Conjuntura do Agronegócio

1. Balança tem superávit de US$ 1,316 bilhão na terceira semana de maio

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,316 bilhão na terceira semana de maio, informou nesta segunda-feira (20) a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. O valor é resultado de exportações de US$ 4,526 bilhões e importações de US$ 3,210 bilhões no período. Em maio, o saldo da balança está positivo em US$ 3,711 bilhões e, no ano, ultrapassa os US$ 20 bilhões.

As exportações nas três semanas de maio ainda sustentam crescimento de 8%, se comparadas a maio de 2018, pelo critério de média diária. Por dia, nesse período, o país embarcou US$ 994 milhões.

A alta nas vendas externas foi puxada por manufaturados (+33,3%) por conta, principalmente, de óleos combustíveis, partes de motores e turbinas para aviação, aviões, gasolina e autopeças. Também cresceram os embarques de semimanufaturados (+15,7%), com destaque para semimanufaturados de ferro/aço, ferro-ligas, ferro fundido bruto, madeira serrada ou fendida, couros e peles. A venda de básicos, em contrapartida, caiu 1,7% pela média diária, puxada por menor envio de soja em grãos, petróleo em bruto, farelo de soja, minério de cobre e arroz em grãos.

A média diária de importações até a 3ª semana de maio (US$ 684,9 milhões) subiu 8,5% na comparação com igual mês de 2018. Nesse comparativo, cresceram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (+28,1%), químicos orgânicos e inorgânicos (+18,2%), combustíveis e lubrificantes (+15,9%), equipamentos mecânicos (+9,0%) e equipamentos eletroeletrônicos (+8,1%).

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Fonte: Valor Econômico

2. PIB do agronegócio cresceu 0,07% em fevereiro, dizem Cepea e CNA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio do país calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) registrou leve alta de 0,07% em fevereiro, mas ainda assim fechou o primeiro bimestre do ano em queda de 0,46%.

Conforme levantamento divulgado na manhã de hoje, o avanço de fevereiro foi garantido pelo segmento agrícola, cujo PIB cresceu 0,19% no mês. No primeiro bimestre, porém, houve queda de 0,32%. Na pecuária, houve quedas em fevereiro (0,27%) e no primeiro bimestre (0,87%).

Segundo o Cepea, na área de insumos houve crescimentos em fevereiro e no primeiro bimestre - 1,13% e 2,35%, respectivamente -, sustentados pelo desempenho das indústrias de fertilizantes e defensivos.

No segmento primário, que cresceu 0,45% em fevereiro mas acumulou queda de 0,92% no primeiro bimestre, os custos de produção aumentaram, mas preços e volumes, em algumas cadeias, compensaram. Entre os produtos que ficaram mais valorizados no primeiro bimestre estão batata, arroz, cacau, feijão, laranja, milho, soja, algodão, trigo, uva, frango e leite.

Entre as agroindústrias, cujo PIB recuou 0,13% em fevereiro e 0,34% no primeiro bimestre, as de base agrícola sentiram os reflexos negativos da queda da produção de grãos como a soja, ao passo que as ligadas à pecuária também acusaram problemas provocados pela alta de custos.

Na área de serviços, finalmente, houve recuos em fevereiro (0,11%) e nos primeiros dois meses do ano (0,65%).

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Fonte: Valor Econômico

3. Exportadores brasileiros fecham negócios de US$ 516 mi na China

As 53 empresas brasileiras que encararam o desafio de negociar seus produtos na SIAL China 2019 - maior feira dos setores de Agronegócio, Bebidas e Alimentos do gigante asiático e uma das maiores do mundo - voltam para casa satisfeitas. No total, informa a "Agência Brasil", foram negociados US$ 516,7 milhões no evento, cifra que pode alcançar mais de US$ 2 bilhões ao longo dos próximos 12 meses, a partir dos contatos feitos e de vendas futuras.

A presença brasileira no evento - realizado na semana passada - foi organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e pelo Consulado do Brasil em Xangai. Na oportunidade, foram realizadas 1971 reuniões de negócios, 1531 das quais com potenciais novos clientes.

Predomínio das carnes

O melhor desempenho brasileiro veio das empresas que trabalham proteínas animais, cuja presença na feira chinesa foi coordenada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) em parceria com a Apex-Brasil.

A participação brasileira contou com a presença de 16 empresas: Barra Mansa, Boi Brasil, Cooperfrigu, Estrela, Frigol, Frigotil, Frisa, Iguatemi, JBS, Minerva, Marfrig, Masterboi, Mataboi, Mercúrio, Naturafrig e Plena. "Nossa avaliação é de que a SIAL 2019 foi muito proveitosa, num momento em que o Brasil negocia a ampliação das exportações para a China por meio de novas habilitações", ressaltou o presidente da Abiec, Antônio Camardelli.

Outro detalhe é que, diante do cenário de guerra fiscal entre China e Estados Unidos, essa edição da SIAL China teve como apelo especial a busca da garantia de abastecimento ao país. O gerente de Agronegócios da Apex-Brasil, Igor Brandão foi questionado pela mídia local sobre a capacidade brasileira de ocupar espaços deixados pelos norte-americanos. "Nossas empresas precisam estar preparadas e competitivas para qualquer contexto. A guerra econômico-comercial é uma conjuntura de momento, que pode passar. Por isso precisamos estar atuantes e preparados para uma presença e fornecimento de longo prazo, não apenas conjuntural", destacou.

