio; entregar um produto com qualidade e no tempo correto”, afirma.

Outra inovação na unidade fabril que chegou com a nova geração de caminhões é a AAR, onde é feita toda a revisão minuciosa de peças produzidas pelos fornecedores da Scania. A área foi criada especialmente para o novo produto e é responsável por homologar cada um dos mais de 700 novos itens integrados aos caminhões.

“Todo o processo começou antes do início da produção, há peças que demoramos dois anos para aprovar: ela chega, avaliamos e dependendo do problema ela retorna para ajustes do molde, do projeto, até que fique dentro dos parâmetros exigidos. Existe o processo de revalidação a cada dois anos e dependendo da peça pode ser reavaliada a cada um ano”, explica o engenheiro coordenador da área.

Já a área denominada end flow é a responsável pela revisão e auditoria dos caminhões produzidos. É nela que são feitas todas as verificações, tanto visual quanto do funcionando do veículo, com testes em 100% da produção. Com capacidade para 120 caminhões por turno, a unidade faz atualmente a verificação de 85 por turno.

“Mais de 90% de todos os caminhões que passam por aqui seguem sem nenhum tipo de desvio. É aqui que o veículo recebe seu selo de qualidade”, aponta.

A última etapa da linha de revisão dos caminhões é o teste de estanqueidade: são mais de 6 mil litros de água (reaproveitável) para 10 minutos de teste.

21 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Governo de SP quer intermediar venda da Ford em São Bernardo

Empresa promete a governador manter 2,88 mil empregados no Estado; sindicato vai negociar nos EUA

PEDRO KUTNEY, AB

Dois dias após anunciar que até o fim do ano vai encerrar todas as suas atividades industriais em São Bernardo do Campo, a Ford ganhou um dublê de corretor que vai tentar vender a operação para outra montadora. Após reunião na manhã da quinta-feira, 21, com representantes a diretoria da empresa no Brasil, o governador de São Paulo, João Doria, comprometeu-se a buscar um comprador para a unidade fabril.

“O objetivo da reunião foi a preservação de empregos. Foi uma atitude de governo. Fui eu que os procurei. O Governo de São Paulo ajudará a Ford a encontrar um comprador para o parque fabril de São Bernardo”, afirmou Doria.

O governador fez a declaração durante entrevista coletiva logo após o encontro, que além de Doria contou com a participação de Henrique Meirelles, secretário de Fazenda e Planejamento do Estado, Lyle Watters, CEO da Ford América do Sul, Rogelio Golfarb, vice-presidente de assuntos governamentais, comunicação e estratégia da montadora, e Orlando Morando, prefeito de São Bernardo. Nenhum representante dos trabalhadores foi convidado.

Doria informou que, como contrapartida à pretensa corretagem oferecida pelo seu governo, conseguiu dos diretores da Ford a promessa de manter 1,2 mil funcionários que trabalham na sede administrativa instalada no mesmo complexo do ABC Paulista, além de não fazer mudanças ou cortes nas demais unidades paulistas da empresa: a fábrica de motores de Taubaté (hoje com 1.260 funcionários), o campo de provas de Tatuí (250 pessoas) e o centro de distribuição de Barueri (170), que somam assim 2.880 empregos no Estado.

Nesse sentido, não parece haver nenhuma concessão da empresa, que até o momento não demonstra intenção de fechar outras operações no Estado. Muito pelo contrário, há menos de um ano a Ford finalizou investimentos importantes na fábrica de motores e transmissões em Taubaté, com completa modernização de equipamentos e aumento de capacidade para 500 mil unidades/ano, para fazer o motor 1.5 Dragon e câmbio manual MX65 que equipam Ka e EcoSport produzidos em Camaçari (BA). Portanto, aparentemente a empresa não tem intenção de fechar esta planta.

Os maiores prejudicados com a reestruturação da empresa, portanto, são os 1,6 mil quase desempregados que trabalhavam até o início desta semana em São Bernardo nas linhas de produção dos caminhões Cargo e Série F e do hatch Fiesta (sabidamente em fim de vida já há dois anos). Acumulando prejuízos na América do Sul (declarado em cerca US$ 600 milhões no balanço de 2018), a Ford decidiu parar de fazer esses veículos no Brasil e, por consequência, encerrar atividades em sua mais antiga unidade industrial no País, adquirida da Willys-Overland em 1967.

Embora tenha prometido à Ford se empenhar para encontrar um comprador “nacional ou internacional” para a fábrica de São Bernardo a partir da segunda-feira, 25, o governador não se comprometeu em manter os empregos da unidade: “O governo não fará imposições à compradora. Nós buscaremos uma solução de mercado ao lado da Ford”, disse Doria, que embora não tenha conseguido nenhum recuo aparente da empresa, classificou o encontro como “positivo”.

A própria Ford admitiu que ao longo do ano passado tentou vender a fábrica, sem sucesso – rumores de mercado indicavam que houve negociações infrutíferas com a fabricante de caminhões DAF. Portanto, parece difícil a perspectiva de se encontrar um comprador agora. “A indústria automotiva está vivendo uma mudança global. Tivemos a ideia de trabalhar juntos para uma alternativa em relação à unidade fabril. Acharemos uma solução criativa para a instalação”, afirmou o secretário estadual de Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda no mandato-tampão de Michel Temer e ex-presidente do Banco Central na gestão do presidente Lula.

SINDICATO VAI À FORD NOS EUA E PROMETE RESISTIR

Em comunicado, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmou que representantes da entidade vão à sede da Ford em Dearborn, nos Estados Unidos, onde serão recebidos pela direção mundial da companhia para discutir o futuro da fábrica de São Bernardo. A reunião foi solicitada pelo sindicato logo após o anúncio de fechamento da planta, na terça-feira, 19. A data do encontro está sendo acertada entre os participantes e deverá ser definida nos próximos dias.

