Conjuntura do Agronegócio

1. Líder ruralista defende decreto sobre armas depois de almoçar com Moro

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), defendeu que o Senado não derrube por completo o decreto que flexibilizou a posse e o porte de armas no país, tema caro à bancada ruralista.

"Talvez o decreto não seja por inteiro um decreto que possa ser aprovado pelo Senado, mas a gente aprova aquilo que pode ser aprovado, aquilo que é bom", disse Moreira nesta terça-feira, após almoço com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

"Negar por negar, para oferecer uma derrota política, não vai certamente oferecer uma derrota política somente ao presidente da República, senão a uma grande parcela da sociedade que gostaria de ter acesso [a armas] e não terá", afirmou.

Para Moreira, as pessoas devem ter o direito de se defender de eventual violência. "Não é justo o cidadão não ter acesso a arma, quando o bandido tem acesso a arma quando quiser, onde quiser."

O deputado disse que o deve ser regulamentado é o uso da arma, não o acesso: "É preciso ser extremamente rígido com a regulamentação do uso da arma, regular a disciplina de uso, se utilizá-la mal, significa não ter mais direito à arma nunca mais na vida."

Segundo o deputado, se o decreto chegar à Câmara, o texto deve ser aprovado. O presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, no entanto, que vê irregularidades na norma editada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Correligionário do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o líder do DEM na Câmara, deputado Elmar Nascimento (BA), disse que algumas medidas que constam no decreto das armas deveriam ser levadas adiante, mas afirmou que o governo de Jair Bolsonaro deveria ter encaminhado a proposta via projeto de lei.

“Quando vem por decreto, traz insegurança jurídica. Seria mais salutar enviar via projeto de lei”, disse Elmar durante audiência da Comissão de Constituição e Justiça na Câmara, da qual Onyx participa para prestar esclarecimento sobre o decreto dar armas.

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Fonte: Valor Econômico

2. Nova MP devolve à Agricultura competência para demarcar terra indígena

A nova medida provisória sobre a reforma administrativa do governo editada pelo presidente Jair Bolsonaro devolve para o Ministério da Agricultura a competência para demarcar terras indígenas. A MP, que traz outras alterações na estrutura da Esplanada, foi publicada na edição desta quarta do "Diário Oficial da União".

No primeiro dia do ano, Bolsonaro havia assinado uma primeira MP, que reduziu para 22 o número de ministérios e transferiu a identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas para a Agricultura. O Congresso aprovou a MP, mas rejeitou a transferência das demarcações para a Agricultura, no que foi sancionado em lei pelo presidente ontem.

À época, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) chegou a se manifestar contra a saída das demarcações da Pasta da Agricultura e prometeu se mobilizar para barrar a decisão do Congresso. Deputados ruralistas até protocolaram um destaque no plenário da Câmara nesse sentido, mas a pedido do governo, como a MP corria um grande risco de caducar, a bancada acabou recuando e não garantiu a votação necessária para evitar o retorno das demarcações para a Funai.

Com a mudança, as demarcações dessas terras voltam para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e à Secretaria de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, comandada por Luiz Antônio Nabhan Garcia, amigo de Bolsonaro. O órgão, criado pelo atual governo, cuida de regularização fundiária de terras quilombolas, reforma agrária e do programa Amazônia Legal. "Voltar a demarcação para a Agricultura foi uma decisão do presidente e está dada", disse Nabhan ao Valor.

Por outro lado, contudo, a MP de hoje manteve a Funai de volta ao Ministério da Justiça, como o Congresso também havia decidido durante a tramitação da primeira medida provisória. A ideia original de Bolsonaro era manter o órgão sob o guarda-chuva da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, da ministra Damares Alves.

Na semana passada, o general Franklimberg Ribeiro foi exonerado da presidência da Funai, alegando ter sofrido pressões de Nabhan e da bancada ruralista. Ele já havia ocupado o cargo no governo do ex-presidente Michel Temer, do qual também foi demitido por insatisfação de ruralistas.

Interlocutores da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, dão conta de que a ida das demarcações para a Agricultura sempre lhe causou desconforto. Além do mais, seu ministério vinha tendo dificuldades para absorver as demarcações e regulamentar a transferência, o que dependia de decretos que sofreram resistência da Funai e não chegaram a ser publicados.

Ao mesmo, Tereza sempre defendeu que índios também tenham liberdade para serem produtores rurais e mais independência das organizações não-governamentais (ONGs). A edição da MP de hoje, porém, poderá trazer problemas ao governo, já que a reedição de uma MP ou conteúdos dela em um mesmo ano é vedada por lei.

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Fonte: Valor Econômico

3. Oposição pede que Senado devolva MP que transfere demarcação de terras

O líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em ligação feita nesta quarta-feira, que ele devolva para o Poder Executivo uma nova medida provisória (MP) enviada pelo presidente Jair Bolsonaro para transferir para o Ministério da Agricultura a responsabilidade da demarcação de terras indígenas. Procurado pelo Valor, Alcolumbre não respondeu se devolverá a MP ao Executivo.