Mercado gigante

A China é o principal parceiro comercial do Brasil há vários anos. Pelos dados do Ministério da Economia, o comércio entre os dois países, somando exportações e importações, atingiu cerca de U$ 100 bilhões no ano passado. Os principais produtos de exportação do Brasil para os chineses são soja, petróleo (não refinado) e minérios de ferro. Já o Brasil importa da China principalmente produtos manufaturados em geral.

Para se ter uma ideia da representatividade chinesa no mercado global, estima-se que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - supere 6% ao ano até 2020 e que os gastos totais dos consumidores chineses devem crescer 9,1% ao ano, em média, entre 2016 e 2020. Esse crescimento será impulsionado pelas classes de renda média-alta e alta, sobretudo os consumidores nascidos nos anos 80 e 90 (os chamado "millennials"), faixa da população mais propensa a experimentar novos produtos.

A região de Xangai, onde se realiza a SIAL China 2019, é uma das Zonas Econômicas Especiais do país e uma das mais populosas cidades, importante hub - anel de conecção - para realização de negócios. "Estar presente em Xangai significa também a possibilidade de estabelecer operação de distribuição para outras regiões da China", reforça Brandão.

Carne brasileira elogiada

A agenda da viagem também incluiu uma visita ao porto e armazéns da Zona Franca de Zhangjiagang, localizada entre três grandes capitais de províncias chinesas, as cidade de Xangai, Hangzhou e Nanquim. A presidente de uma grande companhia de logística da cidade, Xu Lujia, elogiou a carne brasileira, a mais consumida na região, e destacou que espera cada vez mais empresas brasileiras chegando à China pelo porto de Zhangjiagang.

"A carne brasileira, de vaca, porco ou frango, já é a mais consumida por aqui e nossa infraestrutura de câmaras frias permite uma expansão exponencial das quantidades exportadas pelo Brasil à China", destacou Lujia.

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Fonte: Estadão Conteúdo/UDOP

Insumos

4. Com alta do frete, indústria investe R$ 15 milhões e compra 25 caminhões

Outra gigante do setor de alimentos, a Predilecta, ainda sofre com os efeitos da greve dos caminhoneiros. Prejuízos foram sentidos não só à época pela suspensão da entrega das matérias-primas às fábricas e do produto final aos clientes, mas também depois, no faturamento da companhia. O resultado ficou 20% menor do que o total contabilizado no mesmo período de 2017. Para driblar a alta do frete rodoviário, uma consequência da greve, a empresa investiu R$ 15 milhões na compra de mais de 25 caminhões para aumentar a frota própria.

A Predilecta é a maior processadora de goiaba vermelha do mundo e a maior empresa nacional de tomate e milho verde"

A compra dos novos veículos foi feita 80% por financiamento de bancos privados e 20% de recursos próprios. Com a aquisição, a empresa aumentou o número de veículos de 150 para 180 caminhões. Antes, apenas 55% do transporte dos produtos era feito com veículos próprios e, agora, esse percentual subiu para 70%.

O diretor da Predilecta, Bruno Trevizaneli, avalia que os prejuízos da paralisação dos caminhoneiros são “incalculáveis”. Ele, no entanto, considera legítima as reivindicações dos profissionais por melhores e mais justas condições de trabalho. “Na época, o frete subiu 30% em uma semana. Imagine mandar uma carreta para determinada região pagando de frete 30% sobre valor da mercadoria. Fomos obrigados a deixar de vender para alguns locais”, explica.

A companhia não tem previsão de adquirir novos veículos em razão da retração do mercado de consumo. Se a situação econômica melhorar, porém, não está descartada nova compra. Conforme o diretor, a solução é a mais adequada pois os produtos comercializados são de baixo valor agregado, o que impede a Predilecta de repassar o reajuste no frete para o consumidor final. A empresa é a maior processadora de goiaba vermelha do mundo e a maior de atomatados e de milho verde do Brasil.

Prejuízos

Trevizaneli explica que, normalmente, o setor de conservas tem crescimento de 5% a 6% ao ano. Somente no primeiro quadrimestre do ano passado, porém, foi registrado crescimento de 30% se comparado com igual período de 2017. Já em maio, por conta do bom desempenho verificado nos primeiros meses, a expectativa era alta, mas a greve teve efeito contrário.

“Ela [greve] ocorreu no pior momento porque vínhamos de uma crescente. Para nós, foi muito ruim. No mês da greve nosso faturamento foi 20% menor do que em maio de 2017, uma diferença de R$ 55 milhões. Então, para retomarmos o crescimento é praticamente impossível”, contabiliza.

À época, até o mesmo o transplantio de tomate rasterio, usado para produção de molhos, ficou prejudicado nas plantações da companhia porque os caminhões de sementes não conseguiam chegar às propriedades rurais. Além disso, as matérias-primas, como tomate, milho e goiaba, ficaram impedidas de chegar às fábricas. Nas plantas da empresa, foi registrada falta de latas, embalagens, caixas plásticas, papelões, rótulos, vidros e açúcar.