O presidente do sindicato, Wagner Santana, lamentou que representantes dos trabalhadores não foram convidados para o encontro entre diretores da empresa e membros do governo de São Paulo. Na quinta-feira o sindicalista se reuniu com a procuradora do Ministério Público do Trabalho de São Bernardo, Sophia Villela de Moraes e Silva, para discutir a situação dos empregados da Ford. Ele afirma que a entidade vai buscar de diversas formas reverter a decisão da companhia.

“Vamos à matriz discutir com a direção mundial, conversamos com prefeito da cidade, teríamos conversado com o governador na manhã de hoje se ele tivesse convidado a representação dos trabalhadores para participar, já que a pauta envolvia o futuro de milhares de metalúrgicos. Não vamos desistir de manter uma empresa com essa importância em nossa região”, destacou Wagner Santana.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmou que foi informado sobre o fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo somente na terça-feira, 19, durante reunião solicitada pela entidade com o presidente da empresa, Lyle Watters, pouco antes de a empresa divulgar a decisão à imprensa.

“Nossa direção foi ao encontro para discutir um calendário de negociações para a vinda de novos produtos, conforme estava previsto no acordo firmado em 2017, mas de início a empresa comunicou o fechamento, que seria em seguida anunciado para a imprensa. Deixamos a reunião para fazer de urgência uma assembleia com os trabalhadores, para que eles não fossem avisados pela internet, o que seria um absurdo. Tem gente lá com 25, 28 anos de casa”, relata Santana.

Após o anúncio, o sindicato orientou os trabalhadores a irem para casa e só retornarem à fábrica na próxima terça-feira, 26, quando haverá uma nova assembleia, em frente à empresa, às 6h30. Desde então a planta está parada. “Não tinha clima para ninguém voltar ao trabalho, até por uma questão de segurança. Estamos fazendo nossas articulações e avaliando de que forma se dará nossa mobilização e nossa resistência. Mas ela haverá e será dura”, reforçou o sindicalista.

21 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Yamalog deve dobrar faturamento para R$ 105 milhões

Empresa de logística criada pela Yamaha chega aos dois anos com bons resultados e planos para ampliação

MÁRIO CURCIO, AB

A Yamalog, divisão de logística da Yamaha, espera quase dobrar seus resultados este ano e atingir R$ 105 milhões de faturamento bruto, ante os R$ 55,7 milhões alcançados em 2018. A empresa está fazendo dois anos e surgiu como iniciativa ímpar dentro do grupo Yamaha. Ela não existe em nenhum outro país. Foi criada dentro do Brasil para a redução de custos com transporte e aproveitamento de oportunidades de negócio na área logística.

A estrutura atual conta com um centro de distribuição de 10 mil metros quadrados em Manaus (AM), uma área de 1,5 mil m² em Belém (PA), outro CD em São Paulo, na rodovia Anhanguera, também com 1,5 mil m², mais 10 mil m² em Guarulhos (SP), onde a Yamaha mantém setores administrativos.

Os planos de expansão da Yamalog incluem já em 2019 um novo centro de distribuição no Paraná para a cobertura do próprio Estado mais Santa Catarina. Em 2020 serão criados outros dois, um no Rio Grande do Sul e outro em Minas Gerais. A busca de novos clientes inclui sobretudo fabricantes de alimentos e produtos de higiene e beleza, mas os produtores de motopeças certamente estão na mira.

A Yamalog vem reduzindo entre 7% e 10% os gastos da Yamaha com transporte de motos e produtos náuticos fabricados em Manaus (AM). E desde abril de 2018 começou a prestar serviços a terceiros. Os resultados são acompanhados de perto pela matriz, no Japão, e poderão servir de modelo a outros mercados.

“Até 2022 projetamos atingir R$ 213 milhões de faturamento bruto. Desse total, 45% virão dos clientes externos”, afirma o diretor de planejamento e operações, Eurydes Barcellos.

A frota da Yamalog sai atualmente do Amazonas em direção a outros Estados com produtos Yamaha, além de bicicletas, eletrodomésticos (linha branca) e eletrônicos (TVs, por exemplo). Os caminhões retornam ao Estado com insumos produtivos, alimentos, produtos de higiene e beleza.

A Yamalog presta serviços de transporte, distribuição, armazenagem e gestão logística. Conta com 166 caminhões adquiridos por leasing, todos com serviço de rastreamento. Além da própria Yamaha a empresa de logística atende a Novelis para o transporte de bobinas de alumínio, a Moinhos Cruzeiro do Sul (farinha de trigo) e a Norte Brasil, que também atua na área logística.

Mas por que criar a própria empresa de transporte se há muito tempo as grandes companhias partiram para a terceirização? “Mais do que redução de custo, tínhamos a necessidade de melhorar o nível de serviço”, diz Barcellos. “Conseguimos baixar o tempo de entrega aos concessionários em até três dias e reduzir o índice de avarias”, garante o executivo.

“E muitas vezes nós da Yamaha tínhamos de criar soluções para um problema que os operadores contratados não conseguiam resolver, como por exemplo um aumento inesperado de estoque de produtos em Manaus que tivemos algum tempo atrás, em que os armazéns disponíveis se recusavam a assinar contratos inferiores a um ano”, diz.

Ainda de acordo com Barcellos, às vezes havia dificuldade de compartilhar prestadores de serviços que também atendem à Honda, cujo volume de produção de motos é cerca de cinco vezes maior que o da Yamaha.

21 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Scania projeta mercado de caminhões até 20% maior em 2019

Com mais de 63,1 mil veículos, fabricante espera elevar suas vendas na mesma proporção

SUELI REIS, AB | De São Bernardo do Campo (SP)

O mercado de caminhões deve crescer entre 10% e 20% este ano. É com esta projeção para 2019 que a Scania trabalha ao mesmo tempo em que prevê elevar suas vendas na mesma proporção. A fabricante espera um mercado total acima dos 63 mil caminhões, considerando apenas o segmento pesado, com PBT acima das 16 toneladas. No ano passado, este mercado assinalou vendas de pouco mais de 52,6 mil, enquanto a Scania foi responsável por 16,4% deste total ou 8,6 mil, o que fez o Brasil voltar a ser o maior mercado da marca no mundo.