Na avaliação de Molon, a reedição da MP “afronta” a recente decisão do Congresso de deixar a questão da demarcação de terras com a Fundação Nacional do Índio (Funai), alojada no Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Em janeiro, Bolsonaro já havia enviado MP que estabelecia mudanças na estrutura administrativa do governo e que transferia a responsabilidade por demarcação de terras para a pasta comandada por Tereza Cristina.

“Liguei para Alcolumbre e pedi que ele devolvesse o texto ao Executivo. Devemos devolver essa MP para que ela seja refeita sem as inconstitucionalidades que a condenam, em especial essa nova tentativa de transferir a demarcação de terras para o Ministério da Agricultura”, disse Molon durante fala na comissão especial que aprecia a reforma da Previdência.

A MP 886/2019, estabelece que "reforma agrária, regularização fundiária de áreas rurais, Amazônia Legal, terras indígenas e terras quilombolas" são competências da pasta comandada por Tereza Cristina. Além disso, o novo texto afirma que "a competência de que trata o inciso XIV do caput [item acima] compreende a identificação, o reconhecimento, a delimitação, a demarcação e a titulação das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos e das terras tradicionalmente ocupadas por indígenas”.

Molon afirmou que ainda nesta quarta-feira protocolará no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), pedindo a declaração de inconstitucionalidade da nova tentativa do governo de transferir a demarcação de terras para a pasta de Agricultura.

O líder do Psol na Câmara, Ivan Valente (SP), também criticou a iniciativa de Bolsonaro e disse que o presidente "quer governar por decreto e MPs". "Ele cismou que é imperador", afirmou Valente, acrescentando que a decisão do mandatário de reenviar a MP ocorreu por pressão da bancada ruralista.

Segundo a Constituição Federal, é proibida a reedição, numa "mesma sessão legislativa" - que se refere ao período de atividade do Congresso entre 2 de fevereiro e 17 de julho e 1 de agosto e 22 de dezembro de um menos ano -, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou tenha perdido a eficácia.

Bolsonaro editou a MP da reforma administrativa em janeiro, quando deputados e senadores ainda não haviam iniciado as atividades legislativas de 2019.

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Fonte: Valor Econômico

Insumos

4. Plano Safra iguala ano anterior e oferta R$ 222 bi em crédito rural

O Plano Safra 2019/20, anunciado nesta terça-feira em solenidade no Palácio do Planalto, vai ofertar R$ 222,7 bilhões em crédito rural, incluindo recursos para a agricultura empresarial e para a agricultura familiar. É o mesmo patamar da temporada 2018/19. O novo plano entra em vigor em 1º de julho. Do montante separado para subsídio, mais da metade irá para pequenos produtores (50,5%). Na safra anterior, foram 44%.

Do total, o Plano Safra prevê R$ 169,3 bilhões para linhas de custeio, comercialização e industrialização, e R$ 53,4 bilhões para linhas de crédito de investimentos.

Conforme o Valor antecipou, a taxa de juros para os grandes produtores será de 8% ao ano, ante 7% na safra 2018/19. O governo manteve a taxa de juros para produtores de médio porte em 6% ao ano. As taxas de juros para pequenos produtores serão de 3% a 4,6% ao ano. O Plano Safra terá taxas de juros entre 3% e 10,5% ao ano para linhas de crédito de investimento.

Ainda de acordo com o governo, o Plano Safra destinará R$ 31,2 bilhões para linhas de crédito para agricultura familiar (Pronaf), R$ 1 bilhão para o programa de subvenção ao seguro rural, R$ 23,7 bilhões em crédito para médio produtor (Pronamp), R$ 50,7 bilhões em linhas de crédito para grandes produtores, R$ 69,1 bilhões em recursos com juros livres e R$ 55 bilhões oriundos de captações de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).

Subsídios

Mais da metade dos R$ 9,8 bilhões em subsídios que o governo vai injetar no crédito rural (50,5%) na Safra 2019/20 será destinada para equalizar as taxas de juro das linhas do linhas do Pronaf (pequenos produtores). No atual ciclo (2018/19), essa fatia foi de 44%.

Em outra frente, os gastos com equalização de taxa dos financiamentos voltados para a agricultura empresarial (médios e grandes produtores) vão recuar de 56% do total desses subsídios em 2019/20 para 49,5% na próxima safra, conforme dados do Ministério da Agricultura obtidos pelo Valor.

Os números mostram que o governo não cortou os subsídios do crédito agrícola, que serão mantidos em cerca de R$ 10 bilhões, mas decidiu apoiar mais os pequenos agricultores, que são em grande parte subsidiados – 100% dos recursos do Pronaf são a juros controlados.

“Pela primeira vez o Tesouro vai reservar quase R$ 5 bilhões para subsidiar o crédito dos pequenos”, disse hoje a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante anúncio do Plano Safra 2019/20. “Senhor presidente, como pode ver, pensamos muito para construir esse Plano Safra. E nós realmente pensamos nos pequenos”, acrescentou, acompanhada do presidente Jair Bolsonaro.