Como na semana da paralisação o plantio foi suspenso, no período subsequente, às matérias-primas também faltaram. “Pelo nosso histórico, no segundo semestre de cada ano nossas vendas são aquecidas, o que significa que quando deveríamos começar a nos recuperar da greve, faltou insumos do campo porque não tínhamos plantado”, acrescenta Trevizaneli.

Conforme o diretor, nem mesmo o fim da greve foi capaz de resolver os problemas. “Depois que a greve acabou, por pelo menos duas semanas seguidas, as fábricas ficaram rodando ociosas porque demorou para que o ritmo de chegada de insumos fosse restabelecido. Os próprios caminhões que compramos demoraram três meses para chegar porque as entregas das montadoras também foram prejudicadas”, lembra.

Frota própria

Não foi só a empresa de alimentos que decidiu investir em frota própria no período pós-greve. O grupo G10, conglomerado de empresas de transporte com sede em Maringá (PR), desembolsou, de uma só vez, R$ 165 milhões e comprou 300 caminhões da Scania. Foi a maior compra da história da empresa em um ano e a segunda maior da fabricante no Brasil. Até então, a Amaggi ocupava o posto de maior compradora brasileira de caminhões da marca, também pela aquisição de 300 veículos.

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Fonte: Globo Rural

5. Aviação agrícola x drones

A aviação agrícola no Brasil começou em 1947 para conter um ataque de gafanhotos em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Ao longo dos anos a prática foi se expandindo para culturas como café, soja, algodão e modernizando os equipamentos e técnicas de pulverização para melhor controle de pragas e aproveitamento dos agroquímicos.

Já as aeronaves não tripuladas ou drones surgiram na década de 60 mas longe da agricultura, com fins militares. Os multi-rotor são os mais conhecidos. Possuem limitações de velocidade, resistência e autonomia. Por isso, não podem ser utilizados para monitoramento de grandes áreas e atividades que carecem percorrer grandes distâncias. Por outro lado são mais fáceis de serem controlados, podem ficar estáticos no ar e tirar fotos e filmar pontos fixos ou áreas menores. Os drones de asa fixa são totalmente diferentes do modelo de multi-rotor, sendo muito parecidos com aviões. Esse modelo consegue cobrir grandes distâncias, áreas amplas e monitorar diversos pontos de interesse. Através do uso de sensores e câmeras de alta resolução, os drones de asa fixa têm possibilitado grandes avanços em diversas áreas.

O Brasil tem a segunda maior frota de aeroagrícolas. De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag)no ano passado o setor cresceu 3,74%, chegando a 2.194 aeronaves. A atividade também é uma das mais perigosas na aviação brasileira. Para pulverizar uma plantação inteira, os pilotos precisam voar em baixa altitude e executar manobras semiacrobáticas.

Como alternativa de custo e para alcançar áreas pequenas e direcionadas empresas, cooperativas e start ups vem investindo em drones. A tecnologia permite, entre outras coisas, mapear áreas com imagens e, a partir disso, definir locais específicos para pulverizar ou até mesmo aplicar agroquímicos com uso do equipamento. A cadeia produtiva de drones no país movimenta, em média, R$ 300 milhões ao ano, 50% a mais a cada ano. Hoje, já são mais de 700 empresas e previsão é dobrar de tamanho até o fim deste ano.

Os drones vão acabar com a aviação agrícola?

Silvio Antônio Pilau atua há quatro décadas na aviação agrícola. Já trabalhou em lavouras de soja, trigo, arroz, pastagens, algodão, cana-de-açúcar, bananal e reflorestamento no Rio Grande do Sul, Nordeste e Centro-Oeste do país. Ele acredita que os drones vieram para ficar. “No início eles não substituirão os aviões pois, praticamente a aviação agrícola atua em grandes propriedades mas, com o tempo, com o aumento da capacidade de carga dos drones é possível que eles substituam os aviões de pequeno e médio porte” define.

Pilau vê o cenário mais favorável aos drones em pequenas propriedades onde há dificuldade em tecnologia de aplicação e onde faltam profissionais qualificados e capacitados e treinados para a aplicação de defensivos. “Os aviões agrícolas continuarão atuando em setores de plantio de semente, adubação, grandes propriedades mas isso não significa que os drones não poderão vir a fazer esses serviços pois a tecnologia veio para deixar a sua marca”, explica.

Ele ainda acredita que a eficiência, a baixa necessidade de mão-de-obra, baixo custo de manutenção, pouca exposição do ser humano aos defensivos agrícolas são grandes aliados da tecnologia para que ela permaneça no mercado, levando em conta o custo-benefício.

Tecnologias complementares

Para o Engenheiro Agrônomo, Josué Verba, o uso da aviação agrícola e dos drones podem ter ações complementares. “É um momento de mudanças muito aceleradas e o potencial destas novas tecnologias combinadas trarão grandes mudanças no panorama da tecnologia de aplicação” completa.

Verba diz que o uso complementar dos drones estaria focado na aplicação localizada com problemas pontuais como manchas de plantas daninhas ou em situações onde as limitações geográficas, climáticas, de legislação e operacionais para aviação agrícola poderiam ser de grande potencial pra utilização dos drones.