Segundo o vice-presidente de operações da marca no Brasil, Roberto Barral, atividades ligadas ao agronegócio continuarão catapultando o mercado de caminhões em 2019. O executivo revela que a empresa já recebeu pedidos que somam mais de 3 mil caminhões da nova geração, lançada em 2018 e cuja produção inicia neste mês na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

“O agronegócio consome de 40% a 45% de todo o caminhão pesado vendido no Brasil. Dos 3 mil pedidos que recebemos da nova geração de caminhões Scania, 80% no mínimo são pedidos que vêm do agro”, afirma Barral.

Para o diretor comercial, Silvio Munhoz, é natural que o novo produto atraia os clientes, mas o mercado depende sensivelmente da movimentação econômica. Ele lembra que a perspectiva de um novo recorde ou perto disso na safra de grãos impulsionou o mercado em 2018, além da necessidade de ampliação e renovação por parte de alguns frotistas. No entanto, o varejo e a economia industrial, que demandam muita movimentação de carga, ainda dependem das resoluções do novo governo. “Se a economia avançar, se o governo acertar no cenário, obviamente esses dois setores vão demandar e ajudar a aumentar as vendas de caminhões”, analisa.

O setor de mineração também é um dos destaques para 2019: segundo Munhoz, a empresa tem tentado equacionar a programação atual da fábrica a fim de aumentar a produção do modelo off-road Heavy Tiper, lançado em 2018. A empresa espera entregar 20% a mais este ano para o setor de mineração.

No segmento de chassis de ônibus, a Scania espera uma reação mais contundente do mercado de rodoviários, com crescimento de 20% este ano sobre as 702 unidades entregues em 2018, a partir de renovações de frota, inclusive para o segmento de fretamento. Para o ônibus urbano, as novas licitações, como a de São Paulo, além da abertura de novos mercados (a Scania vai fornecer um lote de ônibus bi-articulado para Curitiba/PR) deve fazer com que a empresa acompanhe a evolução deste mercado. Também há boa expectativa para o novo modelo de ônibus movido a gás para vendas após abril, quando a empresa conclui sua homologação no País.

Para Munhoz, se tudo ocorrer conforme a empresa prevê e planeja neste ano, os resultados podem ser ainda melhores que as previsões. “Com a consolidação econômica, o mercado pode ficar mais perto do crescimento de 20% do que dos 10% e a Scania acompanha o mercado, podendo passar dos 10 mil caminhões este ano.”

Nas palavras de Barral, a Scania e boa parte da indústria está com um “problema bom para resolver”, que é a dificuldade que alguns fornecedores ainda têm para acompanhar a velocidade da volta do mercado. “Há uma fragilidade da cadeia porque é natural que nem todo mundo fique quando muda o produto. Mas o processo está sendo muito melhor do que esperávamos”, comenta Barral.

Ele reforça que a flexibilidade que a fábrica possui “ajuda a ter uma operação mais eficiente em um ambiente tão volátil como o cenário político brasileiro”, comenta.

Atualmente, parte da fábrica paulista está operando em um turno, embora algumas áreas atuem em dois tunos para a produção de caminhões. Neste mês a unidade está iniciando o processo de aceleração da produção com a nova geração de caminhões da marca.

20 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Venda de pneus de passeio regride 3,4% em 2018

No entanto, setor fecha o ano no positivo com ajuda de caminhões e motocicletas

REDAÇÃO AB

A venda de pneus de passeio em 2018 somou 33,6 milhões de unidades e recuou 3,4% em relação a 2017. A queda foi puxada pelo mercado de reposição, em que os 23 milhões de unidades entregues ao mercado registraram queda de 9% ante o ano passado.

As vendas de pneus de passeio para as montadoras superaram os 10 milhões e cresceram 12,7%, mas não foram suficientes para anular a queda no aftermarket. A indústria de pneus como um todo fechou 2018 praticamente estável, com 59,4 milhões de unidades vendidas e variação positiva de 0,2% sobre o mesmo período de 2017.

Os números da foram divulgados pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). Tanto os pneus de carga como os de moto ajudaram a compensar a retração nos pneus de passeio. O segmento de veículos pesados consumiu 7,2 milhões de unidades em 2018 e cresceu 8,9%.

A variação foi positiva tanto na entrega para as montadoras (59,9%) como para reposição (0,9%). E o setor de motocicletas consumiu 10 milhões de pneus, crescendo 8,3%. Neste caso a Anip não revela volumes e porcentuais para montadoras ou reposição.

A balança comercial fechou com saldo positivo de US$ 171,5 milhões, embora o volume trazido de fora tenha sido 2,4 vezes maior que o enviado.

"Para 2019, o setor está otimista e com perspectivas de ações concretas do governo visando melhorar a competitividade da indústria”, afirma o presidente da Anip, Klaus Curt Müller.

20 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Volkswagen quer T-Cross no topo das vendas de SUVs

Versão de entrada tem câmbio manual e sai por R$ 84.990, mas esbarra em rivais automáticos nesta faixa de preço

MÁRIO CURCIO, AB | De São José dos Pinhais (PR)

A Volkswagen abriu a pré-venda do T-Cross, seu primeiro utilitário esportivo compacto produzido no Brasil. O SUV chega com duas opções de motor e quatro versões, com preços sugeridos entre R$ 84.990 e R$ 109.990.

O carro tem desenho bem atual e a montadora apostou em conectividade e outros itens para atrair consumidores com cerca de 40 anos. A produção se iniciou em janeiro e até o fim de março a rede Volkswagen estará abastecida com o SUV montado em São José dos Pinhais.