Seguro rural

Tereza Cristina admitiu que, apesar de expressivo, o volume de R$ 1 bilhão destinado ao programa federal de subsídios ao seguro rural para a próxima safra não está livre de cortes no Orçamento.

“Estamos usando ainda o recurso anunciado no ano passado, e a partir de janeiro de 2020 teremos R$ 1 bilhão. O que estamos pensando para frente é que não se tenha mais contingenciamento de recursos”, afirmou Tereza.

O montante de R$ 1 bilhão foi prometido em abril pelo próprio Bolsonaro durante a Agrishow, maior feira agropecuária do pais, que anualmente acontece em Ribeirão Preto (SP). E foi elogiado hoje na cerimônia de lançamento do Plano Safra por entidades do agronegócio, para as quais o aumento na oferta de seguro pode contribuir para uma futura queda nas taxas de juros do crédito rural.

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Fonte: Valor Econômico

5. Oferta de financiamentos com LCA dobra na safra 2019/20

O montante de crédito rural previsto a partir de captações de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) é quase duas vezes maior que o estimado para esta safra 2019/20, conforme as diretrizes anunciadas hoje pelo governo para o novo Plano Safra. O valor projetado é de R$ 69,1 bilhões, ou 36% de todo o volume de crédito anunciado para a agricultura empresarial na temporada (R$ 191,5 bilhões).

Na safra atual (2018/19), que terminará em 30 de junho, foram previstos, inicialmente, R$ 27 bilhões a partir de LCA, mas nos 11 primeiros meses do ciclo (julho do ano passado a maio último) os bancos concederam R$ 28,5 bilhões em financiamentos.

“Como sabíamos do aperto fiscal, essa medida foi bem discutida e negociada com o Banco Central para que pudéssemos chegar neste momento com um sinal bem claro de que teríamos mais recursos com LCA”, afirmou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

Como as LCA são recursos livres, que saem do caixa dos bancos e não contam com subsídios do governo, Tereza não arriscou fazer estimativas sobre as taxas de juros dos empréstimos baseados nessa fonte de recursos. O secretário de Política Agrícola da Pasta, Eduardo Sampaio, porém, disse que na atual Safra 2019/20 essas operações estão com taxas entre 8,5% e 11% ao ano.

Atualmente, os bancos precisam direcionar 35% de suas emissões com LCA para o crédito rural. O ministério queria ampliar o percentual para 50%, mas, segundo Sampaio, o nível atual deverá ser mantido.

Até meados do presente ciclo, também existia um linha de crédito do Plano Safra com funding em LCA e taxa controlada. Em janeiro, porém, o Conselho Monetário Nacional (CMN) excluiu essa exigibilidade e todos os financiamentos com base em LCA voltaram a ser totalmente livres.

“Quando destravamos as taxas da LCA, os bancos têm aplicado mais do que o direcionamento nesta safra, por volta de 41%”, disse o secretário.

Afora os recursos livres, Tereza também reiterou que o Plano Safra 2019/20 contará com um orçamento para gastos com equalização das taxas de juros do crédito rural de R$ 10 bilhões, dos quais quase R$ 5 bilhões serão direcionados aos financiamentos de pequenos produtores no âmbito do Pronaf. E destacou que, pela primeira vez, o valor será maior que o voltado aos financiamentos de médios e grandes produtores.

“O recurso para subvencionar nunca foi maior para o Pronaf. Foi uma decisão política de atender um número maior de produtores”, afirmou a ministra.

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Fonte: Valor Econômico

6. Ministra tentará blindar recursos para o seguro rural

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, admitiu há pouco no Palácio do Planalto que, apesar de xpressivo, o volume de R$ 1 bilhão destinado ao programa federal de subsídios ao seguro rural para a próxima Safra (2019/20) não está livre de cortes no Orçamento.

“Estamos usando ainda o recurso anunciado no ano passado, e a partir de janeiro de 2020 teremos R$ 1 bilhão. O que estamos pensando para frente é que não se tenha mais contingenciamento de recursos”, afirmou Tereza, em entrevista coletiva.

O montante de R$ 1 bilhão foi prometido em abril pelo próprio presidente Jair Bolsonaro durante a Agrishow, maior feira agropecuária do pais, que anualmente acontece em Ribeirão Preto (SP). E foi elogiado hoje na cerimônia de lançamento do Plano Safra por entidades do agronegócio, para as quais o aumento na oferta de seguro pode contribuir para uma futura queda nas taxas de juros do crédito rural.

Para chegar a esse montante, no entanto, Tereza travou duras negociações com a equipe econômica — que vinha defendendo um valor menor, em torno de R$ 800 milhões, por causa do cenário de aperto nas contas públicas.

Para 2019, foram previstos inicialmente R$ 440,5 milhões para subvenção ao prêmio do seguro agrícola e pecuário, porém esse montante já sofreu um corte de R$ 70 milhões.