“A minha opinião é que os ganhos na tecnologia de aplicação estão mais ligadas à mudanças disruptivas. Há empreses investindo em tecnologias de identificação de pragas e plantas daninhas com o uso de drones. A combinação de tecnologias de identificação de plantas daninhas e misturas instantâneas nas barras de pulverização para aquele alvo foi apresentada recentemente no Congresso de Plantas Daninhas e já é operacional. A combinação destas tecnologias de identificação de pragas, aplicação localizada, inteligência artificial, uso de Big Data e integração entre as diferentes modalidades de tecnologia de aplicação direcionarão o uso dos drones na agricultura”, explica.

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Fonte: Agrolink

6. Anvisa conclui que 2,4-D não traz riscos ao consumidor

Após reavaliação, a Anvisa decidiu manter o 2,4-D no mercado brasileiro por não encontrar qualquer evidência de que o herbicida seja tóxico para a reprodução e para a formação de fetos (teratogênico), nem para o sistema endócrino. “Os dados disponíveis também afastam a possibilidade de o produto ser mutagênico ou causador de câncer”, afirmou a Anvisa em comunicado oficial.

A Agência afirma ter revisado ainda todos os limites de resíduos vigentes e também avaliou dados sobre resíduos de agrotóxicos em alimentos e na água, chegando à conclusão de que não existe perigos para o consumidor final: “Mesmo considerando os níveis máximos de resíduos de 2,4-D encontrados em alimentos e na água, o risco para a população é bem reduzido”.

Por outro lado, a Agência aponta riscos para o trabalhador rural que lida com esses produtos e, por isso, definiu medidas que terão que ser adotadas para sua aplicação no campo. Uma delas é a definição de um limite de exposição para o trabalhador rural. Com isso, a Anvisa pode definir medidas de proteção específicas para esse trabalhador.

O trabalhador que preparar o produto não poderá ser o mesmo que fará a aplicação no campo, mesmo com máquinas. A reentrada de trabalhadores só poderá ser feira em uma área que foi pulverizada com o 2,4-D depois do tempo mínimo definido ou com uso de equipamento de proteção individual.

Foi delimitada uma margem de bordadura de 10 metros para o interior da plantação em que o agrotóxico não pode ser aplicado, caso haja edificações a menos de 500 metros da lavoura. Será ainda obrigatório o uso de equipamento ou alteração na formulação que minimize o perigo de dispersão do produto para fora da lavoura.

Limitação da dose máxima – Será de 1,7 kg/hectare por via costal, isto é, quando o trabalhador usa a bomba de aplicação como uma mochila. Esta medida é específica para a cultura de café e quando não for possível a redução da deriva.

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Fonte: Agrolink

Proteína Animal

7. Exportação de lácteos da Argentina aumenta 9% no 1º trimestre, para 72,6 mil toneladas

A exportação de produtos lácteos argentinos aumentou 9% em volume no primeiro trimestre deste ano, em comparação com igual intervalo do ano anterior, informou, em nota, a Secretaria de governo do Agronegócio. Nos três primeiros meses do ano, exportadores argentinos venderam para o exterior 72,6 mil toneladas de produtos lácteos, gerando uma receita de US$ 210,33 milhões.

Do total exportado no período, 31% correspondeu ao leite em pó integral, 20% a outros produtos e 19% a soro de leite. "O crescimento das exportações impulsiona o restante da cadeia, pois a produção de lácteos na Argentina está fortemente ligada ao mercado externo", afirmou o secretário Luis Miguel Etchevehere.

Em abril, a produção láctea argentina alcançou 736,9 milhões de litros, aumento de 2% em relação ao mês anterior, mas queda de 5% na comparação anual. Já o preço de referência pago ao produtor atingiu 13,32 pesos argentinos por litro, 13% maior que o registrado em março de 2019 e 118% superior ao reportado no mesmo mês de 2018.

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Fonte: Estadão Conteúdo/Globo Rural

8. FRANGO/CEPEA: alto no valor da carne suína eleva competitividade de frango

A carne de frango – que é tradicionalmente a proteína mais consumida pelos brasileiros, devido ao menor preço frente aos das principais concorrentes – vem se encarecendo no mercado doméstico. Apesar disso, entre abril e a parcial de maio (até o dia 16), a valorização da carne suína foi ainda maior do que a do frango, ampliando a competitividade dessa proteína. Já em relação ao preço da carne bovina, que vem se mantendo estável, houve perda na competitividade.

Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento altista das cotações da carne de frango tem favorecido principalmente os exportadores. Para os agentes que comercializam apenas no mercado interno, porém, os aumentos têm reduzido a liquidez. Uma vez que o frango vivo também tem se valorizado, agroindústrias têm dificuldades em reduzir o preço de venda da carne. Enquanto em abril a carne suína era 1,73 Real/quilo mais cara do que o frango, na parcial de maio, essa diferença ampliou-se para 1,81 Real/kg, aumentando em 4,6% a competitividade da proteína avícola. Já no comparativo com a carne bovina, o frango teve sua competividade reduzida em 0,67%, com a diferença de preços passando de 6 Reais/kg em abril para 5,96 Reais/kg na parcial deste mês (até o dia 16)

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Fonte: Cepea/Esalq/Agrolink

9. Boi recupera a estabilidade em SP e a mantém em outras praças, porém a pressão persiste

Desde o meio de abril a @ vem perdendo peso no mercado paulista de boi, com variações em outras praças, indicativo de que a safra não veio mais cadenciada como se mostrava diante do atraso que a seca do começo do ano chegou a apontar. Mas houve um recuo menor do que teria acontecido em outros tempos sem a demanda chinesa mais presente em 2019 e esta segunda (20) foi uma amostra disso, apesar de um dia de poucos negócios.