De acordo com a Volkswagen, as pesquisas indicam que 57% dos compradores serão homens, mas a intenção é aumentar a participação do público feminino. Na manhã do dia 19 de fevereiro a montadora abriu uma operação de pré-venda para as primeiras 800 unidades, que serão entregues no começo de março. Às 14h30 cerca de 300 consumidores loucos pela novidade já estavam fisgados.

“Queremos estar entre os dois modelos mais vendidos do segmento”, afirma o presidente e CEO da VW para a América Latina, Pablo Di Si, referindo-se aos SUVs compactos.

Na lista dos principais concorrentes a Volkswagen considera Honda HR-V, Hyundai Creta e Jeep Renegade. Exclui o Jeep Compass da lista por causa do seu porte médio. É justo, mas aparentemente a VW menosprezou o Nissan Kicks, que terminou 2018 com 46,8 mil unidades, pouco à frente do Renegade.

Volkswagen T-Cross

T-Cross mede 4,2 metros e tem 2,65 m de distância entre eixos. Versão Highline traz acabamento de couro de série e permite três pacotes de opcionais que elevam seu preço a R$ 124.840

O SUV compacto mais vendido em 2018 foi o Hyundai Creta, que teve 49 mil unidades emplacadas. Considerando que a Volkswagen tem mais concessionárias, é possível que consiga superar este e outros concorrentes num ano cheio, com 12 meses de vendas. Contudo, mais do que ter uma grande rede, às vezes o que conta são os preços competitivos.

A versão mais em conta do Volkswagen T-Cross custa R$ 84.990. Recebe motor 1.0 turbo flex de até 128 cavalos (chamado 200 TSI) e traz de série ar-condicionado, direção elétrica com ajustes de altura e profundidade, som, suporte para celular, vidros, travas e retrovisores com acionamento elétrico, seis airbags, controles de tração e estabilidade, bloqueio eletrônico do diferencial, alarme, sensores traseiros de estacionamento, faróis de neblina com acendimento automático em curvas de esquina e manobras e volante multifuncional. Mas seu câmbio é manual de seis marchas.

Com este mesmo motor, mas câmbio automático, também de seis marchas, o 200 TSI sobe para R$ 94.490. Aqui vale lembrar que dois dos concorrentes nacionais citados pela própria Volkswagen têm versões automáticas com preço semelhante ao do T-Cross manual. Um é Hyundai Creta 1.6 (R$ 84.490) e outro, o Jeep Renegade 1.8 (R$ 85.990). Outros exemplos de concorrentes nacionais automáticos com preço de T-Cross manual são o novo Chery Tiggo 5X 1.5 turbo (R$ 86.990), o Ford EcoSport 1.5 (R$ 84.990) e o Nissan Kicks 1.6 (R$ 83.490).

Volkswagen T-Cross

Novo SUV compacto começou a ser montado em São José dos Pinhais (PR) em janeiro. A fábrica foi ampliada em 5,5 mil m², recebeu R$ 2 bilhões e mais de 200 novos robôs

MAIS UM SOBRE A PLATAFORMA MQB

Assim como ocorre com o VW Golf e os Audi A3 sedã e Q3 fabricados em São José dos Pinhais, o T-Cross é montado sobre a plataforma ou arquitetura modular MQB, que também serve de base para o Polo e o Virtus feitos em São Bernardo do Campo. Essa base utiliza aços de alta e ultra-alta resistência que resultam em menor peso e maior segurança.

Outra vantagem é a de permitir variações sobre o projeto para diferentes mercados. O T-Cross brasileiro tem 4,2 metros de comprimento, 1,57 m de altura e 2,65 m de distância entre eixos. É 9,1 cm mais comprido que o carro europeu, tem um centímetro a mais de altura e 8,8 cm a mais de distância entre eixos. Já o espaço no porta-malas é maior no carro europeu. Lá ele varia entre 385 e 455 litros, conforme a inclinação do banco traseiro. Aqui varia entre 373 e 420 litros.

De acordo com Pablo Di Si, o carro brasileiro começa a ser exportado ainda este ano para a América Latina e a partir do ano que vem seguirá também para outros 20 mercados, entre eles Egito, Turquia e Argélia.

T-CROSS HIGHLINE RECEBE MOTOR 1.4 TURBO

A versão topo de linha do T-Cross é equipada com o mesmo motor 250 TSI (1.4 turbo flex) utilizado nos Audi e Golf nacionais e também no Jetta, por exemplo. Ele produz 150 cavalos. Leva o T-Cross de zero a 100 km/h em 8,7 segundos e a 198 km/h de velocidade máxima.

O Highline traz revestimento de couro, rack de teto, retrovisores com rebatimento automático, sistema Start-Stop (que desliga e religa o motor nos semáforos e congestionamentos), chave presencial, detector de fadiga, ar-condicionado automático e sensores de chuva e luminosidade.

Sua lista de opcionais inclui central multimídia com tela de oito polegadas e GPS, assistente de estacionamento, faróis totalmente em LED, sistema de som com subwoofer e teto solar panorâmico. Esses itens estão em pacotes de R$ 4 mil, R$ 6.050 e R$ 4,8 mil, que elevam o valor do Highline de R$ 109.990 para R$ 124.840.

Veja os preços das quatro opções:

200 TSI manual (1.0 turbo flex com até 128 cv) – R$ 84.990*

200 TSI automático (1.0 turbo flex com até 128 cv) – R$ 94.490* Comfortline

200 TSI automático (1.0 turbo flex com até 128 cv) – R$ 99.990* Highline

250 TSI automático (1.4 turbo flex com até 150 cv) – R$ 109.990*

*Todas as versões do T-Cross têm ao menos um pacote de opcionais.