Bloqueios no orçamento do seguro são corriqueiros e, não raro, são criticados por produtores, que contam com os recursos para contratar apólices de seguro. Cerca de 10% da área plantada de grãos no país é segurada.

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Fonte: Valor Econômico

Proteína Animal

7. JBS desembolsa R$ 2,7 bi para amortizar dívidas com bancos no Brasil

JBS informou hoje, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que desembolsou US$ 700 milhões (o equivalente a R$ 2,7 bilhões) para amortizar dívidas com bancos no Brasil.

Os pagamentos fazem parte do acordo de normalização firmado pela empresa com Banco do Brasil, Banco da China, Bradesco e Santander. O saldo remanescente da dívidas atreladas ao acordo soma R$ 6,3 bilhões.

De acordo com a JBS, o pagamento feito aos bancos em junho abre espaço para que o acordo de normalização, feito inicialmente após a delação premiada dos irmãos Batista, seja extinto.

A empresa indicou, no entanto, que isso só vai ocorrer após negociar com os bancos o alongamento do prazo de vencimento das dívidas e a redução de juros.

Notícia na ítnegra

Fonte: Valor Econômico

8. Gaúcha Santa Clara investe R$ 130 milhões em um novo laticínio

A Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha, investiu R$ 130 milhões em um novo laticínio que será inaugurado em julho no município de Casca (RS). A unidade, que tem capacidade para processar 600 mil litros de leite por dia, começará a operar com metade desse volume e produzirá longa vida e achocolatados.

"A unidade tem capacidade, para produzir outros derivados, de acordo com a necessidade. É um investimento com retorno de longo prazo", disse o presidente da cooperativa, Rogerio Sauthier. Fundada em 1912, a cooperativa é a mais antiga em atividade no país nesse segmento - comemorou 107 anos em abril passado.

Com a planta, a Santa Clara passará a contar com três laticínios no Rio Grande do Sul, e ampliará de 750 mil litros de leite por dia para mais de 1 milhão seu processamento diário. O leite UHT é o carro-chefe da cooperativa, que também produz queijos, bebidas lácteas e outros derivados.

Sauthier estima que o faturamento da cooperativa deverá crescer entre 5% e 10% neste ano. Em 2018, foram R$ 1,2 bilhão. Segundo ele, os primeiros cinco meses do ano "não foram tão ruins". "Se a receita com os laticínios crescer 5% já estará de bom tamanho", projeta.

O aporte vem num momento adverso desse mercado, já que os preços do leite subiram e há dificuldade de repasse no varejo. "É no momento de crise, por exemplo, que a construção civil está desaquecida e se consegue melhores preços para investir", diz Sauthier

No agronegócio, a cooperativa também mantém um frigorífico para abate de suínos, 12 unidades de produção de leitões, com capacidade para 200 mil animais por ano, e uma fábrica de rações.

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Fonte: Valor Econômico

9. Embargo da UE de volta à pauta brasileira

Em vigor há pouco mais de um ano, as barreiras da União Europeia (UE) às exportações brasileiras de carne de frango e aos pescados voltaram à pauta do Ministério da Agricultura. O tema está na lista de tópicos que a ministra Tereza Cristina tratará durante a viagem, iniciada ontem, por alguns países do bloco. Um dos objetivos é retomar as conversas sobre o assunto com os europeus.

No curto prazo, porém, são remotas as chances de reabertura desses mercados - a UE proibiu totalmente as compras de pescados e vetou 20 frigoríficos brasileiros de carne de frango no ano passado.

A ideia é que a ministra tenha uma primeira reunião com autoridades da Diretoria-Geral para Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia, entre terça-feira e quarta-feira da próxima semana, quando estará em Bruxelas para a reunião ministerial sobre o acordo entre UE e Mercosul.

Hoje, Tereza desembarca em Roma, onde participa no domingo da votação que elegerá o novo diretor-geral da FAO, braço da ONU para Agricultura e Alimentação. O candidato apoiado pelo Brasil é o vice-ministro da Agricultura e dos Assuntos Agrários da China, Qu Dongyu. Na segunda-feira, Brasil, Uruguai e Argentina oficializaram, em comunicado conjunto, o apoio a Dongyu.

Ao Valor, o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Orlando Leite Ribeiro, reconheceu que as conversas sobre as barreiras sanitárias europeias ainda não devem trazer resultados concretos. "Será uma primeira conversa em Bruxelas. Não há nenhuma indicação de que o assunto [dos embargos] esteja encaminhado. Então não vai dar para resolver os assuntos todos nessa viagem, mas é um bom momento para ela dizer que o assunto é prioridade nossa", sustentou Ribeiro.

Para que o bloco europeu levante os embargos e autorize a retomada dos embarques, devem ser enviadas missões de técnicos europeus para inspeção tanto de frigoríficos de aves quanto fábricas de pescado. No entanto, uma fonte da Comissão Europeia disse que, por enquanto, não há qualquer previsão de uma missão sanitária ao Brasil e que "a bola está com o Ministério da Agricultura".