Ainda a linha de baixa está presente, diante das pastagens mais secas cada dia mais e programações de abate tranquilas, e a terça-feira (21) poderá confirmar, sob negócios mais fluídos. Mas hoje as principais referências trouxeram estabilidade ante a sexta.

A Agrifatto levantou R$ 157,27 à vista, porém com menos 0,26% no acumulado semanal. Ainda para São Paulo, no prazo R$ 155.

Para a Radar Investimentos, a média paulista foi de R$ 152, também no boi comum, como foi negociado em Presidente Prudente e negócios pontuais acima, perto dos R$ 154, no caso do reportado em São José do Rio Preto.

De Bebedouro, a análise diária da Scot manteve os R$ 154 e R$ 156, respectivamente à vista e a prazo. Há praticamente uma semana a consultoria registrava os mesmos valores para São Paulo, o que, na sua visão, é sinal de manutenção do viés de baixa sob controle.

Boi China

Com a demanda aquecida pelo boi de 30 meses e quatro dentes, exigido pelos chineses sob premiação, apesar de ter perdido de R$ 1 a R$ 2 na última semana, o mercado do boi comum sofre o contágio, de acordo com a visão de Gustavo Rezende Machado, da Agrifatto, tanto quanto Gustavo Figueiredo, da AgroAgility.

Na semana passada ele dizia, aqui no Notícias Agrícolas, que isso segurava queda maior da @.

E os negócios que a Agrifatto registrou em Sandovalina, Estrela do Norte e Santo Antonio do Aracanguá, todos em São Paulo, nesta segunda, confirmam os R$ 157/R$ 158.

Também em Sandovalina @ a R$ 160 foi informada no boi Europa

Regiões

Em Dourados, o preço caiu a R$ 141, se igualando a Três Lagoas. Apesar da relativa estabilidade no Mato Grosso do Sul, o diferencial de base está em -8,33% para SP.

Nos demais estados, a Scot levantou só estabilidade.

B3 e entressafra

O mercado futuro para junho foi a R$ 153 nesta segunda, com leve sintoma de que se espera a diminuição da oferta e alguma dificuldade para os frigoríficos escalarem, o que não existe hoje.

E o contrato de outubro, seguindo o pico de entressafra, mais a expectativa de demanda chinesa aumentando, ajustou o contato em R$ 0,5 centavos, mas já veio de R$ 4 de expansão desde o começo da semana anterior.

"Há uma chance de romper os R$ 165, mas a dúvida é se o mercado vai pagar isso, com o consumo lento", explica Machado, o analista da Agrifatto.

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Fonte: Notícias Agrícolas

Agroenergia

10. Ubrabio pede aumento do percentual de biodiesel no diesel

A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) afirmou hoje, em nota, que a mistura obrigatória do biocombustível na composição do diesel precisa aumentar para evitar uma “crise iminente” na indústria.

O aumento da mistura do biodiesel ao diesel para 11% estava previsto para junho, mas foi adiado após as indústrias relatarem problemas nos testes em automóveis. Atualmente, a percentual de biodiesel no diesel é de 10%.

Em junho, acontece o 67° Leilão de Biodiesel ANP, para abastecer o país nos meses de julho e agosto. ”Sem o B11, haverá um efeito cascata que pode levar a indústria a 40% de ociosidade”, estimou o presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, em nota.

O último leilão bimestral registrou sobreoferta de mais de 408 milhões de litros, ou 30% do volume ofertado.

“Em abril, o setor ofertou 1,3 bilhão de litros, com a expectativa de atender ao aumento do B10 para o B11. Mas foi surpreendido pela mudança no cronograma previsto na Resolução CNPE n° 16/2018”, disse.

O cronograma aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no final do ano passado estabelece o aumento de 1% ao ano no teor de biodiesel adicionado ao diesel fóssil até 2023. Com isso, a previsão é alcançar o B15 (15% de biodiesel no diesel) até março de 2023.

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Fonte: Valor Econômico

11. Indústria de etanol de milho do Brasil avança com produção do cereal próxima a 100 mi t

Voltando a 2014, as notícias que apontavam para um grupo de investidores lançando um projeto para a construção da primeira unidade de etanol do Brasil baseada 100% em milho geravam desconfiança em um país que havia criado um programa nacional de álcool combustível totalmente baseado em cana-de-açúcar.

Analistas acreditavam que o plano carregava riscos associados a um mercado instável para o combustível e a incertezas relacionadas à oferta e aos preços do milho, além de uma suposição geral de que era mais caro produzir etanol de milho em relação ao de cana-de-açúcar.

Cinco anos depois, o grupo dobrou a capacidade inicial da fábrica, construiu uma segunda unidade e anunciou planos para outras três, à medida que agricultores brasileiros ampliam a produção de milho.

Duas outras empresas estão construindo unidades de etanol 100% à base de milho, e outras reformulam usinas já existentes para que também funcionem a milho nos períodos de entressafra da cana, as unidades flexíveis de etanol.