20 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Audi muda estratégia de marketing para se aproximar de clientes mais jovens

Focada no digital, abordagem pretende dobrar a conversão em vendas da internet para as concessionárias

GIOVANNA RIATO, AB

Pense na propaganda de um carro premium. A primeira imagem que vem à mente é provavelmente a de um executivo com o pé no acelerador para destacar todas as tecnologias do modelo. Pois é exatamente deste estereótipo que a Audi quer fugir em sua comunicação. A nova narrativa da fabricante premium se baseia em uma jovem família: uma mulher negra, casada com um homem branco, com um filha recém-nascida que cresce e descobre o mundo a cada um dos filmes publicitários da marca. A novidade é parte da nova estratégia de marketing da companhia, lançada justamente no ano em que a Audi celebra 25 de presença no Brasil.

Mais focada no meio digital, a abordagem pretende humanizar a marca, tirar o protagonismo apenas da tecnologia para tratar de emoção e estilo de vida. “Antes apenas 25% do nosso investimento em mídia era destinado ao meio digital. Agora este porcentual vai subir para 45”, conta Cláudio Rawicz, que assumiu há seis meses a diretoria de marketing da marca no Brasil e vem desenvolvendo a estratégia desde então.

Com esta mudança, a empresa pretende se aproximar das pessoas, melhorar seu relacionamento com o público on-line e atrair o desejo dos consumidores pela ampla gama de carros que a fabricante oferece. “Vamos do A3 ao R8. Somos a marca mais democrática do segmento”, diz o executivo, lembrando que, neste caso, a democratização só funciona quando se trata de clientes endinheirados, claro.

META É DOBRAR A CONVERSÃO EM VENDAS

Rawicz cita estudos globais da montadora que indicam que o público da Audi está envelhecendo. O esforço, portanto, tem como principal alvo despertar o interesse das novas gerações pelos carros da marca para, no fim das contas, elevar o volume de negócios.

“Percebemos que há espaço para aumentar a conversão em vendas nas concessionárias. Vamos dobrar o número até 2020”, diz.

A ideia é apostar nos canais on-line e fazer muitas ações nas redes sociais para atrair os clientes para as lojas e aumentar a conversão dos leads gerados no mundo digital em emplacamentos na vida real. Rawicz não especifica o número, mas diz que o plano é garantir que porcentual de dois dígitos dos interessados on-line se transformem em vendas.

AUDI SPORT GANHA VIDA PRÓPRIA NO BRASIL

A estratégia da Audi está equilibrada em quatro pilares. O primeiro é a comunicação focada em novos consumidores, aqueles que garantem volume maior de vendas, mas com foco nos carros de entrada da marca. Outra prioridade é atrair o cliente de alta gama que já está acostumado com carros luxuosos e tem mais dinheiro para investir.

O terceiro aspecto mais importante é o apelo de inovação e sustentabilidade, com o destaque de novas tecnologias. Já o quarto pilar da estratégia é a marca Audi Sport, que até então tinha pouca autonomia para trabalhar localmente e, agora, recebeu certa independência da matriz para o desenvolvimento de ações adequadas ao cliente brasileiro. “Estamos estudando trazer uma prova de automobilismo para os clientes da América do Sul”, conta Fred Hironaka, gerente da Audi Sport no Brasil. Ele cita que a divisão terá material publicitário específico, muito focado em estilo de vida. Além disso, o plano é desenvolver uma série de ações de relacionamento com consumidores da região.

20 de Fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Honda investe R$ 500 milhões na fábrica de motos de Manaus

Aportes serão aplicados até 2021 para modernizar e elevar a produtividade da planta

PEDRO KUTNEY, AB | De Manaus (AM)

A Moto Honda da Amazônia vai investir R$ 500 milhões em sua fábrica de Manaus (AM), onde desde 1976 já produziu mais de 24 milhões de motocicletas. Os recursos serão aplicados até 2021 em equipamentos, obras, reposicionamento de linhas e um novo prédio que vai unir todas as operações de produção de motores, com o objetivo de modernizar e aumentar a produtividade da planta.

O investimento foi formalmente anunciado na fábrica de Manaus na terça-feira, 19, por Issao Mizoguchi, presidente da Honda South America. O executivo explica que os investimentos serão feitos com capital próprio para melhorar a eficiência de processos, manter a planta competitiva e assim reduzir custos de produção, pois no momento não há necessidade de expansão da capacidade ou de contratações.

A Honda emprega atualmente 6 mil pessoas em Manaus e produz em média 3,7 mil motos por dia, o que representa a metade do pico de 2011, quando a unidade chegou a fazer 6,8 mil unidades/dia e tinha 11 mil funcionários. Das cinco linhas de montagem final, só uma opera em dois turnos, as outras quatro em apenas um turno.

Em 2018 a Honda produziu 780 mil motos no Brasil, o que representou crescimento de 17% sobre 2017 – ainda muito longe das 1,56 milhão de unidades produzidas em 2011. Este ano expectativa é de nova expansão, mas um pouco menor, em torno de 5%, seguindo a estimativa de avanço médio do mercado doméstico, dominado pela Honda com mais de 80% de participação e responsável por consumir 95% da produção no País – só 5% são destinados à exportação.

“Ainda estamos longe do melhor momento, mas celebramos em 2018 o primeiro crescimento na produção em Manaus desde 2011. Mesmo trabalhando muito abaixo da capacidade, se não investir nada melhora. Precisamos manter a fábrica competitiva e atualizada tecnologicamente”, disse Issao Mizoguchi.

MAIS PRODUTIVIDADE

Os investimentos até 2021 estão focados em melhorar os fluxos produtivos, interligando para reduzir a movimentação de componentes e pessoas. Algumas áreas da fábrica serão realocadas, mas sem paralisar nenhuma linha – todas as transferências serão feitas sem interrupção da produção. A primeira mudança será o agrupamento dos processos de produção de motores, incluindo fundição, usinagem, pintura alumínio e montagem, que serão integrados em um só prédio da nova fábrica de motores.