No momento, o caso dos pescados parece ser o de mais difícil resolução. A União Europeia acaba de rechaçar pela terceira vez o plano de ação encaminhado pela Agricultura e fontes do setor temem que as negociações sobre o tema voltem à estaca zero.

Em contrapartida, os exportadores de carne de frango estão otimistas, embora a motivação do embargo - a Operação Trapaça, que investiga a BRF - ainda esteja pendente de conclusão.

"É muito positiva a ida da ministra a Bruxelas. Na nossa avaliação, de quatro a seis empresas estão prontas para voltar a exportar", afirmou Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

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Fonte: Valor Econômico

Agroenergia

10. Produção de etanol de milho pode atingir 15 bilhões de litros

Diante da expansão da produção de milho no Brasil nos últimos anos e das áreas em que a "safrinha" ainda pode se expandir, o país tem potencial para produzir 15 bilhões de litros de etanol a partir do milho, afirmou Antonio Purcino, chefe geral da Embrapa Milho e Sorgo, em debate ontem no Ethanol Summit, em São Paulo. Na safra 2018/19, a produção de etanol de milho foi de 790 mil litros.

O crescimento dessa indústria dependerá da oferta doméstica de milho, que já excede as necessidades dos setores de ração e alimentos e possibilita uma exportação de mais de 30 milhões de toneladas por ano, ressaltou Purcino.

A estimativa leva em consideração que o milho "safrinha", com a produtividade atual, pode avançar ainda por 6,5 milhões de hectares, principalmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Essa expansão seria factível em um cenário de preços do milho de R$ 20 por saca. Se o preço se mantiver acima desse patamar, o cultivo da "safrinha" pode avançar por 10,7 milhões de hectares, projetou. Essas áreas estariam espalhadas por Mato Grosso, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rondônia e Distrito Federal.

Ele observou que tem ocorrido uma expansão "inesperada" do milho no sul do Piauí e no sul do Maranhão, mas afirmou que os preços na região ainda são elevados - o que pressionaria o custo de produção do biocombustível.

Segundo Purcino, esse potencial de aumento da oferta de etanol de milho pode ser incentivado pelo RenovaBio - política cujas metas vão entrar em vigor no ano que vem - e pelo avanço do biocombustível em outros países. Nessa frente, a expectativa maior é com a China, que também começará no ano que vem a misturar 10% de etanol na gasolina. A partir de 2020, a China deve demandar 18 bilhões de litros de etanol por ano para atender ao mandato.

Mas apenas a existência de demanda por etanol e de oferta de milho no país não garantem decisões de investimento na indústria.

Ontem, o Grupo São Martinho anunciou que firmou um protocolo de intenção para investir R$ 350 milhões em uma usina de etanol anexa à sua unidade de cana em Quirinópolis (GO). A decisão para realizar o aporte pode vir após a empresa encontrar uma tecnologia viável e uma cadeia de fornecimento de milho na região que garanta uma produção competitiva, afirmou Fabio Venturelli, presidente da companhia, ao Valor. "Já somos os mais competitivos em cana, também temos que ser os mais competitivos em milho."

O aporte se torna mais viável com o compromisso do governo de Goiás de incluir o empreendimento no incentivo fiscal PRODUZIR, que financia parte do ICMS das empresas. "É um ponto absolutamente relevante para uma decisão de investimento", afirmou Venturelli.

Se o projeto for adiante, a São Martinho competirá por milho com a usina flex (à base de cana e de milho) da SJC Bioenergia, joint venture entre o Grupo USJ e a Cargill, também em Quirinópolis.

Atualmente, a companhia já paga um prêmio sobre o preço do milho para exportação. "Temos que pagar esse prêmio para reter a carga que passa pela região e vai para o porto", disse Maria Carolina Ometto, presidente do Grupo USJ, ao Valor, após participar do debate ontem no Ethanol Summit.

Para Henrique Ubrig, presidente do conselho da FS Bioenergia - joint venture entre o Summit Agricultural Group e a Tapajós Participações -, o "preço de equilíbrio" do milho para a indústria de etanol está entre R$ 20 e R$ 25 a saca. Preços menores não devem mais prevalecer, avaliou. Por outro lado, uma alta mais expressiva, para R$ 30 a saca, pode provocar "uma resposta na oferta" no ano seguinte, defendeu.

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Fonte: Valor Econômico

11. CTC vai distribuir dividendos pela primeira vez na história

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), controlado por diversos grupos sucroalcooleiros e pela BNDESPar, registrou um forte aumento do lucro na safra 2018/19 e, pela primeira vez, pagará dividendos aos acionistas. A companhia informou nesta quarta-feira que seu lucro líquido cresceu 65% ante a safra anterior, para R$ 23,6 milhões, e que proporá o pagamento de R$ 5,4 milhões aos acionistas (R$ 6,77 por ação).