Estamos satisfeitos com as perspectivas, nossa primeira unidade vem entregando excelentes resultados", disse Rafael Abud, presidente-executivo da FS Bioenergia, empresa pioneira no setor e pertencente à brasileira Tapajós e ao norte-americano Summit Agricultural Group.

Todas as cinco unidades da FS ficarão em Mato Grosso, principal Estado de grãos do país, onde a produção de etanol avançou 275% nos últimos dez anos, devido principalmente à prática entre os agricultores de se plantar uma segunda safra, geralmente de milho, após a colheita da principal safra de verão, normalmente de soja.

A FS Bioenergia anunciou em abril suas novas usinas de etanol de milho.

Mato Grosso lidera o crescimento da produção de milho do Brasil, que deve alcançar um recorde de cerca de 100 milhões de toneladas na atual safra.

"A segunda safra com milho está consolidada. Isso abre caminho para diversos projetos no Brasil", afirmou Ricardo Tomczyk, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), grupo criado para representar a indústria de etanol de milho no Brasil.

Ele diz que a forte demanda recente por etanol, em parte por conta dos altos preços da gasolina, ajudou.

Essa demanda pode aumentar no próximo ano, quando o Brasil iniciará o programa RenovaBio, visando que distribuidoras de combustíveis reduzam as emissões de carbono, ampliando gradualmente a utilização de biocombustíveis.

A Inpasa, empresa que opera duas fábricas de etanol de milho no Paraguai, inaugurará em julho sua primeira unidade no Brasil.

Luís Pomata, diretor comercial da Inpasa, afirma que, além do etanol, bioprodutos como os grãos secos por destilação (DDGs, na sigla em inglês) e o óleo de milho também possuem demanda.

Mato Grosso é o maior produtor bovino do Brasil, com 14% do rebanho de 220 milhões de cabeças do país. A indústria pecuária do Estado está buscando impulsionar os lotes de confinamento, reduzindo os vastos campos de pastagem, e os DDGs são vistos como um importante ingrediente alimentar.

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Fonte: Reuters/UDOP

12. Suedzucker espera ano complicado com preços baixos do açúcar

O presidente-executivo da Suedzucker, maior refinadora de açúcar da Europa, afirmou nesta quinta-feira que as condições comerciais devem permanecer difíceis no primeiro semestre do ano comercial de 2019/20 por causa dos baixos preços do açúcar, mas que uma melhoria pode ocorrer a partir de outubro.

A Suedzucker tem batalhado contra um colapso nos preços mundiais do adoçante, que encerraram 2018 a seus menores níveis em dez anos, pressionados pelo excesso de oferta global.

A empresa confirmou nesta quinta-feira uma queda em seu lucro operacional na temporada 2018/19, em comparação anual até fevereiro, para 27 milhões de euros (30,2 milhões de dólares), ante 445 milhões de euros registrados no ano anterior.

O setor de açúcar da companhia marcou um prejuízo operacional de 239 milhões de euros em 2019, contra um lucro operacional de 139 milhões de euros uma temporada antes.

O CEO da Suedzucker, Wolfgang Heer, disse que o grupo não espera um impulso positivo significativo para os preços do açúcar, apesar de estimativas da consultoria F.O. Licht apontarem para um mercado equilibrado em 2018/19 e um pequeno déficit no próximo ano.

“Esperamos mais uma vez, sob as atuais condições difíceis, grandes prejuízos operacionais no primeiro semestre de 2019/20”, disse Heer. “Apesar disso, esperamos um preço médio maior, mas ainda insatisfatório para o açúcar”, completou, estimando melhorias a partir de outubro, por causa das exportações diminutas e quedas nos estoques europeus do adoçante.

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Fonte: Reuters/UDOP

Grãos e Grandes Culturas

13. Surpresa do clima garante safra robusta de soja na BA

Contrariando até mesmo as expectativas mais otimistas, o Matopiba (região de confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) apresentou uma das melhores safras de soja da história.

A falta de chuvas e o clima excessivamente quente registrado entre novembro e janeiro não foram suficientes para prejudicar a safra total da região e acabar com o paraíso astral dos produtores da oleaginosa - os bons ventos começaram no ciclo 2016/17, depois de anos de dificuldades. Perdas pontuais de produtividade foram registradas, mas seus efeitos se limitaram a impedir que o recorde da temporada passada (2017/18) fosse quebrado.

"Teve umas quebrinhas, mas, em geral, a safra foi excepcional", disse Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima.

As chuvas demoraram, mas não decepcionaram quando vieram nos meses de fevereiro e março. No oeste da Bahia - região responsável por cerca de 5% da produção nacional e aproximadamente 40% da do Matopiba -, ao redor de 30% da área estava ameaçada com a falta de chuvas no começo deste ano.

"Eram as lavouras de ciclo precoce, mas as chuvas voltaram e vimos produtividades melhores que o esperado", disse o assessor de agronegócio da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Luiz Stahlke. Com a colheita já terminada, a produtividade média registrada na Bahia foi de 56 sacas de 60 quilos por hectare, com uma produção total de 5,3 milhões de toneladas do grão.

A previsão inicial para a temporada, que termina em junho, era de 66 sacas de 60 quilos por hectare, repetindo o número recorde registrado no ciclo 2017/18. O número não foi confirmado, mas, ainda assim, foi a segunda melhor produtividade já registrada.