A primeira área a ser transferida é a fundição, que nos próximos meses sai gradualmente da área atual de 11 mil metros quadrados e passa a operar em um novo galpão já construído de quase 14 mil metros quadrados. A partir do segundo semestre ocorrerá a transferência dos processos de usinagem para um novo local de 12 mil metros quadrados, que está em obras no momento. O setor de pintura alumínio e a nova linha montagem de motores também ganharão novos prédios dentro do mesmo complexo, que deverão ser concluídos no decorrer de 2020.

Ao mesmo tempo em que será construída a nova e integrada fábrica de motores, a Honda irá conduzir modernizações em toda a cadeia produtiva da planta de Manaus, incluindo montagem de motocicletas, produção do chassi, fabricação de peças plásticas, processos de soldagem e pintura dos tanques, além dos departamentos de embalagem e expedição.

“Estamos engajados em tornar a fábrica de Manaus referência em produtividade. Promoveremos melhorias em maquinário, com novos robôs e processos mais atualizados. Esta iniciativa irá proporcionar maior flexibilidade e rapidez à nossa operação”, explica Júlio Koga, vice-presidente industrial da Moto Honda da Amazônia.

Também estão incluídos no investimento reformas prediais para aumentar o conforto das equipes de trabalho, com ambientes climatizados, mais amplos e arejados. Do ponto de vista ambiental, serão feitas intervenções para aproveitar melhor a iluminação natural e o reaproveitamento de água.

ILHA PRODUTIVA VERTICAL

Issao Mizoguchi, presidente da Honda South America; Wilson Lima, governador do Amazonas; e Alfredo de Menezes Júnior, Superintendente da Suframa

Issao Mizoguchi, presidente da Honda South America, ao lado de Wilson Lima, governador do Amazonas, e Alfredo de Menezes Júnior, Superintendente da Suframa: anúncio de investimento de R$ 500 milhões na fábrica de motos de Manaus

A Honda opera sob os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus, que garante isenção de imposto de importação e descontos de IPI, Imposto de Renda e ICMS. Mas a redução dos tributos, segundo Mizoguchi, não se converte em lucro maior, serve apenas para compensar parte dos elevados custos logísticos envolvidos na operação. Cálculos feitos há 10 anos pelo executivo indicavam que uma moto produzida em Manaus custava cerca de US$ 150 a mais do que o mesmo modelo feito no Sudeste do País. Por isso a planta amazonense precisou passar por expansões constantes para internalizar processos, com investimentos somados de US$ 2 bilhões ao longo de seus 43 anos de atividades.

Localizada em uma espécie de ilha produtiva vertical na região Norte, a fábrica é a mais verticalizada da empresa japonesa em todo o mundo. Por falta de fornecedores, precisou internalizar muitas atividades, como a fundição que transforma 84 toneladas de alumínio por dia em rodas e carcaças, além da produção de componentes, como 75% dos tubos usados nos quadros das motos, 100% das rodas e dos escapamentos (incluindo catalisadores) e pequenas peças. “Isso nos ajuda a reduzir custos logísticos e também diminui a exposição às variações cambiais de itens importados”, pontua Mizoguchi.

Dos 130 fornecedores diretos, 100 estão a milhares de quilômetros do polo de Manaus. Quase todos os pneus, por exemplo, vêm de Gravataí (RS), na extremidade oposta sul do País; o aço vem de Minas Gerais e Rio de Janeiro. A queda constante do mercado de motos desde 2011 “prejudicou os planos de aumentar o parque de fornecedores locais, mas também é bom ter todos aqui, pois dependeriam só da Honda e isso não é sustentável”, avalia Mizoguchi.

O executivo afirma que a fábrica de Manaus tem níveis de produtividade parecidos com o dos melhores casos no mundo, mas os custos são mais altos, o que torna as exportações pouco competitivas. Para além das despesas logísticas, como exemplo, ele calcula que um salário de R$ 1 mil, com adição de encargos e tributos, custa para a Honda no Brasil R$ 2,1 mil, enquanto o mesmo salário de R$ 1 mil pago na Tailândia custaria R$ 1,4 mil para a empresa.

22 de Fevereiro de 2019

Publicação: Valor Econômico

Diversificação define estratégia de gestão na Dini

Por Marli Olmos | De São Paulo

Quando decidiu abrir uma empresa, em 1991, o engenheiro Claudio Dini fornecia tecidos para a indústria de ônibus e caminhões. Tempos depois, começou a atender o setor de calçados esportivos. Mais tarde, percebeu que os tecidos que produzia podiam ser usados também em poltronas de teatro. Agora, ele está de olho no mercado de coletes à prova de bala, artefatos que a cada dia ganham mais popularidade.

A variedade de produtos que cerca esse empresário reflete o princípio da diversificação, que sempre guiou seus negócios. Dini é proprietário da empresa que leva seu sobrenome e que hoje fabrica tecidos usados em bancos e também tetos de diversos veículos, em alguns modelos de tênis Adidas e Nike, em carrinhos de bebê e em poltronas de casas de espetáculos como o teatro Bradesco, em São Paulo.

Sua gestão tem uma regra básica: as vendas a um único cliente não podem ultrapassar 10% da receita. É dessa forma que ele tem trabalhado desde que fundou a empresa, em 1991, um ano depois do trauma do confisco da poupança e pouco antes do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Dini era diretor comercial numa fabricante de tecidos para bancos de automóveis quando percebeu na crise uma oportunidade de abrir a própria empresa. No início, trabalhou só com importação. Mais tarde, em 1996, conseguiu arrematar, a preços mais baixos, máquinas de fiação em leilões de empresas falidas.

Com equipamentos adquiridos de empresas em crise, que aceitavam pagamento "a perder de vista" ele completou o parque industrial. Foi assim que o empresário ergueu a fábrica de 23 mil metros quadrados em terreno de 60 mil em Ferraz de Vasconcelos, a 30 quilômetros de São Paulo.