A receita líquida aumentou 29,4%, para R$ 186,7 milhões, impulsionada pelo aumento do volume de vendas e pela alta dos preços das variedades comercializadas. Houve uma expansão de 20% na área plantada com as variedades desenvolvidas pelo CTC e alta de 6% no preço médio das variedades vendidas às usinas e produtores de cana.

A expansão das vendas de variedades foi impulsionada principalmente pelas variedades de cana consideradas “premium”, que são convencionais (não transgênicas) e desenvolvidas sob medida para regiões e climas específicos. Essas variedades responderam por 17% das vendas, ante 10% na safra anterior.

No total, as variedades do CTC responderam por 28% da área de plantio da safra passada no país, com 336 mil hectares. Na temporada anterior, a participação havia sido de 25%.

Os aportes em pesquisa e desenvolvimento — que representam a maior parte dos custos da companhia, ou 80% — cresceram ante a safra anterior, mas em um ritmo menor do que a receita. O aporte total de R$ 160,1 milhões foi 31,8% maior do que no cilo 2017/18, mas representou pouco menos da metade da receita líquida, ante 62,7% no ciclo precedente. A maior parte do crescimento dos investimentos deveu-se ao projeto de sementes artificiais.

O CTC também fez investimentos em imobilizado e intangível que totalizou R$ 69,1 milhões, elevação de 19,1%. Nessa conta está incluída a construção de um laboratório em St. Louis, nos Estados Unidos, onde trabalham pesquisadores contratados do mundo todo para realizar pesquisas de edição genômica — técnica diferente da transgenia, que trabalha com os próprios genes do organismo.

Também houve um investimento adicional de R$ 16 milhões em projetos de sementes e biotecnologia em relação à safra anterior.

Segundo Rinaldo Pecchio Junior, diretor financeiro e de relações com investidores do CTC, o ritmo de crescimento dos investimentos diminuiu em relação à temporada 2017/18 porque alguns projetos já estão alcançando maturidade, mas não há uma decisão de desacelerar investimentos. “É decorrente das etapas em que as pesquisas se encontram. Não é uma orientação ou uma necessidade em função do orçamento”, afirmou

Ainda no lado dos custos, o CTC reduziu em R$ 11,6 milhões a provisão para clientes inadimplentes. Com aumento das vendas e redução dos custos, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado avançou 80%, para R$ 54,9 milhões. Assim, a margem Ebitda cresceu 8,3 pontos percentuais, para 29,4%.

No fim do ano passado, o CTC ainda recebeu em conta o aumento de capital dos acionistas, após conclusão de arbitragem como BNDESPar, que resultou na injeção de R$ 96,2 milhões em caixa. Com isso, a companhia encerrou a safra com um saldo líquido de caixa de R$ 143,3 milhões.

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Fonte: Valor Econômico

12. Tereos faz primeiro embarque de açúcar por terminal da VLI em Santos; destino será China

A Tereos, terceira maior produtora de açúcar do mundo, concluiu na terça-feira o primeiro embarque de açúcar no sistema integrado da VLI, pelo porto de Santos, com o produto tendo como destino a China, disse a empresa em nota.

O embarque, de 26 mil toneladas, foi realizado como parte de um acordo assinado em 2018 entre a Tereos e a VLI, companhia que tem logística integrada de ferrovias e portos.

O acerto prevê um investimento conjunto de mais de 200 milhões de reais, para a construção de dois armazéns – um no interior de São Paulo e outro no porto de Santos.

Pelo contrato de longo prazo firmado entre as empresas, foi estabelecido compromisso de transporte de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto por ano.

As obras para as unidades de armazenamento, instaladas dentro do sistema integrado da VLI, já começaram, acrescentou em nota a Tereos.

A Tereos, que comercializa açúcar branco e bruto em mais de 60 países, embarcou a commodity pelo berço 3 do Tiplam, terminal portuário situado em Santos.

O produto chegou até o porto por meio da ferrovia e das estruturas multimodais da VLI, que tem entre os principais acionistas a mineradora Vale e o fundo canadense Brookfield, além da japonesa Mitsui.

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Fonte: Reuters/NovaCana

Grãos e Grandes Culturas

13. Preço das frutas e hortaliças cai em maio ante abril nas ceasas

O clima mais ameno e o inverno que já bate à porta contribuíram para a queda dos preços das hortaliças e das frutas comercializadas nas principais Ceasas do Brasil em maio ante abril, informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em relatório publicado nesta terça-feira.

Entre as hortaliças, tomate, batata e alface tiveram quedas mais expressivas. Enquanto na cesta de frutas mais consumidas do país, laranja e mamão foram destaque.

O boletim aponta que o tomate, campeão de altas nos últimos meses, já dá mostras de retração nas cotações na maioria dos Estados, embora não seja certo que vá continuar assim no mês de junho. Na Ceasa Minas, os preços caíram 34% em maio ante abril, sendo que na Ceasa de Vitória e na de Brasília, a queda foi de 19%.

