CARLOS GERALDO LANGONI

BRASIL E DAVOS

O Fórum Mundial de Davos acontece em um cenário de incertezas e expansão lenta da economia mundial.

O FMI projeta, nos próximos anos, crescimento um pouco acima de 3%, apesar da desaceleração moderada da China e Estados Unidos. O Brasil é uma das poucas grandes economias que deve avançar em ritmo mais forte.

Estrela:

Mesmo sofrendo as externalidades das tensões ambientais o Brasil foi destaque do conclave.

É também uma das poucas democracias que conseguiu apoio político para reformas complexas como a da Previdência. O contraste com as dificuldades enfrentadas pela França é exemplo marcante.

Mereceu destaque também, a nível regional, a assimetria entre a estratégia liberal brasileira e a recaída populista no México e Argentina.

Otimismo:

A onda de expectativas favoráveis foi alavancada pelo novo status da nossa candidatura à OCDE, apontando para salto qualitativo nas políticas públicas.

O Brasil beneficiou-se também do anúncio de adesão ao GPA - Government Procurement Agreement da OMC - mais um capítulo do processo de abertura da economia.

O objetivo é dar tratamento isonômico às empresas nacionais e estrangeiras, estimulando a competição nas compras governamentais de bens e serviços.

Como destacou Paulo Guedes, a desconstrução de cartéis é arma poderosa para elevar a competitividade e combater a corrupção sistêmica.

O viés de alta nos índices de confiança foi reforçado com o aumento em 25% no investimento direto estrangeiro (IDE) ano passado, de acordo com a UNCTAD.

O montante estimado pelo Banco Central é de US$ 75 bilhões: é um resultado extraordinário por se tratar de período de transição, onde a governabilidade passou por testes cruciais.

Com esse resultado, o Brasil é o 4º país mais atraente para o capital estrangeiro, atrás somente dos Estados Unidos, China e Cingapura.

Cenário:

As projeções para este ano são ainda mais favoráveis com IDE podendo superar o patamar de US$ 80 bilhões.

Será fundamental a aprovação da reforma tributária, mesmo fatiada, começando pelo IVA dual que consolidará os impostos indiretos a nível federal e entre estados e municípios.

A tendência é de melhora na confiança, como já foi observado para a indústria em janeiro (alta de 1,1% de acordo com a FGV), consolidando queda na percepção de risco-país.

Por outro lado, o leque de oportunidades de investimentos deve se ampliar com o programa de concessões e privatizações, especialmente no setor de infraestrutura.

Em resumo, as mudanças estruturais da economia brasileira foram destaque em Davos.

Aumenta a aposta do investidor estrangeiro com perfil de longo prazo em um novo estágio de crescimento sustentado, ancorado em sólida arquitetura fiscal.

Nem mesmo os questionamentos ambientais e seu foco desproporcional na Amazônia, foram capazes de contaminar o viés otimista dessa elite global.

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