À época, a maioria das empresas que atuavam na mesma atividade - uma dezena de multinacionais que atuam no mercado até hoje - estavam mais interessadas em fornecer para as montadoras de automóveis por ser um mercado maior. O empresário percebeu, então, um nicho e decidiu aproximar-se dos fabricantes de ônibus e caminhões. E resolveu verticalizar a atividade, o que abrangia da produção da fiação à confecção do tecido. "Eu tinha que me diferenciar".

Quando os dois filhos mais velhos entraram na faculdade, Dini avisou que cada um ganharia dois presentes: um carro e um emprego na empresa da família. Ambos, Rodrigo, com 41 anos hoje, e Marcos, com 42, atuam ativamente na direção dos negócios.

Em parceria com o Mackenzie, Dini trabalha agora no desenvolvimento do uso do grafeno em tecidos

Há pouco mais de três anos, a família Dini descobriu que estava num ambiente de negócios pautado pela globalização. Projetos que a empresa brasileira desenvolvia com as montadoras aqui tinham que ser reproduzidos em veículos semelhantes, produzidos em filiais dos mesmos fabricantes em outros países.

Dini saiu, então, em busca de parcerias com empresas de tecelagem de países como Tailândia, Turquia e Japão. Essas alianças funcionam até hoje por meio da troca de "royalties". Além disso, a Dini também exporta tecidos.

A área automotiva representa 50% da receita. Mas, na eterna busca pela diversificação, o empresário acaba de fechar uma parceria com o centro de pesquisas Mackgraphe, da Universidade Mackenzie, em São Paulo. O acordo prevê o desenvolvimento do uso do grafeno em tecidos.

Derivado do grafite, o grafeno é um milhão de vezes mais fino que um fio de cabelo. A ideia da Dini é explorar sua condutividade térmica e o baixo peso. Isso abrirá caminho para a empresa desenvolver novos tipos de tecidos para revestimento à prova de fogo e, ainda, explorar o mercado de coletes à prova de bala.

Com 310 funcionários, a Dini continua uma empresa familiar com capital fechado. Aos 67 anos, seu fundador afirma não ter interesse em fazer qualquer mudança na estrutura societária da companhia. "Depois de tanto tempo, a gente hoje também trabalha pela paixão", afirma.

A fatia da Dini no mercado de tecidos para a indústria automobilística é pequena, de 5%. Mas o faturamento, de R$ 60 milhões no ano passado - 17% obtidos com a exportação -, tem chances de crescer mais de 30% neste ano por conta dos novos negócios na área de segurança.

O otimismo de Dini se sustenta nas lições que ele tira de sua própria história. O senso de oportunidade, a busca da diversificação e a capacidade de reconhecer a hora de inovar abriram caminhos para essa empresa familiar inserir-se no disputado mercado global.

22 de Fevereiro de 2019

Publicação: Valor Econômico

Tarifas dos EUA vão custar bilhões, diz Diess, da Volks

Por Patrick McGee | Financial Times, de Wolfsburg

O executivo-chefe da Volkswagen, Herbert Diess, advertiu que tarifas de importação dos Estados Unidos poderiam custar bilhões de euros a cada ano aos fabricantes alemães de automóveis.

Diess disse que a ameaça dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre carros produzidos na Europa é a maior preocupação dos fabricantes de automóveis do continente em 2019. A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, já classificou a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de impor tarifas de "assustadora".

Em entrevista na sede da maior fabricante de automóveis do mundo, em termos de vendas, em Wolfsburg, na Alemanha, Diess disse que as apreensões com a imposição das tarifas ajudaram a criar "instabilidade política".

"A situação está ficando tensa de novo", afirmou Diess ao "Financial Times". "É uma pena, porque não podemos resolver isso do lado do setor automobilístico [sozinho]. Trata-se mais de uma negociação tarifária entre a Europa e os Estados Unidos."

Segundo a consultoria Evercore ISI, as tarifas custariam à Volkswagen € 2,5 bilhões por ano - ou 13% de seus ganhos estimados. "No pior cenário, isso provavelmente estaria próximo do número real", disse Diess, referindo-se à previsão da Evercore.

O executivo acrescentou que os temores sobre o Brexit, com um acordo ainda não finalizado quando falta pouco mais de um mês para o Reino Unido deixar a União Europeia, também ajudaram a criar instabilidade política, mas em menor escala.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, apresentou nesta semana a Trump suas recomendações sobre se os veículos importados são ameaça à segurança nacional.

O presidente tem 90 dias para tomar medidas com base nessas conclusões, que não foram divulgadas e foram elaboradas depois do lançamento de uma investigação de acordo com o capítulo 232 da Lei de Expansão do Comércio dos EUA.

Trump usou o capítulo 232 para justificar tarifas sobre o alumínio e o aço no ano passado, ostensivamente para proteger o setor americano.

Na quarta-feira, o presidente disse que as tarifas sobre automóveis eram "algo para se pensar", ao receber o primeiro-ministro da Áustria, Sebastian Kurz, na Casa Branca. Ele acrescentou que os tributos seriam uma resposta possível "se não fecharmos um acordo" comercial com a UE.

Em dezembro, Diess e o executivo-chefe da Daimler, Dieter Zetsche, estiveram em Washington para fazer lobby contra políticas protecionistas. Diess disse que o encontro foi bom, mas as negociações azedaram desde então e ele tem pouca autoridade para mudar a situação.

A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis declarou nesta semana que tinha "apreensões profundas" sobre os EUA usarem o capítulo 232 para aplicar tarifas sobre automóveis produzidos na Europa.

"Todos os fabricantes adotaram um modelo de cadeia de fornecimento mundial", disse o secretário-geral da associação, Erik Jonnaert, em entrevista. "Se você começa a interferir nisso com a imposição de tarifas ou cotas - interferindo na liberdade de movimentos de partes, componentes e produtos acabados -, você prejudica todos os fabricantes."