"No Piauí, na região de Balsas, houve problema climático, mas, mesmo assim, a safra ali foi melhor que a do ano passado", disse o agrometeorologista da Rural Clima.

Para Adriano Gomes, analista da consultoria AgRural, com sede no Paraná, o problema de muitos Estados da região - Piauí, Tocantins e Maranhão - é que houve muitos registros de chuvas "manchadas". "Aí a produtividade acaba variando muito de um talhão para outro", afirma.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção estimada de soja do Matopiba deve ficar em 13,4 milhões de toneladas, 12% da produção do Brasil. O número calculado é 10,3% menor que o do ciclo 2017/18, temporada considerada por analistas como perfeita para os padrões da região.

A produção de milho do Matopiba também não deve decepcionar em 2018/19. Segundo a Aiba, a produtividade média nos talhões já colhidos tem ficado em 140 sacas por hectare. A previsão na Bahia é de produção de 1,2 milhão do cereal, menor que as 1,5 milhão de toneladas colhidas em 2017/18. Apesar da queda, trata-se de um bom volume. "As chuvas estão ajudando a produção de milho ali também. O produtor da região está dando risada", brincou Santos.

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Fonte: Valor Econômico

14. Aumenta no Brasil produção de cacau para chocolate fino

Todos os alimentos têm histórias e sabores particulares, e, exceto por uma lista restrita de produtos como vinho, cachaça e alguns queijos, raramente os consumidores conectam as duas pontas. Essa distância existe no mundo do chocolate, mas, no Brasil, uma nova leva de empreendedores quer trocar esse disco e "reconectar" a produção nacional de cacau com a capacidade de produção de chocolates finos e de qualidade.

"Hoje você não sabe qual a origem do cacau, se é brasileiro, baiano, africano. Mas é possível ter um chocolate de origem se tiver rastreabilidade, quando você pode identificar de onde vem a amêndoa, e, principalmente, se tiver um percentual elevado de cacau na sua composição", diz o empresário Marco Lessa.

Fundador da ChOr, que fabrica chocolates com alto teor de cacau produzido na Bahia, Lessa também é um dos principais expoentes da nova "cena chocolateira" brasileira. Já organizou festivais com empresas como a sua em Ilhéus, Belém e, no último mês, também em São Paulo.

Olhares mais atentos e bolsos mais cheios já notaram que as prateleiras de lojas em grandes centros urbanos como São Paulo estão começando a ser ocupadas por esses chocolates, que muitas vezes não têm só mais cacau, mas também a identificação da região de produção e até do agricultor responsável.

Trata-se, como reconhecem os próprios empreendedores, de um mercado de nicho. Mas eles acreditam que essa pode ser a solução para uma nova fase de crescimento da cacauicultura no Brasil, que perdeu o posto de maior produtor do mundo na década de 1990 ante os estragos causados pela vassoura-de-bruxa.

Embora não existam dados oficiais sobre esse segmento, Lessa diz que, se dez anos atrás não se tinha notícia de chocolateiros preocupados com a origem do cacau utilizado, atualmente há cerca de 120 empresas no Brasil que produzem o chocolate "de origem", faturando, no total, entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões por ano.

Os números estão distante das cerca de 250 marcas de chocolate conhecidas como "bean to bar" (da amêndoa à barra) nos Estados Unidos, compara o empresário. Mas ele acredita que o número no Brasil poderá dobrar em até dez anos.

"Vai ter mais cacau fino, mais consumo e mais empreendedores", aposta Lessa. Essa certeza considera que as empresas do ramo crescem dois dígitos por ano, mesmo em anos de crise, enquanto a grande indústria avança de 2% a 3% ao ano.

Embora pequeno, esse segmento, que preza pela qualidade, compra cerca de metade do cacau "fino" brasileiro, sobre o qual se paga um prêmio. O volume corresponderia a cerca de 1 milhão de toneladas. A produção nacional de cacau gira em torno de 180 milhões de toneladas.

Dentre os empreendedores do meio há desde pequenos chocolateiros em busca de um lugar ao sol até agricultores que buscam uma forma de agregação de valor.

Lessa, que iniciou uma produção de pequeno porte de chocolate, inaugurou no início deste ano, em Ilhéus, uma planta de processamento de cacau a partir de um aporte de R$ 3,5 milhões realizado com o sócio Henrique Almeida. A unidade processará cacau sob demanda para essas novas empresas de chocolate de qualidade da região. O estabelecimento possui um laboratório para que chocolateiros e produtores testem novas receitas e será aberto à visitação de turistas.

No Brasil, como a legislação exige que todo chocolate tem que ter no mínimo 25% de cacau - abaixo da exigência de 35% em mercados desenvolvidos -, garantir um teor mais elevado que o da grande indústria parece não demandar muito esforço. Mas, segundo Lessa, a maior parte dessas novas empresas já trabalha com teores de ao menos 40%.

Para competir com as indústrias tradicionais na compra da matéria-prima, a saída é pagar mais aos produtores. E o prêmio tem sido de, no mínimo, 30% acima dos valores de mercado, diz Lessa. Segundo ele, esses prêmios chegam a dobrar a renda do produtor, dependendo do tipo e do tratamento da amêndoa.

