CARLOS GERALDO LANGONI

RITMO LENTO

A economia brasileira vive em compasso de espera: a melhora nos índices de confiança ainda não reverteu a expansão ainda lenta da atividade.

Setores:

Na indústria houve desaceleração em janeiro, com a taxa em 12 meses cedendo para apenas 0,5%.

A perda de dinamismo é liderada por bens de capital, sugerindo que os planos de investimentos estão sendo revisados.

Padrão um pouco melhor, de relativa estabilidade é observado no comércio varejista: o desempenho neste início de ano, mesmo positivo, ainda é modesto (2,2% em 12 meses), refletindo a fragilidade do mercado de trabalho e lenta recuperação dos salários reais.

Expectativas:

O período é de certo congelamento nas expectativas: aguarda-se o teste de governabilidade representado pela tramitação da reforma da Previdência no Congresso.

Duas dimensões são relevantes: o nível de desidratação esperado do ganho fiscal, estimado em R$ 1 trilhão e o tempo necessário para a sua aprovação.

O Ministro Paulo Guedes redobrou suas apostas com duas medidas adicionais de impacto: a primeira denominada PEC Federativa - um amplo programa de desvinculação e desindexação orçamentária.

É, na sua essência, um verdadeiro choque liberal, ao impor de forma democrática novo padrão de disciplina fiscal. Só será, entretanto, apresentada ao Congresso após avanço significativo no projeto da Previdência.

A segunda, o Programa de Estabilização Financeira (PEF) que estimula o ajuste fiscal no âmbito dos estados. A ajuda federal terá como contrapartida cortes nos gastos com pessoal - principalmente se o STF aprovar a jornada parcial - e revisão dos incentivos fiscais.

Esse conjunto de mudanças estruturais viabilizam o teto de gastos e criam as condições para a reversão da tendência explosiva do endividamento público.

Transição:

Com o risco político voltando a ganhar momentum, é natural esperar maior volatilidade de variáveis-chave como juros, câmbio e IBOVESPA.

A herança benigna de uma inflação abaixo da meta e com expectativas ancoradas é fator de estabilidade.

O IPCA em fevereiro apresentou leve alta (3,89%), insuficiente para alterar a postura do BC de manter a SELIC na faixa atual de 6,5% com viés de baixa.

O câmbio acompanha as incertezas no risco-país, amplificadas por maiores tensões na economia mundial. A OCDE aponta para desequilíbrios crescentes, resultantes da perda de dinamismo do comércio internacional e niveis excessivos de endividamento corporativo.

Cenário:

O cenário básico é de moderada aceleração do PIB projetada pelo mercado em 2% este ano e 2,8% ano que vem.

Parece haver subestimação do impacto - principalmente sobre o investimento - da aprovação das reformas.

Também não se avaliam corretamente as medidas pró-crescimento como modernização dos marcos regulatórios e onda de concessões e privatizações.

Em resumo, o ritmo de expansão mantém- se lento, aguardando a definição política das reformas. Essa incerteza alimenta a postergação de decisões de consumo e, principalmente, de investimentos.

A economia só deverá encontrar novo padrão de crescimento sustentado a partir do 2º semestre e poderá superar as projeções ainda modestas de evolução do PIB.

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