Se, por um lado, nessa época do ano o consumo cai, por outro, o clima mais ameno e, a partir de junho, mais frio, prolonga o período de maturação do tomate — e cria a possibilidade de o produtor controlar melhor a colheita, explica a gerente de Modernização do Mercado Hortigranjeiro da Conab, Joyce Fraga. “Quando os preços tiverem alguma recuperação, a tendência é que o produtor apresse a chegada dos frutos ao mercado, que podem vir mais caros em junho e com coloração mais esverdeada”, disse Fraga, em relatório.

Já a batata teve redução nas cotações em todas as centrais, com destaque para a de Vitória (20,8%), Goiânia, (19%), Recife, (17,6%) e Rio de Janeiro (16,8%).

Segundo a Conab, os preços recuaram com o aumento de oferta no mercado. Em maio, predominou nas bancas das Ceasas a batata da safra da seca do Paraná e a batata de Minas Gerais. Em junho, deve chegar ao consumidor também a oferta do Centro-Oeste, em especial de Goiás. Nesse contexto, apenas um retorno das chuvas em junho pode prejudicar a colheita e voltar a dar força para a alta de preços. Na Ceagesp, em São Paulo, a média de preços da batata em junho eve elevação ante maio de 2,3%.

Dando continuidade ao movimento do mês passado, os preços da alface também caíram. As quedas mais expressivas foram na Ceasa Recife (41,5%) e na Ceasa Brasília (34,6%).

No caso das frutas, o mamão apresentou maior recuo de preços na Ceasa Minas (37,6%) em maio, e na Ceasa Curitiba (37,6%), com a diminuição do consumo. A queda nas temperaturas reduz o apetite pela fruta, o que influenciou o comportamento dos preços e também a maior oferta em algumas centrais.

A laranja, por sua vez, em função da superoferta de São Paulo, também ficou com o preço mais acessível para o consumidor em maio. Na Ceagesp, os preços recuaram 22,5%. “A demanda pela laranja também não aumentou, e em meio à oferta farta em vários mercados e à concorrência com a mexerica poncã, os preços caíram”, disse Joyce.

Com o aumento das atividades de processamento a partir de meados de junho, os produtores poderão direcionar boa parte do seu carregamento para as indústrias produtoras de suco de laranja e aumentar a rentabilidade com as vendas. Outra alternativa, segundo a Conab, será exportar a fruta in natura ou o suco dela para os Estados Unidos, já que este ano a safra no Estado americano da Flórida será menor.

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Fonte: Valor Econômico

14. Banana para francês ver? É com os Corrêa, ali no Vale do Ribeira

Em cada touceira da bananeira convivem lado a lado três gerações de plantas: a mais velha, dita "mãe" ou "pai", a do meio, "filho" e a da ponta, "neto". Cada uma delas dá um cacho de bananas na vida e, uma vez feita sua contribuição, cede lugar ao próximo rebento.

Nascida em torno de uma pequena propriedade no município de Miracatu, no interior paulista, a Bananas Corrêa também mantém o espírito do convívio harmônico entre pares da mesma família. A lição levou a empresa, que está entre as três maiores do país no segmento, a produzir e distribuir 21 mil toneladas de banana nanica e 4,8 mil toneladas de banana prata em 2018.

Das duas propriedades que a empresa tem atualmente, a mais antiga e que responde pelos resultados é a de Jacupiranga, que fica no coração do Vale do Ribeira. A região responde por 20% da produção brasileira da fruta, que no ano passado chegou a quase 7 milhões de toneladas e neste ano deve gerar receita bruta total de R$ 12,6 bilhões, 20,4% a mais que em 2018, de acordo com previsão do Ministério da Agricultura.

Na fazenda da família, a Salto do Berrador, de 1.160 hectares, 260 hectares são destinados à lavoura, enquanto 900 permanecem fechados à preservação. José Luis Corrêa, filho de Salvador Corrêa, afirma que o pai adquiriu a propriedade cercada pela Mata Atlântica na década de 1990.

"Ele começou pequeno com o sítio em Miracatu, e depois de alguns anos passou a vender nossas bananas em feiras livres em São Bernardo do Campo. Em 1969, criou a marca Bananas Corrêa, e em 1980 me juntei a ele e nos especializamos na venda para mercados e sacolões", afirma José Luis. "A compra da Salto do Berrador veio com a meta de ganhar escala", lembra ele, que acompanhou a implantação do bananal na área antes ocupada por pastagens e teve a sorte de trabalhar lado a lado com o pai por mais de dez anos.

Em novo salto de gerações, no fim da década de 1990 chegou a vez dos netos do senhor Salvador Corrêa, que morreu em 1992, tomarem pé do negócio e proporem novos desafios, como o fornecimento das bananas a grandes redes supermercadistas. O caminho dos quatro irmãos passou pela implantação de novas tecnologias. Partiram deles os investimentos em rastreabilidade, facilitação da logística e treinamento contínuo dos 400 funcionários.