Tal estratégia é central na Dengo, criada em 2017 pelo empresário Guilherme Leal para ser um investimento de impacto social. O negócio paga aos produtores, basicamente de pequeno e médio portes, prêmios de pelo menos 70%. Uma boa remuneração é a forma mais concreta que a empresa encontrou para alcançar seu objetivo de valorizar o trabalhador do campo, diz Estevan Sartorelli, CEO da Dengo. Mas a empresa também envia técnicos para dar assistência e incentivar a produção de um cacau fino.

Na visão do executivo, a maioria dos consumidores ainda não tem interesse em saber qual é a origem do cacau do chocolate que consome, mas já busca um produto com mais qualidade. "Em meio século, desprestigiamos a qualidade em favor da tecnologia de processamento. Mas a boa comida vem da cozinha, e não do laboratório", diz.

A expansão da cacauicultura no Pará, fomentada pelo governo do Estado e pela Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira (Ceplac), também jogou luz sobre o potencial da quantidade e da qualidade do cacau da região Norte.

Ao descobrir que a amêndoa é originária da Amazônia e que 60% do cacau fino do mundo vem do Equador, a chocolateira Luiza Abram pegou um avião e descobriu, no Acre, uma cooperativa que viria a ser sua primeira fornecedora.

Aos poucos, Luiza realizou incursões na Amazônia em busca de comunidades que já plantavam cacau e convencendo outras a apostar na cultura de forma profissional. "Alguns [produtores] até já exportavam para a Alemanha, mas em outros casos o cacau ficava para os macacos e papagaios", conta.

Luiza ensinou a muitos produtores as melhores práticas de cultivo e tratamento pós-colheita das amêndoas para garantir uma matéria-prima de boa qualidade. Para muitos deles, ela adianta parte ou até todo o pagamento como forma de garantir o capital de giro.

O preço, segundo ela, é acertado conforme o tratamento dado à amêndoa. "Quando ele beneficia [o cacau], como com fermentação e secagem, o preço passa de R$ 5 a R$ 8 o quilo para R$ 25 a R$ 30".

Em 2014, quando iniciou o negócio, Luiza comprou 20 quilos de cacau. No ano passado, já com fábrica de chocolate própria, a empresária adquiriu 3,5 toneladas e, neste ano, o plano é alcançar 10 toneladas.

Parte do segredo de seu crescimento reside na ligação que ela estabelece entre produtores e consumidores. "Cada vez eu tento acrescentar mais informação na embalagem sobre de onde vem [o cacau], a história da comunidade ou da cooperativa, e a nota dos sabores", conta. Luiza já emplacou sua marca de chocolate, que leva seu nome, nos principais empórios das grandes capitais e sua última conquista foi acertar fornecimento para a rede Pão de Açúcar.

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Fonte: Valor Econômico

15. Receita mira sonegação de R$ 2,5 bi na exportação de suco de laranja

Representantes de empresas exportadoras de suco de laranja participaram, na quinta-feira, 16, de uma "reunião de conformidade" com a Receita Federal em São Paulo. A reunião é uma das etapas da Operação Citrus, que busca combater a sonegação de tributos na exportação de suco de laranja. O Fisco federal estima que R$ 500 milhões em tributos tenham deixado de ser recolhidos anualmente nos últimos cinco anos, totalizando R$ 2,5 bilhões.

As informações foram divulgadas pela Seção de Comunicação Institucional da Receita Federal.

Após fazer uma "análise aprofundada" e ter realizado fiscalizações em empresas do setor, a Receita identificou que cerca de 85% das exportações de suco de laranja das maiores empresas do País eram destinadas a empresas do mesmo grupo sediadas no exterior.

Segundo a Receita, como os preços praticados entre partes relacionadas não são negociados em mercado aberto, a legislação determina que eles sofram ajustes para equiparação aos preços adotados entre parceiros comerciais não relacionados.

No caso da exportação de suco de laranja, o Fisco detectou a prática de subfaturamento.

Em algumas situações, o suco era exportado por valor até 30% menor que o preço de mercado praticado no exterior. "Há fortes indícios de que essa prática tenha sido adotada por grande parte do setor."

Segundo a Receita, esse procedimento pode ter resultado em uma omissão de R$ 12,5 bilhões em receita bruta nos últimos cinco anos, reduzindo o lucro declarado pelas empresas e o recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

'Preocupação internacional'

A preocupação com os chamados "preços de transferência", aqueles praticados entre partes relacionadas, não é apenas do Brasil, diz a Receita.Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), "as transações transfronteiriças intragrupos constituem uma parte significativa do comércio global e garantir que as regras tributárias aplicáveis sejam efetivas é uma prioridade na agenda internacional de tributação".

Ainda de acordo com a OCDE, para os governos, os preços de transferência dizem respeito a como assegurar que os lucros tributáveis não sejam desviados artificialmente.

No caso do Brasil, a troca de informações com países da Europa e da América do Norte ajudaram a Receita a identificar a sonegação.

As operações com partes relacionadas estão entre as principais ações de fiscalização da Receita em 2019, conforme o Plano Anual de Fiscalização. "O objetivo é monitorar e evitar abusos em relação aos preços de transferência.

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Fonte: Estadão Conteúdo/Globo Rural

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