CARLOS GERALDO LANGONI

ESTAGNAÇÃO

O recuo do PIB neste 1º trimestre confirma a tendência de relativa estagnação da economia.

A fragilidade da atividade reflete o impacto negativo da onda de incertezas.

Óticas:

A contração na margem afetou a agropecuária e a indústria. Já o setor de serviços - intensivo em mão-de-obra - apresentou expansão modesta de apenas 0,2%.

Da ótica da demanda, os planos de investimentos permanecem paralisados, refletindo a percepção desfavorável do risco-país no curto prazo.

Há, também, o efeito negativo das margens ainda elevadas de capacidade ociosa que inibem o setor privado.

A contribuição do consumo das famílias está constrangida em virtude do elevado nível de desemprego e da lenta recuperação do rendimento real.

A taxa de desocupação apresentou pequena queda, mas permanece em patamar elevado (12,5% no trimestre terminado em abril, de acordo com a PNAD contínua).

Chama a atenção também o estoque recorde de mão-de-obra sub-utilizada (28,4 milhões).

O rendimento real e a massa salarial permanecem estáveis. Ou seja, o crescimento lento gera graves consequências sociais: aumento da desigualdade e congelamento da mobilidade.

Perspectiva:

Como os índices de confiança mantêm viés negativo – o ICE da FGV, medida relativa ao empresário, recuou 2% em maio - é grande a probabilidade de o PIB crescer apenas 1% este ano.

Essa relativa estagnação está fundamentada na combinação entre a baixa taxa de investimento - apenas 15,5% do PIB - e queda na produtividade.

O Brasil aparece em 59º lugar entre 63 paises no ranking de competitividade do IMD (Institute of Management Development).

A ineficiência das políticas e instituições públicas é a principal causa. Pesam ainda o elevado custo do crédito e a complexidade tributária que afetam diretamente o ambiente de negócios.

O país investe relativamente pouco em inovações tecnológicas e sofre o impacto negativo da baixa qualidade do ensino.

Reformas:

Esses fatores estruturais reforçam a componente cíclica do baixo crescimento. O resultado é queda acentuada do PIB potencial para a faixa de 1 / 2% ao ano.

Alguma retomada poderá acontecer já no 2º semestre, com a ancoragem fiscal reduzindo os níveis de incerteza.

A importância dos fatores estruturais deixa mais uma vez evidente que o reencontro com nova trajetória de crescimento sustentado só será viável com a reforma do Estado.

Em resumo, o ritmo do PIB desacelerou neste 1º trimestre. O recuo foi particularmente forte na indústria e nos investimentos.

O ajuste fiscal deve melhorar os índices de confiança, permitindo alguma recuperação no 2º semestre.

De qualquer forma, salto no PIB potencial só com a implementação de todas as etapas do choque liberal, a saber: reformas fiscal e tributária, abertura e privatizações.

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