Assim, em 2007, as Bananas Corrêa, que também têm dois centros de climatização e distribuição, chegaram pela primeira vez às gôndolas do varejista francês Carrefour, que tem 660 pontos de venda no Brasil e faturou R$ 56,3 bilhões no país em 2018. Atrás do selo Garantia de Origem e depois da Marca Própria do supermercado, as bananas produzidas pela família no Vale do Ribeira ganharam o respeito da matriz da rede na França.

No ano passado, a diretoria do Carrefour esteve na fazenda em Jacupiranga com a proposta de fazer dos Corrêa os primeiros fornecedores de banana para o selo Sabor & Qualidade da companhia. De acordo com o Eric Caruelle, diretor de perecíveis do Carrefour, o selo garante ao consumidor a segurança de que o produto é controlado desde a origem, socialmente correto e ecologicamente sustentável.

"O selo do Carrefour tem um protocolo específico e exigiu readequações na fazenda, como a redução na aplicação de agrotóxicos e preferência pelo controle biológico", afirma Caruelle.

Nesse processo, os Corrêa delimitaram uma área de 61 hectares e mudaram três práticas principais para testes. Trocaram a aplicação aérea de químicos para controle do fungo da sigatoka negra - que há décadas tira o sono dos produtores da América Central e, mais recentemente, chegou ao Brasil - pela aplicação tratorizada. Aumentaram também o uso do controle biológico e deixaram de trabalhar com herbicidas, passando a adotar o manejo de roçadas manuais e mecanizadas.

Após um ano de projeto-piloto, Eduardo Corrêa, filho de José Luis e neto de Salvador, comemora o resultado. "Hoje, conseguimos entregar uma banana dentro das especificações do selo com o mesmo custo de um produto convencional", diz. "E já planejamos aumentar a área dedicada a atender o Carrefour". No Vale, os produtores recebem R$ 1 por quilo.

O sucesso da empreitada vai permitir que ainda este ano as 5,4 mil toneladas de banana entregues pela fazenda Salto do Berrador à rede, cultivadas nos 61 hectares, sejam classificadas como Sabor & Qualidade. Para atender sua demanda, o Carrefour hoje compra 16 mil toneladas de banana de diversos fornecedores. No Brasil, o consumo per capita é de cerca de 25 quilos ao ano.

A família Corrêa, que já tem capacidade para abastecer sozinha 33 lojas do Carrefour no Estado de São Paulo, decidiu aumentar a operação e com a compra de uma fazenda em Delfinópolis (MG), em 2017, vai expandir a produção para a rede em mais 3 mil toneladas até o fim do ano, passando a cobrir a demanda de 58 lojas. "É uma segurança saber que o projeto terá vida longa, que a terceira geração quer se manter no negócio e tem a cultura da sucessão", afirma Caruelle, do Carrefour.

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Fonte: Valor Econômico

15. Mahogany inicia projeto de R$ 500 milhões em RR

Fundada pelo empresário Marcello Guimarães, que fez carreira na área de tecnologia, a Mahogany Roraima desenvolveu um projeto que, se tudo correr bem, levará ao plantio de cerca de 40 mil hectares de mogno africano no Estado do Norte do país nos próximos dez anos, o que exigirá aportes de quase R$ 500 milhões.

Conhecido pela criação do Visual Kit 5, que foi um dos softwares mais vendidos do varejo brasileiro, Guimarães chegou a Boa Vista em 2012. Criou porcos e gado antes de apostar no mogno africano, e agora está acelerando o plantio de novas árvores, em terras próprias e de parceiros.

"Concluímos recentemente, em quatro dias, o plantio de 600 hectares, e estamos negociando terras com proprietários da região para aumentar o ritmo", afirmou ao Valor. Segundo ele, o projeto vem sendo financiado com os Créditos de Reposição Florestal que sua empresa obtém com o plantio e vende para quem precisa compensar desmates.

De acordo com Guimarães, os créditos têm sido suficientes para bancar investimentos de R$ 6 mil por hectare, mas o custo total para o plantio da área chega a R$ 17 mil, e as árvores só começam a ser cortadas - e, portanto, a gerar receita - em 12 anos.

"Estamos negociando com investidores do Brasil e do exterior, mas esse é um namoro sempre complexo", brinca o empresário. Enquanto isso, conta, a Mahogany fez convênios agronômicos com Embrapa e universidades e vem desenvolvendo maquinário para otimizar os trabalhos de plantio.

Após ter navegado por 35 anos nas ondas da tecnologia, Guimarães, com o mogno africano, afirma que volta às origens. Filho de Marília Guimarães, guerrilheira que em 1970, com ele e seu irmão pequenos, participou do sequestro de um avião e foi exilada em Cuba, Marcello estudou em escola agrícola na ilha de Fidel Castro.

Com seu projeto em Roraima, está de olho num mercado que chega a render € 400 por metro cúbico de mogno africano - cuja produtividade média chega a cerca de 150 metros cúbicos por hectare - e poderá gerar para a empresa um faturamento anual entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões depois que as vendas começarem.

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Fonte: Valor Econômico

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