Jonnaert alertou para o risco de que as tarifas provoquem um "efeito cascata", além de prejudicar tantos os fabricantes de automóveis europeus como a economia americana.

A General Motors e a Ford também informaram que os custos de commodity, resultantes em parte das tarifas de Trump sobre o aço e o alumínio, seriam US$ 1 bilhão mais altos em 2019.

A respeito do Brexit, Diess disse: "Mesmo no caso de um Brexit sem acordo, eu diria que as vendas não parariam, mas se reduziriam bastante. Teríamos muita fricção… Temos a Bentley produzindo aqui (no Reino Unido). Eles provavelmente teriam dificuldades para exportar para a UE. Portanto, é possível trabalhar com o pior cenário, mas achamos que os riscos serão menores." (Com colaboração de Demetri Sevastopulo)

22 de Fevereiro de 2019

Publicação: Valor Econômico

Os interesses por trás da aliança entre Volks e Ford

Por Glauco Lucena | Da Autoesporte

Após alguns meses de namoro, a Volkswagen e a Ford formalizaram recentemente uma parceria que inicialmente focará em picapes e vans, mas com potencial para extrapolar para veículos elétricos (praia da VW) e autônomos (especialidade da Ford). Isso se não evoluir para carros de passeio ou até para uma aquisição parcial de participação acionária. Afinal, o que há por trás dessa nova aliança? Há alguma chance de o gigantesco grupo Volkswagen ir aos poucos fagocitando a Ford? (Me lembrei das aulas de biologia. Vale um "google" para quem quiser recordar o conceito).

Mas vamos aos fatos. Primeiramente, esse movimento faz parte de uma onda de parcerias e fusões que expõe os esforços das montadoras em se adequar às novas demandas de mobilidade. E revela que está faltando caixa para desafios tão grandiosos. Está claro que, sozinhas, certas marcas não vão a lugar algum. Parcerias são a salvação num momento em que as empresas têm de investir em eletrificação, automação, conectividade e compartilhamento, sem largar mão das disputas atuais no mercado. E vendo cada vez mais de perto o surgimento de novos jogadores no tabuleiro, como Tesla, Geely, Uber e tantas outras empresas da era digital.

O caso VW e Ford é emblemático. O grupo alemão é o que mais vende veículos no mundo, mas sente no bolso as multas bilionárias do escândalo "Dieselgate" (fraude que omitia o real nível de emissões dos motores diesel do grupo). Já a americana Ford tem dificuldades de se manter competitiva em algumas das áreas onde é demandada. Prova disso é que está abandonando o segmento de carros de passeio em seu berço, os EUA, para focar em picapes e SUVs. Além disso, ela acabar de enxugar sua deficitária operação na Europa, o que já havia feito em 2012 e 2016. Mais enxuta na Europa e focada no mercado americano, a Ford vê perspectivas de melhoras, e a colaboração com a VW vem bem a calhar.

A Ford foi a única das três grandes montadoras americanas que não "quebrou" na crise de 2008 - a General Motors foi resgatada pelo governo Obama e a Chrysler, vendida à Fiat. Mas saiu um tanto fragilizada da crise. O controle personalista da empresa (até hoje com os herdeiros de Henry Ford) não ajuda muito, já que ela não consegue achar o prumo. Há dez anos, o então CEO da marca, Alan Mulally, dizia que a Ford precisava reduzir sua dependência dos segmentos de SUVs e picapes. Hoje, o comandante Jim Hackett vai na direção contrária. Equívocos recentes da Ford repercutem até hoje, como a venda da Land Rover aos indianos num momento em que SUVs estavam em viés de alta.

A reunião de VW e Ford prova que a necessidade é capaz de apagar as arestas de um passado recente. Elas já tinham se unido nos tempos de Autolatina (no Brasil e na Argentina), entre 1987 e 1996, e na Autoeuropa, entre 1991 e 1999. A separação não foi das mais amigáveis, tanto aqui quanto na Europa.

Agora, mais do que economizar custos, o que a VW mais quer é cercar a Ford para uma eventual absorção, caso a marca do oval azul não se recupere plenamente. Ser mais forte nos EUA, segundo maior mercado global, é um velho sonho para o grupo alemão, que quer consolidar sua liderança global. Para a Ford, a parceria é a esperança para recuperar capacidade de investimento e voltar a tempos mais gloriosos. É isso ou passar a ser uma das muitas marcas do grupo VW no futuro.

22 de Fevereiro de 2019

Publicação: Valor Econômico

Sindicato diz que se reunirá com direção mundial da Ford nos EUA

Por Marli Olmos | Valor

SÃO PAULO - O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC anunciou, na tarde desta quinta-feira, que será recebido pela direção mundial da Ford, na sede da companhia, em Dearborn, nos Estados Unidos. A reunião foi solicitada pela direção da entidade depois de a companhia anunciar, na terça-feira, o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

Segundo o sindicato, a data do encontro será definida nos próximos dias. O presidente da entidade, Wagner Santana, está reunido, nesta tarde, com a procuradora do Ministério Público do Trabalho, Sophia de Moraes e Silva, em São Bernardo, para discutir a situação dos 4,2 mil trabalhadores da unidade.

Santana esperava que a direção do sindicato fosse convidada para a reunião convocada pelo governador João Doria, esta manhã, com a direção da Ford no Brasil. “Vamos à matriz discutir com a direção mundial, conversamos com prefeito da cidade, teríamos conversado com o governador na manhã de hoje se ele tivesse convidado a representação dos trabalhadores para participar, já que a pauta envolvia o futuro de milhares de metalúrgicos. Não vamos desistir de manter uma empresa com essa importância em nossa região”, disse Santana por meio de nota.

A produção da Ford continua parada — os trabalhadores decidiram entrar em greve no último dia 19 em protesto à decisão de fechamento da fábrica. Os funcionários foram orientados pelo sindicato a voltar para a unidades na próxima terça-feira, quando será realizada uma assembleia.

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